“A política está se tornando algorítmica”, afirma PJ Brandão

Professor analisa a disputa por atenção no caso Master e explica como imprensa, redes sociais e vazamentos distribuem os papéis de herói e vilão na crise do STF

Da Redação

A sequência de vazamentos envolvendo o Banco Master, ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes da família Bolsonaro não chega ao público em uma ordem neutra. A escolha do que será publicado primeiro, do espaço concedido a cada revelação e dos personagens que aparecerão como culpados ou inocentes interfere diretamente na interpretação dos acontecimentos. A avaliação é do professor universitário e comunicador PJ Brandão.

Em entrevista ao programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, Brandão analisou a crise a partir de sua experiência com roteiro, histórias em quadrinhos e estudos sobre narrativa. Responsável pelo projeto HQ Sem Roteiro, ele afirmou que os algoritmos das plataformas digitais passaram a editar uma versão personalizada do noticiário para cada usuário, privilegiando conteúdos capazes de produzir raiva, conflito e permanência nas redes.

“A política está se tornando algorítmica.”

Para Brandão, o caso Master ajuda a compreender como essa seleção funciona. Em poucas horas, diferentes informações sobre Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Flávio Bolsonaro disputaram espaço nos portais e nas redes. Algumas receberam ampla repercussão. Outras desapareceram rapidamente, apesar de sua relevância política.

A ordem dessas publicações, segundo o professor, influencia a definição de quem será apresentado como herói e quem assumirá o papel de vilão. Também interfere na capacidade do público de acompanhar o conjunto das denúncias, separar fatos comprovados de hipóteses e perceber quais personagens estão sendo retirados do centro do noticiário.

A sucessão de vazamentos

A discussão partiu da publicação de uma reportagem que apontava uma relação mais próxima entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Segundo o relato apresentado no programa, a apuração se baseava em um relatório sob responsabilidade do ministro André Mendonça e sugeria que Moraes teria atuado em favor do escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

Na manhã seguinte, a revista Piauí publicou informações sobre as relações entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. A reportagem indicava que o banqueiro teria sido procurado para destinar novos recursos ao projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro, além dos valores já conhecidos.

Durante algumas horas, essa revelação ocupou o noticiário. Depois, diferentes veículos passaram a publicar sucessivas matérias sobre a suspeita envolvendo Moraes. No fim do dia, Mendonça retirou o sigilo de um relatório com 218 páginas.

Conforme a análise feita no programa, o documento continha imagens de supostas conversas atribuídas a Moraes, mas não apresentava, naquele momento, perícia realizada no celular do ministro nem verificação conclusiva dos arquivos. Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República teria apontado ausência de elementos materiais suficientes e defendido a nulidade do procedimento.

Apesar disso, as suspeitas já haviam circulado intensamente. Para Brandão, esse intervalo entre a publicação da acusação e a análise de seus fundamentos é decisivo, porque a primeira versão costuma alcançar um público muito maior do que a revisão posterior.

“Se isso já está sendo gritado, é porque existe uma narrativa de vilania e heroísmo dentro da lógica da imprensa hegemônica.”

O professor não defendeu que suspeitas contra ministros do Supremo sejam ignoradas. Ele afirmou que acusações graves precisam ser investigadas e comprovadas. A crítica foi dirigida à velocidade com que conclusões políticas foram apresentadas antes da demonstração da materialidade.

Como exemplo, citou um editorial da Folha de S.Paulo que já pedia a renúncia de Alexandre de Moraes poucas horas depois da divulgação das suspeitas.

“O jornalismo deveria ter um trabalho voltado para uma apuração mais cuidadosa e para pensar se essas informações são corretas ou não.”

Onde uma narrativa começa

Brandão explicou que toda narrativa depende da escolha de um ponto de partida. Quando um episódio é apresentado sem os fatos anteriores, uma reação pode parecer uma iniciativa isolada. Quando as relações de causa e consequência são reorganizadas, o sentido muda.

