Transmissão especial reuniu José Genoíno, Thiago Ávila, Maria Flor, parlamentares e representantes de movimentos sociais em defesa da democracia, da soberania nacional e da participação popular
A Rádio e TV Atitude Popular realizou uma superlive especial do programa Eleições 2026 em debate para mobilizar o público na reta final do segundo turno. Com apresentação de Souza Júnior, diretor da emissora, Luís Regadas e Sara Gois, a transmissão reuniu lideranças políticas, representantes de movimentos sociais, comunicadores e convidados de diferentes regiões do país em uma programação dedicada à disputa eleitoral, à defesa da democracia e à participação popular.
Transmitida pelas redes sociais, a edição especial combinou entrevistas, comentários políticos, vídeos e manifestações de apoio à candidatura do Presidente Lula. Entre os participantes estiveram o ex-presidente nacional do PT José Genoíno, o ativista Thiago Ávila, a historiadora Maria Flor, o deputado estadual reeleito Messias do MST, o deputado estadual eleito Léo Suricate, a empresária e ex-eleitora de Jair Bolsonaro Juliana Vilmar, além de representantes de organizações ligadas à defesa dos serviços públicos e da comunicação democrática.
Ao longo da transmissão, os participantes defenderam a ampliação da mobilização nas ruas e nas redes sociais, destacaram a importância de conquistar votos na reta final e discutiram os efeitos da eleição sobre as políticas públicas, os direitos sociais e a posição do Brasil no cenário internacional. A superlive também deu espaço à divulgação de atos de campanha e à convocação dos espectadores para acompanhar as atividades previstas para os últimos dias antes da votação.
José Genoíno vê disputa decisiva para a democracia e a soberania
Na abertura das entrevistas, José Genoíno afirmou que o segundo turno colocava em jogo questões que ultrapassavam a escolha entre duas candidaturas. Para o ex-presidente do PT, a disputa envolvia a soberania nacional, os direitos sociais e o futuro da democracia brasileira.
“Essa é a eleição mais intensa, mais decisiva da nossa história política”, declarou Genoíno durante a conversa com Luís Regadas. Ele argumentou que o resultado teria consequências para a capacidade do país de construir um projeto próprio de desenvolvimento e de manter relações internacionais baseadas no diálogo e na autonomia.
O dirigente também destacou a necessidade de apresentar propostas para o futuro, além de defender as políticas implementadas nos governos anteriores do PT. Na avaliação dele, o Presidente Lula precisaria ampliar o diálogo com a sociedade e priorizar áreas como saúde, educação, segurança pública e crescimento econômico sustentável.
Genoíno demonstrou otimismo com a mobilização popular, mas alertou para o risco de a militância considerar a vitória garantida antes da apuração. “É fundamental a gente não entrar no ‘já ganhou’”, afirmou. Para ele, o trabalho de convencimento deveria continuar até o último voto, com atenção aos eleitores indecisos e às pessoas que ainda precisavam ser mobilizadas para comparecer às urnas.
O ex-presidente do PT comparou a disputa a uma batalha em que cada espaço precisaria ser conquistado. Também apontou as manifestações populares como uma das novidades do segundo turno, com a participação de jovens e de diferentes setores sociais nas ruas.
Thiago Ávila relaciona eleição brasileira à disputa internacional
O ativista Thiago Ávila participou da superlive e associou a eleição brasileira a uma disputa mais ampla sobre a autonomia dos países, a influência dos Estados Unidos e o papel das grandes plataformas digitais na política.
Em sua análise, Ávila afirmou que a mobilização observada no Brasil contrariava a expectativa de que o resultado do primeiro turno desestimulasse a participação popular. Ele destacou especialmente a presença da juventude nas manifestações e defendeu que a mobilização continuasse para ampliar a votação de Lula.
“O método tá aí. Foi com esse nível de mobilização que a gente tá demonstrando como se derrota o fascismo”, declarou. Para ele, a atuação nas ruas e nas redes sociais era parte de um processo político que deveria prosseguir depois da eleição, independentemente do resultado.
Ávila também criticou a influência das big techs sobre o debate público e afirmou que as plataformas digitais ganharam importância estratégica nas disputas eleitorais. Em sua avaliação, a defesa da democracia brasileira deveria estar vinculada à defesa da soberania nacional e à oposição a intervenções externas.
Genoíno concordou com a dimensão internacional apresentada pelo ativista e destacou a relação entre a eleição brasileira e os debates sobre o Sul Global. Para ele, uma vitória de Lula teria repercussões além das fronteiras nacionais, considerando o peso político e econômico do Brasil.
