Presidente do Sindipetro CE/PI defende retomada do controle estatal sobre o setor energético, critica privatizações e afirma que o Congresso precisa voltar a representar os trabalhadores
Da Redação
O programa Café com Democracia, da TV Atitude Popular, recebeu nesta terça-feira (19) o presidente do Sindipetro Ceará/Piauí, Fernandes Neto, para uma discussão sobre os rumos da indústria petrolífera brasileira, os impactos das privatizações promovidas nos últimos anos e a relação entre soberania energética e as eleições de 2026.
Durante a entrevista conduzida por Luiz Regadas, o dirigente sindical afirmou que a disputa em torno da Petrobras não se restringe à economia, mas envolve diretamente o futuro político e social do país.
“A nossa luta não é apenas pelos petroleiros e petroleiras. É pela defesa da Petrobras, da soberania nacional e do investimento público que transforma a realidade da população”, declarou.
Fernandes Neto destacou que a Petrobras registrou, no primeiro trimestre de 2026, um dos maiores lucros entre as petroleiras do mundo. Segundo ele, a diferença em relação aos governos anteriores está na pressão para que os recursos deixem de beneficiar apenas acionistas e passem a financiar projetos estratégicos para o país.
“Durante muito tempo, praticamente todo o lucro era distribuído para investidores. Agora existe uma disputa para que esse dinheiro financie a transição energética e políticas de desenvolvimento”, afirmou.
Ao longo da entrevista, o sindicalista criticou duramente o processo de privatização conduzido durante os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. Segundo ele, a venda de refinarias e distribuidoras aumentou a dependência brasileira de importações e encareceu combustíveis para a população.
Ele citou dados sobre a diferença entre o valor de saída dos combustíveis das refinarias da Petrobras e o preço final pago pelos consumidores.
“A gasolina sai da Petrobras por cerca de R$ 2,62 e chega ao consumidor por mais de R$ 6. O gás de cozinha sai por cerca de R$ 35 e chega a mais de R$ 110. Isso é margem de lucro das distribuidoras privadas”, disse.
Fernandes Neto também denunciou o impacto social das privatizações sobre os trabalhadores do setor.
“Tivemos redução de efetivos, precarização e contratos cada vez mais enxutos. Muitos terceirizados recebem hoje praticamente o mesmo salário de dez anos atrás”, afirmou.
O presidente do Sindipetro defendeu ainda a retomada de investimentos estratégicos no Nordeste, especialmente na refinaria Lubnor, em Fortaleza, e na usina de biodiesel de Quixadá.
“A Lubnor quase foi privatizada. Se isso tivesse acontecido, o preço do asfalto no Nordeste inteiro teria disparado. O Ceará e outros estados seriam profundamente afetados”, declarou.
Segundo ele, a refinaria cearense poderá se transformar na primeira refinaria carbono neutro da Petrobras, com investimentos em biometano, energia solar e combustíveis renováveis.
A entrevista também abordou a chamada Margem Equatorial, nova fronteira petrolífera brasileira que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte. Fernandes Neto afirmou que a exploração deve ocorrer sob controle estatal e com rigor ambiental.
“Nenhum país abre mão de uma riqueza dessa dimensão. O importante é que seja a Petrobras, com responsabilidade ambiental, quem conduza esse processo”, afirmou.
Ao comentar as eleições de 2026, o dirigente sindical avaliou que o futuro da Petrobras dependerá diretamente da correlação de forças no Congresso Nacional.
“Não basta eleger presidente. É preciso mudar o Congresso. Hoje mais de 80% do Parlamento representa os donos do capital e não os trabalhadores”, disse.
Ele também relacionou as pautas trabalhistas ao debate sobre soberania nacional.
“A luta pelo fim da escala 6×1 também faz parte dessa disputa. É uma luta pela dignidade do trabalhador brasileiro”, afirmou.
Durante o programa, foi mencionada a articulação em torno da campanha nacional “Brasil Soberano, Congresso Amigo do Povo”, iniciativa que vem sendo construída por movimentos sociais, sindicatos, comunicadores populares e setores da intelectualidade brasileira preocupados com os rumos políticos e econômicos do país.
A TV Atitude Popular está propondo aos movimentos sociais e entidades populares a construção coletiva dessa mobilização nacional. Um manifesto da campanha está sendo redigido por um grupo de intelectuais do Ceará e deverá reunir contribuições de diversos setores comprometidos com a democracia, a soberania nacional e os direitos populares.
Entre os temas que dialogam diretamente com a iniciativa está justamente a luta pelo fim da escala 6×1, apontada como parte de uma agenda mais ampla de valorização do trabalho, fortalecimento das empresas públicas e reconstrução da capacidade de planejamento do Estado brasileiro.
Os apoiadores que desejarem conhecer mais sobre a campanha e participar da construção do manifesto podem acessar o site:
Fernandes Neto encerrou a entrevista defendendo que a sociedade compreenda o papel estratégico da Petrobras para além do debate econômico.
“Quando a Petrobras investe, muda a realidade das regiões. Gera emprego, renda, infraestrutura e desenvolvimento. Defender a Petrobras é defender o Brasil”, afirmou.
📺 Programa Café com Democracia
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 7h30 às 8h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
📲✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O