O professor utilizou como exemplo as narrativas coloniais. Contar um conflito a partir das flechas lançadas por indígenas produz uma interpretação. Começar pela chegada violenta dos colonizadores produz outra. Se o primeiro acontecimento for omitido, a reação pode ser apresentada como agressão inicial.

“Dependendo de onde começa o capítulo um da sua narrativa, a história é completamente diferente. Você pode tratar uma reação como se fosse uma ação.”

No caso Master, isso significa decidir se o primeiro capítulo será a suspeita envolvendo Moraes, as relações de Vorcaro com Flávio Bolsonaro, os contatos atribuídos a André Mendonça ou a trajetória do banqueiro entre diferentes grupos políticos.

Essa escolha não depende apenas dos jornalistas. Nas redes sociais, o algoritmo reorganiza as publicações de acordo com o comportamento de cada pessoa. Usuários que acompanham conteúdos favoráveis a determinado campo político podem receber uma sequência completamente diferente daquela entregue a quem possui outras preferências.

Brandão afirmou que algumas pessoas dificilmente terão contato com as informações sobre a possível relação entre Vorcaro e Mendonça. As acusações contra Moraes, por outro lado, foram repetidas por diversos veículos de grande alcance e passaram a ocupar um espaço maior nas plataformas.

Informação personalizada para produzir reação

Segundo o professor, os algoritmos atendem principalmente aos interesses comerciais das empresas responsáveis pelas redes sociais. Quanto mais tempo o usuário permanece conectado, maior é a possibilidade de exposição à publicidade e de coleta de dados.

Para manter as pessoas nas plataformas, os sistemas priorizam conteúdos com maior capacidade de provocar reações. A raiva, a indignação e o conflito cumprem essa função com eficiência.

“A forma como se engaja melhor nas redes sociais é por meio da raiva, do conflito e da briga.”

Cada usuário recebe uma linha do tempo organizada a partir de seus próprios hábitos. As plataformas identificam os assuntos que despertam interesse, os perfis com os quais a pessoa interage e os conteúdos que a fazem permanecer mais tempo diante da tela.

O resultado é uma edição individualizada do noticiário. Duas pessoas que vivem na mesma cidade e acessam a mesma rede social podem passar o dia expostas a interpretações opostas sobre um mesmo acontecimento.

Nesse ambiente, a informação que confirma uma crença anterior tende a ser aceita mais facilmente. Quem acredita em uma teoria conspiratória pode encontrar canais, podcasts e páginas dedicados a reforçá-la, mesmo quando ela já foi desmentida.

“Antes, a gente acreditava em mentiras e verdades por causa da falta de informação. Hoje, a mentira nos atinge por afogamento.”

Brandão afirmou que a quantidade de conteúdos disponíveis não garantiu uma compreensão maior da realidade. Em muitos casos, o excesso tornou mais difícil identificar a origem de uma acusação, acompanhar sua apuração e localizar eventuais correções.

A denúncia que desaparece sob outra denúncia

A reportagem da Piauí sobre Flávio Bolsonaro foi usada como exemplo de uma informação que perdeu visibilidade quando as suspeitas contra Moraes passaram a dominar o noticiário.

Durante a sabatina realizada pela TV Globo, Flávio foi questionado sobre os recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro. Sua principal justificativa foi a de que o projeto não utilizava dinheiro público.

No entanto, como foi observado durante o programa, a ausência de recursos públicos não elimina a possibilidade de irregularidades em uma operação privada. A origem, o destino e a finalidade dos valores continuam sujeitos à legislação.

Brandão afirmou que a repercussão do relatório sobre Moraes reduziu o espaço disponível para discutir as relações entre Flávio e Vorcaro. Para ele, a disputa não ocorre apenas entre verdade e mentira. Ela também envolve quais fatos recebem tempo, repetição e destaque.

“A omissão de certos dados e o tempo dado a um candidato ou a outro são estratégias tão potentes quanto a mentira.”

