Atitude Popular

Agro aposta em abertura do mercado indiano para feijão e frango na viagem de Lula

Da Redação

O agronegócio brasileiro espera avanços significativos na abertura de mercados na Índia durante a viagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país asiático. Entre os principais temas em discussão estão a exportação do feijão guandu e a redução de barreiras tarifárias ao frango brasileiro, enquanto Brasília busca ampliar seu espaço em um dos maiores mercados consumidores do mundo.

Em meio à agenda externa voltada à expansão comercial e diplomática, o governo brasileiro e representantes do setor agroindustrial intensificam as negociações com a Índia para abrir ou ampliar o acesso de produtos brasileiros ao gigante mercado asiático. A abertura de mercado para o feijão guandu e as discussões sobre a redução de barreiras tarifárias para cortes de frango brasileiro estão entre os pontos centrais da pauta que será debatida durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova Déli, prevista para esta semana.

O feijão guandu, leguminosa de ampla importância na dieta indiana, é apontado pelo governo brasileiro como um produto de grande potencial de exportação. A Índia é um dos maiores consumidores mundiais de feijão, e a importação dessa leguminosa brasileira é vista como uma oportunidade estratégica para ampliar as vendas externas do agronegócio nacional. Fontes oficiais afirmam que as tratativas técnicas para permitir a exportação de feijão guandu brasileiro à Índia já estão avançadas, e que expectativas de negociação se concentram na obtenção de autorização sanitária e reconhecimento do produto pelas autoridades indianas.

No caso do frango, o foco é outro: o governo estuda formas de lidar com as altas tarifas aduaneiras aplicadas pela Índia, que podem chegar a cerca de 100% sobre cortes brasileiros. A proposta em análise prevê mecanismos que possam trazer mais previsibilidade comercial, como cotas específicas ou regimes tarifários especiais, desde que haja acordo com as autoridades indianas. Essas negociações ainda dependem de alinhamento bilateral, e o desfecho estará diretamente ligado às conversas que serão travadas durante a missão oficial em Nova Déli.

Além desses pontos sensíveis, as agendas de comércio entre Brasil e Índia contemplam uma pauta mais ampla, incluindo outros produtos agrícolas e industriais com potencial de demanda no mercado indiano — desde subprodutos do agronegócio até farinhas de origem animal, madeira e erva-mate. A estratégia do governo brasileiro é diversificar a pauta exportadora, reduzindo a dependência de mercados tradicionais e aproximando o país de consumidores em economia emergente com mais de 1,4 bilhão de habitantes.

Internamente, integrantes da equipe econômica e do setor agro ressaltam que a presença do presidente Lula na Índia pode fortalecer o peso político dessas negociações, acelerando tratativas técnicas que já vinham avançando há meses. A avaliação do governo é a de que um resultado positivo não só beneficiaria setores exportadores brasileiros, mas também ampliaria o papel do Brasil como fornecedor confiável e estratégico para um mercado de enorme escala, contribuindo para o crescimento do agronegócio nacional.

Especialistas em comércio internacional também observam que o Brasil já mantém uma corrente de comércio significativa com a Índia, estimada em cerca de 12 bilhões de dólares por ano, mas ainda considerada subaproveitada diante do potencial de ambas as economias. A meta oficial de elevar esse volume para cerca de 20 bilhões de dólares até o fim da década reflete não apenas ambição de crescimento comercial, mas a vontade de consolidar parcerias além de blocos tradicionais e de ampliar a presença brasileira em mercados relevantes da Ásia.

A posição estratégica da Índia, um dos principais mercados consumidores globais em alimentos e proteínas, e a diversidade da produção agroindustrial brasileira — que inclui desde grãos até produtos de proteína animal — colocam essa negociação no centro das expectativas tanto do setor produtivo quanto de autoridades governamentais. A viagem de Lula representa, portanto, uma oportunidade de transformar anos de diálogo técnico em acordos concretos que tragam benefícios econômicos significativos para o Brasil.


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