Enquanto milhares de venezuelanos seguem sob os escombros, presidente dos EUA faz comentário em tom de deboche; jurista afirma que salvar vidas deve estar acima de qualquer disputa política
Da Redação
Em meio às operações de resgate que tentam localizar sobreviventes dos terremotos que devastaram a Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou indignação ao fazer declarações em tom de deboche sobre a tragédia humanitária.
Durante um evento político realizado na sexta-feira (26), Trump afirmou que os venezuelanos estariam “felizes dançando pelas ruas”, comentário que gerou forte repercussão diante da dimensão do desastre, que deixou milhares de mortos, feridos e desaparecidos, além de cidades inteiras destruídas.
As declarações contrastam com o cenário descrito por equipes de resgate, que seguem retirando vítimas dos escombros em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes.
Marcelo Uchôa: “A prioridade é retirar pessoas dos escombros”
A tragédia também foi tema da edição mais recente do programa Democracia no Ar, da TV Atitude Popular. Embora a entrevista tivesse como foco o manifesto “Juristas por Luizianne Senadora”, o advogado e professor Marcelo Uchôa dedicou a parte final da conversa à situação venezuelana.
Segundo o jurista, a dimensão da catástrofe exige que divergências políticas sejam colocadas em segundo plano.
“O Brasil tem um dever constitucional de prestar solidariedade internacional.”
Uchôa afirmou ter conversado com amigos que vivem na Venezuela logo após os tremores. Embora eles estejam em segurança, os relatos recebidos revelam uma situação dramática.
“A gente já está tentando cavar os escombros, porque tem gente nesse exato momento precisando ser retirada debaixo de pedra.”
Segundo ele, enquanto o número oficial de vítimas ainda varia conforme avançam as buscas, a prioridade continua sendo salvar vidas.
“É uma corrida contra o tempo.”
Constituição impõe dever de cooperação
Durante a entrevista, Marcelo Uchôa lembrou que a própria Constituição brasileira estabelece princípios de cooperação entre os povos e de prevalência dos direitos humanos.
Na avaliação do professor, esses dispositivos criam um compromisso jurídico para que o Brasil atue em situações de grandes tragédias internacionais.
“A gente não pode deixar de fazer aquilo que a nossa Constituição diz ser importante.”
Para ele, esse dever não depende da orientação política do governo atingido nem das relações diplomáticas existentes.
Sanções não podem impedir ajuda humanitária
Marcelo Uchôa também criticou políticas que possam dificultar a chegada de ajuda internacional.
Segundo ele, sanções econômicas jamais podem servir de obstáculo quando vidas humanas dependem de assistência imediata.
“Os Estados Unidos nunca tiveram direito legítimo de bloquear ajuda humanitária à Venezuela.”
O jurista comparou a situação ao bloqueio de ajuda enfrentado pela Faixa de Gaza, afirmando que impedir a entrada de alimentos, medicamentos ou equipes de resgate representa uma grave violação dos princípios humanitários.
Brasil já enviou equipes de resgate
Durante o programa, a jornalista Sara Goes informou que o Presidente Lula autorizou o envio de uma missão brasileira de busca e salvamento.
A operação reúne bombeiros especializados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, integrantes da Defesa Civil Nacional, técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações e toneladas de equipamentos destinados às operações de resgate.
Para Marcelo Uchôa, a iniciativa demonstra que o Brasil está cumprindo seu papel, mas a resposta internacional ainda precisa crescer.
“A ajuda do Brasil é grande, mas está longe de ser suficiente.”
Segundo ele, além das equipes de busca, a Venezuela necessitará de hospitais de campanha, equipamentos pesados, medicamentos e assistência humanitária prolongada.
“Se fosse no Brasil, esperaríamos solidariedade”
Na avaliação de Uchôa, tragédias dessa magnitude não podem ser tratadas sob a lógica da disputa política.
O professor afirmou que qualquer país atingido por um desastre semelhante teria direito ao apoio da comunidade internacional.
“Se tivesse acontecido aqui, nós iríamos querer a solidariedade dos outros povos.”
Ele também defendeu que outros países latino-americanos ampliem rapidamente sua participação nas operações de socorro.
Tragédia agrava crise humanitária
Além da destruição provocada pelos terremotos, Marcelo Uchôa alertou para os impactos sobre hospitais, abastecimento de água, fornecimento de energia e infraestrutura urbana.
Segundo ele, os danos tendem a aprofundar a crise humanitária já enfrentada pelo país, tornando ainda mais urgente a mobilização internacional.
Enquanto equipes de diversos países continuam trabalhando entre edifícios destruídos na tentativa de localizar sobreviventes, a situação permanece crítica, com o número de mortos e desaparecidos sendo atualizado à medida que avançam as buscas.
Para o jurista, diante desse cenário, manifestações de escárnio ou tentativas de politizar o sofrimento das vítimas apenas desviam a atenção daquilo que realmente importa.
“A prioridade agora é salvar vidas.”