O professor mencionou a diferença de tratamento entre candidatos nas sabatinas e reportagens. Segundo ele, suspeitas sem comprovação podem ocupar vários minutos de uma entrevista, enquanto fatos documentados ligados a outro concorrente recebem atenção reduzida.

A escolha do enquadramento interfere na formação da imagem pública dos personagens. Um ministro pode ser apresentado como responsável por uma crise antes da conclusão de qualquer investigação. Um candidato pode evitar questionamentos sobre suas próprias relações porque outra denúncia passou a ocupar todo o espaço disponível.

O paralelo com a Lava Jato

Durante a entrevista, a sucessão de vazamentos foi comparada ao método usado durante a Operação Lava Jato. Conversas obtidas em investigações eram divulgadas seletivamente e publicadas antes que os acusados tivessem acesso completo aos autos.

Entre os episódios lembrados estão a divulgação de uma conversa entre Dilma Rousseff e Lula e a exposição pública de gravações envolvendo Marisa Letícia. O conteúdo era apresentado como parte de uma sequência narrativa que atribuía culpa antes da conclusão dos processos.

A divulgação das mensagens da força-tarefa, conhecida como Vaza Jato, mostrou posteriormente diálogos que colocaram em dúvida a imparcialidade da operação. Brandão observou, porém, que muitas pessoas expostas diariamente às acusações iniciais nunca tiveram contato com as revelações posteriores.

A imagem construída durante anos permaneceu, mesmo depois da anulação das condenações de Lula e do reconhecimento da parcialidade de Sergio Moro em um dos processos.

No caso Master, o professor identifica um risco semelhante: a suspeita produz seu efeito político imediatamente, enquanto a análise das provas chega tarde, recebe menos destaque ou nem sequer alcança as mesmas pessoas.

“Se for provado que aconteceu ou que não aconteceu, isso parece ser o que menos importa. O estrago já está feito.”

A imprensa como participante da disputa

Brandão descreveu os grandes grupos de comunicação como empresas que possuem interesses econômicos e projetos políticos. Eles não agem fora do mercado de atenção. Também precisam disputar audiência, publicidade e influência.

Essa concorrência ajuda a explicar a multiplicação de manchetes sobre um mesmo assunto e a tentativa de apresentar cada atualização como uma revelação decisiva. A repetição transmite ao público a sensação de que determinado tema é mais grave ou mais urgente do que todos os demais.

“A gente fica à mercê de grandes veículos de comunicação que possuem um projeto de poder.”

Segundo o professor, esses grupos podem considerar provável a vitória de Lula e, ainda assim, trabalhar para limitar sua margem de ação. Ele comparou esse processo ao segundo mandato de Dilma Rousseff, quando a presidenta venceu a eleição, mas enfrentou pressão permanente desde o início do novo governo.

A imagem de Dilma na cobertura jornalística também foi lembrada. Fotografias e manchetes frequentemente reforçavam estereótipos misóginos e apresentavam a presidenta como desequilibrada, isolada ou incapaz de governar.

Para Brandão, a construção de uma personagem política não depende necessariamente de uma informação falsa. Uma fotografia desfavorável, a seleção de determinados gestos, a repetição de um enquadramento e a omissão de resultados positivos podem produzir efeitos semelhantes.

Política transformada em entretenimento

Outro tema abordado foi a redução progressiva do espaço destinado ao debate político na televisão aberta. A propaganda eleitoral, que já ocupou períodos muito maiores da programação, passou por sucessivos cortes.

Ao mesmo tempo, a campanha migrou para redes sociais, vídeos curtos, grupos de mensagens e transmissões conduzidas por influenciadores. Nesse modelo, candidatos precisam demonstrar capacidade de gerar audiência, produzir cenas compartilháveis e adaptar suas falas às regras das plataformas.

Brandão lembrou que, em 2014, ainda era comum ouvir de profissionais de campanha que uma eleição não poderia ser vencida pelas redes sociais. A eleição de Donald Trump, em 2016, e o avanço de candidaturas organizadas por WhatsApp, YouTube e outras plataformas modificaram essa percepção.

