Atitude Popular

Ameaças e ataques contra o STF

Da Redação

Manifestantes bolsonaristas espalhados por ao menos 37 cidades brasileiras fizeram ataques verbais ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes, com xingamentos, pedidos de anistia e ameaças explícitas à democracia.

No domingo, 3 de agosto de 2025, atos bolsonaristas tomaram as ruas de ao menos 37 cidades brasileiras em uma escalada de ataques diretos ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes. Vestindo camisas da seleção brasileira e empunhando bandeiras do Brasil, de Israel e dos Estados Unidos, os manifestantes exigiram anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, atacaram verbalmente o Judiciário e fizeram ameaças explícitas ao ministro Moraes.

Os protestos foram convocados como retaliação às decisões judiciais que impuseram restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a integrantes de seu círculo mais próximo, como tornozeleiras eletrônicas, bloqueios de contas bancárias e medidas de inabilitação política. Cartazes pedindo o impeachment de Moraes e clamando pela “libertação de presos políticos” foram vistos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em Belo Horizonte, o deputado Nikolas Ferreira (PL‑MG) subiu ao palco e atacou Moraes diretamente: “Alexandre de Moraes, você é um cara corajoso. Mas sem toga você é nada”, seguiu dizendo que “o STF não é o dono do Brasil” e ressaltou sua disposição em levar o ministro “atrás das grades”. Ferreira também prometeu protocolar o 30º pedido de impeachment contra Moraes ainda esta semana.

Em Copacabana, o senador Flávio Bolsonaro classificou as sanções contra Moraes como uma “vergonha brasileira” e afirmou que os manifestantes estariam contribuindo para resgatar a liberdade nacional. “Esse é o momento de resgatar nossa liberdade”, disse, argumentando que o país “não vive uma situação de normalidade democrática”.

Além das manifestações públicas, o tom de confronto foi potencializado nas redes sociais, onde lideranças bolsonaristas e influenciadores promoveram discursos inflamados, questionando a legitimidade do STF e incitando atos de desobediência civil. Muitos exaltaram as sanções aplicadas pelos Estados Unidos ao ministro Alexandre de Moraes como uma “vitória da liberdade”, ignorando as consequências diplomáticas e institucionais que tal ingerência representa para a soberania brasileira.

Em meio aos protestos, surgiram ameaças veladas e explícitas de violência contra ministros do STF. Faixas e discursos indicavam a disposição de setores extremistas em retomar a agenda golpista fracassada em 2023. A Polícia Federal mantém ativa a investigação de grupos suspeitos de planejar ações coordenadas de intimidação, sequestro e até atentados contra figuras-chave do Judiciário e do Executivo.

As operações Lesa Pátria e Contragolpe, em curso desde o ano passado, já haviam identificado células radicais que articulavam atentados digitais e físicos contra Alexandre de Moraes. Entre os investigados, destacam-se ex-assessores de militares, empresários bolsonaristas e hackers responsáveis por ataques cibernéticos a sistemas do STF e de órgãos públicos, como a Polícia Federal e a Anatel.

Mesmo sob pressão, Alexandre de Moraes reafirmou sua posição de manter os processos contra Bolsonaro e seus aliados, classificando as sanções norte-americanas como uma tentativa grotesca de interferência em decisões soberanas do Judiciário brasileiro. Moraes declarou publicamente que “a democracia não será intimidada por pressões externas ou internas” e que “os julgamentos seguirão conforme a Constituição, independentemente da gritaria golpista”.

No Congresso Nacional, a reação às manifestações foi mista. Enquanto a bancada golpista da União Progressista — federação de partidos de oposição — busca capitalizar politicamente o desgaste, outros setores do Legislativo manifestaram solidariedade ao STF e defenderam a independência dos poderes como pilar da democracia.

A tensão entre os poderes e as ameaças à ordem democrática no Brasil configuram um cenário de extrema gravidade. A semana que se inicia promete novos desdobramentos, tanto no campo político quanto judicial, com expectativa de pronunciamentos do Executivo, do Supremo e de organismos internacionais atentos à escalada de discursos antidemocráticos no país.