Após cinco anos, obras da usina de dessalinização são autorizadas em Fortaleza

Empreendimento de R$ 3,2 bilhões deverá ampliar a segurança hídrica da Região Metropolitana e abastecer cerca de 720 mil pessoas

Da Redação

Cinco anos após o início da elaboração do projeto, a usina de dessalinização da Praia do Futuro recebeu autorização para iniciar as obras em Fortaleza. A liberação ocorre após a conclusão das principais etapas de licenciamento ambiental e abre caminho para a implantação daquele que será um dos maiores empreendimentos de segurança hídrica do país.

O projeto é resultado de uma parceria entre a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e o consórcio Águas de Fortaleza. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 3,2 bilhões.

Quando entrar em operação, a usina terá capacidade para produzir até um metro cúbico de água por segundo, volume suficiente para abastecer cerca de 720 mil pessoas na Região Metropolitana de Fortaleza.

Projeto enfrentou impasses

O empreendimento passou por uma série de revisões desde que foi apresentado. Um dos principais desafios envolveu a localização da usina, inicialmente prevista para uma área próxima aos cabos submarinos de fibra óptica que chegam à Praia do Futuro.

Empresas de telecomunicações alertaram que a implantação no local poderia comprometer uma das principais infraestruturas digitais do Brasil, responsável pela conexão do país com a Europa, os Estados Unidos e a África.

Após negociações entre o Governo do Ceará, a União, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e as empresas do setor, foi definida uma nova área para a instalação da usina, eliminando os riscos para os cabos submarinos.

Segurança hídrica

A usina utilizará a tecnologia de osmose reversa para transformar água do mar em água potável. A expectativa é reduzir a dependência dos reservatórios superficiais e reforçar o abastecimento durante períodos de estiagem.

O empreendimento integra a estratégia do Ceará para ampliar a resiliência do sistema hídrico diante das mudanças climáticas e do crescimento da demanda por água na Região Metropolitana de Fortaleza.

Além da produção de água, o projeto prevê programas de monitoramento ambiental para acompanhar os efeitos da captação de água do mar e da devolução da salmoura ao oceano.

Infraestrutura estratégica

A autorização das obras ocorre no momento em que o Ceará também busca consolidar sua posição como polo nacional de data centers e de economia digital.

A solução encontrada para compatibilizar a usina com a infraestrutura de telecomunicações preservou um dos principais hubs de cabos submarinos da América Latina, considerado estratégico para a conectividade internacional do Brasil.

Com a autorização para o início das obras, o projeto entra em sua fase de implantação, encerrando um ciclo de cinco anos marcado por estudos técnicos, negociações institucionais e ajustes para conciliar segurança hídrica, proteção ambiental e infraestrutura digital.