Ao encerrar sua participação, Ávila convocou os apoiadores a intensificarem o trabalho de convencimento. Ele também divulgou os atos finais da campanha, previstos para São Paulo e Rio de Janeiro, e reforçou a importância de manter a mobilização até o dia da votação.
Soberania nacional entra no centro do debate
A superlive também exibiu uma gravação do professor Manuel Domingos, pesquisador da área de defesa e segurança nacional. No vídeo, ele alertou para o cenário geopolítico e defendeu que a escolha eleitoral levasse em conta a autonomia do Brasil nas relações internacionais.
Domingos afirmou que o país precisava avaliar qual projeto político estaria mais comprometido com a negociação e com a busca de soluções diplomáticas. Em sua avaliação, o Brasil deveria evitar a submissão a interesses externos e contribuir para o diálogo internacional.
“Sem dúvida nenhuma, esse é o papel talhado para o Lula”, afirmou o professor, ao defender uma política externa voltada à negociação e à prevenção de conflitos.
A fala foi seguida por comentários de Souza Júnior, que relacionou o debate sobre soberania à atuação das plataformas digitais e à influência de grandes grupos econômicos na campanha. Durante a transmissão, os apresentadores também discutiram o alcance de publicações políticas nas redes e questionaram a distribuição de visibilidade entre candidaturas.
As críticas às plataformas foram apresentadas pelos participantes como parte de uma discussão mais ampla sobre a regulação da comunicação digital. O tema voltou a aparecer em diferentes momentos da programação, especialmente nas conversas sobre desinformação, conteúdo enganoso e os limites da atuação das empresas de tecnologia durante o período eleitoral.
Maria Flor aborda segurança pública, violência contra as mulheres e desigualdade
A historiadora Maria Flor participou de uma longa conversa sobre o cenário político, a segurança pública e o ambiente de mobilização no segundo turno. Durante a entrevista, ela criticou o que considera uma abordagem seletiva da violência no debate eleitoral, com destaque para a responsabilidade dos governos estaduais e para a cobertura da imprensa.
Ao comentar a situação de São Paulo, Flor afirmou que o discurso eleitoral sobre segurança pública deveria incluir a atuação das administrações estaduais e as condições que favorecem os crimes. Ela também criticou a cobertura midiática que, em sua avaliação, deixa em segundo plano problemas de segurança em estados governados por aliados da direita.
A historiadora relacionou o debate à violência contra as mulheres e ao discurso de setores da extrema direita. Para ela, a defesa da democracia também exige enfrentar manifestações de misoginia, racismo e intolerância política.
“O medo não paralisou ninguém, o medo deu coragem para as pessoas lutarem”, afirmou, ao comentar a mobilização de diferentes grupos sociais durante o segundo turno.
Flor citou a participação de estudantes, idosos, artistas e cidadãos que passaram a atuar publicamente na campanha. Também relatou o caso de uma mulher idosa que desejava votar apesar de enfrentar problemas de saúde, usando o episódio para ilustrar o compromisso de parte do eleitorado com a participação política.
Outro eixo de sua intervenção foi a transformação social no Nordeste. Com base em experiências familiares e em observações sobre mudanças nas condições de vida no interior, ela defendeu o reconhecimento das políticas públicas que ampliaram o acesso à eletricidade, à água, à moradia e à renda. Para Flor, as discussões sobre a região precisam considerar as mudanças ocorridas ao longo das últimas décadas e o papel das políticas sociais.
Parlamentares destacam políticas públicas e direitos sociais
A transmissão também abriu espaço para representantes de movimentos sociais e parlamentares do Ceará. O deputado estadual reeleito Messias, ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), defendeu a continuidade de políticas públicas voltadas à inclusão social, à educação e à garantia de direitos.
Messias afirmou que sua trajetória política está relacionada às oportunidades de formação e participação proporcionadas por políticas públicas. Ele citou a expansão de universidades e institutos federais, além de programas sociais que, segundo sua avaliação, contribuíram para melhorar as condições de vida de famílias de baixa renda.
“Todos nós aqui temos compromisso com o Brasil, temos compromisso com a democracia, mas temos mais do que isso: compromisso com direitos e defesa do povo brasileiro”, declarou.
O parlamentar também ressaltou a importância da mobilização popular para preservar conquistas sociais e defendeu que a participação política não se limite ao período eleitoral. Em sua fala, associou a defesa da candidatura de Lula à continuidade de políticas de combate à fome e de ampliação das oportunidades para trabalhadores e populações historicamente excluídas.
