Da Redação
Pesquisa Datafolha mostra que cresce no país o apoio ao fim da escala de trabalho 6×1, em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa apenas um. Segundo o levantamento, 71% dos brasileiros defendem a mudança, enquanto 27% são contrários, sinalizando forte respaldo social para reduzir a jornada semanal.
O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou novo impulso após pesquisa do instituto Datafolha indicar que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso semanal. O levantamento revela um crescimento do apoio popular à mudança e coloca o tema no centro das discussões políticas e trabalhistas no país.
De acordo com os dados, 27% dos entrevistados se posicionam contra o fim da escala, enquanto 3% não souberam responder. O apoio atual representa avanço significativo em relação à pesquisa anterior realizada pelo mesmo instituto em dezembro de 2024, quando 64% defendiam a mudança e 33% eram contrários.
O levantamento foi realizado entre 3 e 5 de março de 2026, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
O tema está atualmente em debate no Congresso Nacional e envolve diferentes propostas de redução da jornada de trabalho. Uma das ideias discutidas prevê substituir a escala 6×1 por um modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, mantendo a carga semanal em 40 horas sem redução salarial.
O governo federal também acompanha o debate. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a redução da jornada semanal como medida capaz de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, destacando que a mudança pode beneficiar especialmente as mulheres, que frequentemente acumulam emprego formal e trabalho doméstico.
A pesquisa mostra ainda diferenças importantes entre grupos sociais. Entre as mulheres, o apoio à mudança chega a 77%, enquanto entre os homens o índice é de 64%. Já entre pessoas que trabalham até cinco dias por semana, o apoio é maior, atingindo cerca de 76%. Entre aqueles que trabalham seis ou sete dias por semana, o índice cai para aproximadamente 68%.
Outro recorte relevante envolve a idade. O apoio ao fim da escala 6×1 é mais elevado entre jovens. Entre pessoas de até 40 anos, cerca de oito em cada dez defendem a redução da jornada, enquanto o apoio diminui entre faixas etárias mais altas.
O crescimento do apoio popular ocorre em um contexto de mobilização social e debates públicos sobre as condições de trabalho no Brasil. Movimentos como o Vida Além do Trabalho ganharam visibilidade nos últimos anos ao denunciar os impactos da jornada extensa na saúde física e mental dos trabalhadores e defender modelos alternativos de organização do trabalho.
A discussão também se conecta a tendências internacionais. Diversos países vêm testando modelos de redução da jornada semanal, incluindo experiências de semanas de trabalho mais curtas, com o objetivo de aumentar a produtividade, reduzir o estresse laboral e melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
No Brasil, o debate ainda enfrenta resistência de setores empresariais que temem impactos sobre custos e produtividade, especialmente em áreas como comércio e serviços que dependem de funcionamento contínuo. Mesmo assim, o crescimento do apoio popular ao fim da escala 6×1 indica que a questão tende a ganhar cada vez mais espaço no debate público e nas agendas políticas nos próximos anos.






