Sociólogo avalia movimentações para a sucessão estadual, comenta possível candidatura de Ciro Gomes, analisa o peso de Camilo Santana e critica antecipação do debate eleitoral
Da Redação
Em entrevista ao programa Democracia no Ar, da TV Atitude Popular, o professor e sociólogo Osmar de Sá Ponte Jr. analisou o cenário político que começa a se desenhar para a eleição ao Governo do Ceará em 2026. A conversa, conduzida por Sara Goes, abordou os nomes que circulam nos bastidores como possíveis candidatos, as disputas internas entre grupos políticos e os desafios enfrentados pela esquerda e pela oposição no estado.
Presidente do PSB Fortaleza, doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e estudioso da conjuntura política brasileira, Osmar defendeu que o governador Elmano de Freitas deve assumir o protagonismo das articulações políticas do grupo governista, evitando especulações públicas que, segundo ele, enfraquecem a gestão.
“A dúvida em política é uma tragédia”, afirmou. Para o professor, setores aliados cometem um erro ao alimentar constantemente rumores sobre uma eventual candidatura do senador e ex-governador Camilo Santana ao Governo do Ceará.
Segundo Osmar, insistir nesse debate transmite insegurança política e acaba fortalecendo adversários. “Quem tem que tocar esse processo é o governador. O papel do governo é governar, entregar obras, fazer gestão. A política deve ser conduzida com serenidade e nos bastidores”, declarou.
O sociólogo considera improvável uma candidatura de Camilo Santana ao Palácio da Abolição. Para ele, o atual ministro da Educação consolidou-se como a principal liderança política do Ceará e passou a ocupar espaço de projeção nacional dentro do governo do Lula.
“Camilo hoje é chamado para ser uma figura estratégica no governo Lula. Ele tem mais caminho para seguir em frente nacionalmente do que retornar a uma disputa provincial”, avaliou.
Durante a entrevista, Osmar também comentou os possíveis nomes colocados para a disputa de 2026. Entre os citados estão o próprio Elmano de Freitas, Camilo Santana, Ciro Gomes, Roberto Cláudio, Eduardo Girão, Jade Romero e nomes ligados ao PSOL e à direita bolsonarista.
Ao analisar o cenário, o professor afirmou acreditar que a eleição tende a ficar polarizada entre o campo liderado atualmente por Elmano e uma eventual candidatura de Ciro Gomes, caso ela realmente se confirme.
“Só acredito na candidatura do Ciro quando ela estiver oficialmente lançada”, disse. Segundo ele, o ex-ministro enfrenta dificuldades para construir uma narrativa competitiva no Ceará, sobretudo diante da aproximação de setores da direita ligados ao bolsonarismo.
Osmar também avaliou que o desgaste envolvendo Flávio Bolsonaro e denúncias relacionadas ao Banco Master podem impactar alianças políticas nacionais e regionais, afetando inclusive setores da oposição cearense.
“O Ciro vai precisar se diferenciar do bolsonarismo aqui no Ceará. Se não fizer isso, terá muita dificuldade”, afirmou.
Outro ponto debatido foi a ausência de mulheres entre os nomes mais mencionados para a disputa estadual. A entrevista destacou os obstáculos históricos à participação feminina na política institucional e a sub-representação das mulheres nos espaços de poder.
Nesse contexto, Osmar comentou o ato de filiação da ex-prefeita de Fortaleza Luizianne Lins à Rede Sustentabilidade, classificando o movimento como um fato político importante no campo progressista cearense.
“Luizianne tem um perfil muito interessante para o Senado. É uma figura muito querida e respeitada”, observou.
A entrevista também avançou para temas nacionais. Osmar criticou a atuação pública de ministros do Supremo Tribunal Federal e avaliou que a exposição excessiva do Judiciário nas redes sociais e na mídia prejudica a imagem institucional da Corte.
“O juiz precisa se conformar à solidão do julgamento. Ministro do STF não é influenciador digital”, declarou.
Ao comentar o cenário nacional, o sociólogo afirmou que a extrema direita atravessa um momento de desgaste político internacional e avaliou que setores conservadores buscam alternativas mais estáveis ao bolsonarismo.
“A direita econômica quer estabilidade. O populismo de extrema direita gera instabilidade permanente”, disse.
Ao longo da conversa, Osmar defendeu a necessidade de ampliar o diálogo dentro dos campos progressistas e reforçou a importância da participação popular no debate político.
“A esquerda sempre foi muito participativa. É preciso voltar a ouvir mais as pessoas, discutir projetos e construir coletivamente”, concluiu.
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