“A política sempre teve uma dimensão de entretenimento. Agora esse peso está muito maior.”

O professor citou políticos que construíram sua popularidade como apresentadores, comentaristas e produtores de conteúdo. Jair Bolsonaro frequentava programas de entretenimento antes de chegar à Presidência. João Doria apresentou a versão brasileira do reality show The Apprentice. Donald Trump comandou a produção original nos Estados Unidos.

Na avaliação de Brandão, essa aproximação faz com que a capacidade de aparecer diante das câmeras seja confundida com competência para governar.

“As pessoas confundem número de seguidores com poder político.”

Um candidato pode dominar as técnicas de vídeo, obter milhões de visualizações e, ainda assim, não apresentar conhecimento sobre administração pública. Da mesma forma, um profissional pode produzir bons conteúdos sobre uma área sem demonstrar a mesma capacidade no exercício prático da profissão.

Ministros do STF viraram personagens

Brandão observou que poucas pessoas saberiam citar nomes de ministros do STF algumas décadas atrás. A partir do julgamento do mensalão, transmitido pela TV Justiça e amplamente repercutido pelos demais veículos, os integrantes do tribunal passaram a ser tratados como personagens permanentes da política nacional.

Hoje, ministros possuem admiradores, críticos organizados, apelidos e imagens públicas comparáveis às de candidatos. Suas decisões circulam como capítulos de uma disputa e são interpretadas conforme a identidade política de cada audiência.

O caso Master intensificou esse processo. Moraes e Mendonça deixaram de aparecer apenas como autoridades responsáveis por procedimentos judiciais. Passaram a ocupar posições dentro de uma narrativa na qual um precisa ser o investigador e o outro, o investigado.

Para o professor, esse enquadramento dificulta a compreensão das responsabilidades institucionais e estimula torcidas em torno de questões que deveriam ser examinadas com base em documentos.

A política diária perde espaço para a imagem

Brandão diferenciou a política cotidiana da disputa partidária realizada a cada dois anos. A política está presente nas relações de trabalho, no acesso a serviços públicos, na renda e no tempo disponível para a convivência familiar.

Nas redes, porém, essa experiência material pode ser substituída por imagens e identidades. Uma pessoa pode apoiar um candidato que defende medidas contrárias aos seus interesses porque se identifica com a forma como ele se apresenta.

O professor citou o debate sobre o fim da escala 6 por 1. Trabalhadores submetidos a essa jornada podem rejeitar a redução do tempo de trabalho porque associam a proposta a um campo político que aprenderam a considerar inimigo.

“A imagem está sendo mais importante do que a nossa realidade material.”

Segundo Brandão, o eleitor pode ignorar uma melhoria concreta em sua renda ou nas condições de trabalho e concentrar sua decisão em conteúdos produzidos para despertar medo. Nesse processo, o que o candidato diz passa a ter mais peso do que as políticas que ele executou ou pretende executar.

Redes sociais misturam notícia, esporte e fofoca

O professor explicou que os jornais impressos organizavam a informação em editorias claramente delimitadas. Política, economia, esporte, cultura e entretenimento apareciam em páginas diferentes.

Nos feeds das redes sociais, essa divisão praticamente desapareceu. Uma denúncia sobre ministros do Supremo pode surgir entre uma notícia esportiva e uma informação sobre a vida pessoal de uma celebridade.

O conteúdo com maior repercussão não é necessariamente o de maior importância pública. Uma fofoca pode receber mais interações do que uma investigação financeira, fazendo com que o sistema lhe conceda prioridade.

“Engajamento é a grande moeda de troca hoje em dia.”

As empresas jornalísticas tentam manter perfis separados para determinadas editorias, mas dependem das mesmas regras algorítmicas para alcançar leitores. Por isso, títulos, imagens e vídeos são adaptados para concorrer no mesmo ambiente ocupado por influenciadores e conteúdos de entretenimento.

As bets e a captura da atenção

A entrevista também relacionou a lógica das redes ao funcionamento das plataformas de apostas. Brandão citou o documentário O dilema das redes, que compara o gesto de atualizar o feed à ação de puxar a alavanca de uma máquina de cassino.

