Governo de Abelardo de la Espriella quer equipes de resgate apenas dos Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador e alega critérios técnicos para a escolha
Da Redação
O governo do presidente de ultradireita Abelardo de la Espriella decidiu restringir a quatro países a participação estrangeira nas operações de busca e resgate após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia: Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador. Todos são governados por administrações de direita e mantêm proximidade política com o novo presidente colombiano.
A escolha ganhou dimensão política porque outros países ofereceram ajuda à Colômbia, entre eles o Brasil, mas ficaram fora da relação de governos autorizados a enviar equipes especializadas para atuar diretamente nos resgates.
A justificativa oficial é técnica. David Tamayo, diretor da Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres da Colômbia (UNGRD), afirmou que serão aceitas equipes reconhecidas pelo sistema internacional de busca e salvamento. O governo colombiano nega que a orientação ideológica dos países tenha sido utilizada como critério.
A coincidência, porém, chama atenção: os quatro governos escolhidos estão politicamente alinhados à direita, enquanto países latino-americanos comandados por presidentes de esquerda, como o Brasil, ficaram fora da operação internacional de resgate definida por Bogotá.
Mais de 250 mortos
O terremoto atingiu a Colômbia na segunda-feira (10), com epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, no oeste do país.
O tremor de magnitude 7,4 foi sentido em várias regiões, incluindo Bogotá, Medellín, Cali, Pereira, Manizales e Quibdó. A região cafeeira está entre as áreas atingidas.
O número de mortos já ultrapassa 250, enquanto equipes continuam procurando desaparecidos entre imóveis e estruturas destruídas.
Nesse contexto, a definição sobre a entrada de especialistas estrangeiros tem efeito prático imediato. Em operações após grandes terremotos, as primeiras horas e dias são decisivos para localizar pessoas soterradas com vida.
Brasil ofereceu ajuda, mas ficou fora da lista
O Brasil manifestou solidariedade e colocou recursos à disposição da Colômbia após o terremoto. O Presidente Lula ofereceu assistência brasileira ao país vizinho.
A decisão colombiana não representa uma recusa a qualquer modalidade de ajuda humanitária oferecida pelo Brasil. A restrição anunciada até agora diz respeito às equipes estrangeiras que participarão diretamente das operações de busca e resgate.
Essa diferença é relevante. A assistência internacional em grandes desastres pode envolver medicamentos, alimentos, equipamentos, hospitais de campanha, logística e outras formas de apoio que não dependem da presença de equipes de salvamento no local.
O que Bogotá decidiu foi limitar a participação estrangeira nessa etapa dos resgates aos quatro países selecionados.
Governo nega filtro ideológico
Diante dos questionamentos sobre a composição da lista, o chanceler colombiano, Omar Bula Escobar, negou que a ideologia dos governos tenha orientado a decisão.
A administração de De la Espriella afirma que mantém relações diplomáticas com países de diferentes orientações políticas e sustenta que a seleção das equipes foi baseada em critérios operacionais e certificações internacionais.
A explicação oficial terá de conviver com uma característica objetiva da lista: Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador possuem governos ideologicamente próximos ao novo presidente colombiano.
De la Espriella acaba de assumir a Presidência
A decisão ocorre nos primeiros dias do novo governo colombiano. Abelardo de la Espriella assumiu a Presidência na semana passada após construir sua trajetória eleitoral como representante da ultradireita colombiana.
Sua chegada ao poder representa uma mudança profunda em relação ao governo anterior e aproxima Bogotá de administrações conservadoras do continente.
A resposta ao terremoto tornou-se, assim, uma das primeiras grandes crises enfrentadas pela nova gestão. Além da necessidade de atender milhares de pessoas atingidas, o governo precisa explicar por que restringiu a cooperação internacional justamente a países politicamente próximos.
Tragédia coloca critério sob escrutínio
A coincidência entre afinidade ideológica e seleção para os resgates não comprova que houve discriminação política. A afirmação de que o governo recusou países especificamente porque possuem presidentes de esquerda exigiria evidências que, até agora, não foram apresentadas.
O fato verificável é que a Colômbia escolheu apenas Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador para enviar equipes internacionais de busca e salvamento, enquanto o Brasil, apesar de ter oferecido assistência, não foi incluído.
Com mais de 250 mortes registradas e mais de 500 desaparecidos desaparecidos ainda sendo procurados, a questão central será verificar se a limitação imposta pelo governo colombiano atende às necessidades da operação. Em um desastre dessa dimensão, qualquer decisão sobre quem pode ajudar precisa ser explicada por critérios capazes de resistir ao escrutínio público, especialmente quando a seleção coincide tão claramente com as alianças políticas do presidente.
Quando Jair Bolsonaro recusou ajuda médica de Jandira Feghali
Um episódio semelhante ocorreu durante a campanha municipal de 2016. Flávio Bolsonaro passou mal durante um debate da Band entre candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro e precisou deixar o palco após quase desmaiar. A então deputada Jandira Feghali, que é médica e também participava do debate, ofereceu atendimento a Flávio. Jair Bolsonaro, pai do candidato, recusou a ajuda. Segundo Jandira, ele afirmou que o filho não precisava de seus cuidados. Flávio não retornou ao debate. Posteriormente, sua equipe informou que o mal-estar havia sido provocado por uma intoxicação alimentar.





