“A melhor guerra é a que se evita”

Análise denuncia guerra midiática, pressões externas e reafirma a soberania venezuelana diante de ameaças dos Estados Unidos

Uma série de notícias divulgadas pela grande imprensa internacional sobre uma suposta disposição do presidente Nicolás Maduro de deixar o poder e fugir da Venezuela foi duramente contestada por analistas e militantes políticos durante o programa Café com Democracia, exibido em 16 de dezembro pela rede Atitude Popular. O tema foi debatido pelo apresentador Luiz Regadas com a professora e militante do Partido dos Trabalhadores Flávia Rodrigues e o analista político Freddy Meregote, em uma edição dedicada às últimas notícias da Venezuela.

Logo no início do debate, os convidados classificaram como falsa a informação, publicada por jornais norte-americanos, de que Maduro teria ligado para Donald Trump oferecendo rendição em troca de salvo-conduto para si e familiares. Segundo Freddy Meregote, trata-se de mais um episódio da chamada guerra psicológica e midiática contra o país. “Isso é uma falsidade total, parte de uma estratégia para confundir a população venezuelana e a opinião pública internacional. O presidente Maduro está firme, respaldado por instituições sólidas e por uma força cívico-militar preparada para defender o país”, afirmou.

A análise também ressaltou que esse tipo de narrativa não é nova na América Latina. Flávia Rodrigues traçou um paralelo com episódios vividos no Brasil, quando setores da imprensa afirmavam que o então ex-presidente Lula estaria se preparando para fugir do país diante de uma possível prisão. “É a mesma lógica: criar pânico, desestabilizar emocionalmente e tentar enfraquecer a moral dos povos”, destacou.

Durante o programa, foi enfatizado que a pressão internacional sobre a Venezuela se intensificou após o endurecimento do bloqueio econômico, responsável por provocar um êxodo de milhões de venezuelanos. Nesse contexto, Maduro teria alertado o presidente do Chile sobre a necessidade de respeitar os direitos dos migrantes venezuelanos, denunciando políticas que, segundo os analistas, flertam com práticas autoritárias e violam direitos humanos.

O debate avançou para o cenário geopolítico regional. Meregote alertou que uma eventual intervenção militar na Venezuela não seria apenas um ataque a um país, mas uma ameaça a toda a América Latina. Ele destacou a presença de navios de guerra e tropas dos Estados Unidos no Caribe, afirmando que a Venezuela tem sido usada como pretexto para uma estratégia mais ampla de controle da região. “O que está em jogo não é democracia nem combate ao narcotráfico. É o petróleo venezuelano, a maior reserva do planeta”, disse.

Os convidados também rebateram a ideia de que uma intervenção seria simples ou rápida. Foram mencionados o sistema de defesa aérea S-300, o preparo das Forças Armadas e a existência de milhões de civis treinados para a defesa do território. Nesse ponto, Flávia Rodrigues reforçou o caráter popular da resistência venezuelana. “Quando você vê uma senhora idosa com um fuzil, não é encenação. É preparo. É consciência de que o imperialismo tenta há décadas tomar as riquezas do país”, afirmou.

Outro tema abordado foi o papel de potências como Rússia e China. Segundo os analistas, o apoio desses países se dá sobretudo no campo diplomático e estratégico, funcionando como fator de dissuasão contra uma agressão direta. Ainda assim, ambos ressaltaram que a prioridade do governo venezuelano tem sido evitar a guerra. Como lembrou Meregote, citando o próprio Maduro, “a melhor guerra é a que se evita”.

O programa também tratou do caso da Citgo, refinaria venezuelana nos Estados Unidos, classificada por Maduro como “o maior roubo da história”. Para os debatedores, a entrega do controle da empresa a interesses privados, após a autoproclamação de Juan Guaidó, evidencia o real interesse norte-americano: o controle direto de ativos estratégicos e fontes de energia.

Nas considerações finais, Flávia Rodrigues destacou que, apesar das ameaças, o povo venezuelano segue celebrando o Natal, mantendo tradições e reafirmando a vida cotidiana como forma de resistência. “Eles querem paz, mas não abrem mão da soberania”, disse. Meregote concluiu reforçando que o debate precisa se ampliar para toda a sociedade latino-americana. “Não é apenas a Venezuela. É a América Latina inteira que está sob ameaça.”

A edição reforçou o papel da comunicação popular como contraponto à narrativa dominante e encerrou com um chamado à solidariedade entre os povos da região, em defesa da soberania e da paz.

https://www.youtube.com/watch?v=Yn8b_dxAwD4

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📅 De segunda à sexta
🕙 Das 7h30 às 8h
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