Em ambos os casos, o usuário repete um movimento na expectativa de receber uma recompensa. A maior parte das tentativas não entrega algo relevante, mas a possibilidade de encontrar um conteúdo interessante ou obter um ganho estimula a repetição.

Para o professor, os avisos de “aposte com responsabilidade” transferem ao usuário toda a culpa por um sistema desenvolvido para mantê-lo apostando. A ludopatia, no entanto, é um problema de saúde que pode atingir também familiares e pessoas que não fizeram apostas.

“Para mim, é a institucionalização de um golpe.”

Brandão defendeu uma regulamentação mais rigorosa e alertou para o volume de recursos retirados das famílias e enviados às empresas do setor. Também criticou os contratos nos quais influenciadores recebem parte das perdas registradas por seguidores que acessam as plataformas por meio de links promocionais.

“Isso é vampirismo. Parte do dinheiro perdido pelo seguidor vai para o bolso do influenciador que mandou o link.”

Segundo ele, a ampla presença de publicidade de bets em transmissões esportivas dificulta o enfrentamento do problema. É incoerente tratar a dependência como questão de saúde enquanto as mesmas plataformas recebem divulgação permanente em espaços de grande audiência.

Como falar de personagens favorecidos pelo algoritmo

Na parte final da entrevista, Brandão foi questionado sobre como jornalistas e comunicadores devem abordar candidatos que crescem justamente porque acumulam críticas, comentários e compartilhamentos.

Ele afirmou que o jornalismo profissional tem a responsabilidade de identificar as pessoas, apresentar suas filiações e informar corretamente. Fora desse contexto, no entanto, repetir insistentemente o nome de um personagem pode contribuir para aumentar sua visibilidade.

“A gente pode falar desses personagens, mas não do jeito que eles gostariam de ser falados.”

Brandão sugeriu o uso de referências críticas, criatividade e contextualização para evitar que toda menção se transforme em publicidade. A estratégia já é usada por grupos de extrema direita, que raramente se referem a Lula apenas pelo nome e preferem empregar apelidos destinados a reforçar sua própria interpretação.

O professor também alertou contra a ideia de que os usuários não compreenderiam referências indiretas. Para ele, o público reconhece os personagens e entende o sentido político dos apelidos e das escolhas visuais.

“Só colocar o nome das pessoas nos lugares já é engajar. A gente já deu muito espaço e já bateu muita palma para doidinho dançar.”

A análise de Brandão mostra que a disputa pelo sentido do caso Master não ocorre somente nos autos, nas investigações ou nas redações. Ela passa pela ordem em que as notícias aparecem, pelo tempo concedido a cada acusação e pelos mecanismos que decidem o que milhões de pessoas verão em suas telas.

Nessa disputa, compreender os algoritmos tornou-se parte da compreensão da política. Sem essa análise, o público pode acreditar que recebeu espontaneamente as notícias mais importantes, quando, na realidade, recebeu aquelas consideradas mais rentáveis para as empresas que controlam sua linha do tempo.

Referências

A Political Theory of Post-Truth, Ignas Kalpokas, 2018
Livro recomendado por PJ Brandão sobre pós-verdade, mediatização e os efeitos políticos das narrativas produzidas em conjunto por comunicadores e audiências. Publicado pela Palgrave Macmillan

O dilema das redes, direção de Jeff Orlowski, 2020
Documentário da Netflix sobre o funcionamento das plataformas digitais e o uso de mecanismos destinados a manter os usuários conectados

The Apprentice, criação de Mark Burnett, 2004
Reality show norte-americano apresentado por Donald Trump e citado na entrevista ao tratar da aproximação entre entretenimento, exposição midiática e atividade política

O Aprendiz, versão brasileira de The Apprentice, 2004
Reality show apresentado por Roberto Justus e, posteriormente, por João Doria, mencionado na discussão sobre figuras da televisão que migraram para a política

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