Léo Suricate, deputado estadual eleito e conhecido por seu trabalho nas redes sociais, também foi citado durante a transmissão como uma das figuras que contribuíram para mobilizar eleitores no Ceará. Sua atuação política e sua ligação com a cultura popular foram apresentadas como exemplos da presença de novas lideranças nos debates eleitorais.
Ao longo da conversa, os participantes destacaram a importância das manifestações realizadas em Fortaleza e em outras cidades cearenses. Os apresentadores relataram que um ato previsto para a Praça Portugal foi transferido para o cruzamento das avenidas Dom Luís e Virgílio Távora, na região da Aldeota. Segundo os relatos feitos durante a live, a mudança não impediu a presença de uma multidão. A estimativa de público mencionada na transmissão chegou a centenas de milhares de pessoas, sem apresentação de uma contagem independente que confirmasse esse número.
Ex-eleitora de Bolsonaro relata mudança de posição política
Um dos momentos da programação foi a entrevista com Juliana Vilmar, apresentada como empresária e ex-eleitora de Jair Bolsonaro. Ela relatou que sua aproximação com o bolsonarismo começou durante a campanha de 2018, em um ambiente de intensa circulação de mensagens políticas nas redes sociais.
Juliana contou que passou a rever suas posições ao acompanhar o governo Bolsonaro e ao entrar em contato com argumentos que questionavam aspectos do movimento político. A entrevista procurou compreender como uma pessoa que já havia apoiado a direita passou a considerar outra perspectiva política.
Durante a conversa, ela reconheceu que a circulação de conteúdos nas redes sociais teve influência em sua trajetória. Também explicou que, no período em que apoiava Bolsonaro, tinha dificuldade para considerar informações que contrariavam as convicções do grupo político com o qual se identificava.
O sindicalista Valmir Ribeiro, coordenador de um comitê ligado à defesa das empresas estatais, participou do diálogo e destacou a importância do emprego, da renda e dos serviços públicos para a vida dos trabalhadores. Ele argumentou que o crescimento da renda também beneficia pequenos empreendedores, ao ampliar o poder de compra da população.
Juliana concordou que melhores condições econômicas podem favorecer os negócios e a prestação de serviços. A conversa apontou, assim, para a necessidade de discutir os efeitos concretos das políticas econômicas sobre a vida cotidiana, em vez de limitar o debate à identificação partidária.
Exército do Lula e redes sociais no esforço de mobilização
A superlive dedicou parte importante da programação à mobilização digital em torno do chamado Exército do Lula, iniciativa de engajamento político mencionada pelos apresentadores e participantes. A transmissão incentivou o público a compartilhar conteúdos, convidar outras pessoas para acompanhar o canal e participar das atividades de campanha.
Durante a live, os apresentadores mencionaram a expectativa de que a iniciativa alcançasse milhões de participantes e destacaram a realização de uma transmissão de 24 horas após o debate eleitoral previsto para aquela noite. A proposta foi apresentada como uma forma de manter a militância ativa na reta final da campanha.
O debate sobre a atuação das plataformas digitais ganhou força quando os participantes comentaram decisões da Justiça Eleitoral e questionaram a dependência de regras privadas das empresas de tecnologia para avaliar conteúdos políticos. As críticas foram acompanhadas de defesas da regulação das redes sociais, com o argumento de que mecanismos de transparência e responsabilização poderiam enfrentar conteúdos enganosos sem impedir o debate político legítimo.
Os participantes também discutiram a necessidade de distinguir críticas e opiniões políticas de conteúdos que possam induzir o público ao erro. A regulação da comunicação digital foi tratada como uma questão central para a democracia, em especial diante do poder das plataformas de distribuir conteúdos e ampliar o alcance de determinadas mensagens.
Investigação sobre apostas é tema de vídeo exibido na live
Outro assunto abordado foi a circulação de informações sobre uma investigação da Polícia Federal envolvendo possíveis vínculos empresariais de Flávio Bolsonaro com o setor de apostas. Durante a transmissão, foi exibido um vídeo que apresentava alegações sobre empresas, contas bancárias, estruturas societárias e viagens.
Segundo o conteúdo apresentado no vídeo, investigadores teriam identificado indícios que justificariam apurar uma possível participação indireta ou oculta de Flávio Bolsonaro em uma empresa de apostas. A gravação também mencionou o advogado Willer Tomaz e empresas registradas no exterior.
A transmissão tratou as informações como parte do debate eleitoral, mas as alegações apresentadas não foram acompanhadas, no trecho disponibilizado, de documentos completos ou de uma resposta do senador sobre os pontos citados. Por isso, os possíveis vínculos empresariais devem ser compreendidos como questões investigadas, e não como fatos definitivamente comprovados.
Os participantes também discutiram a regulamentação das apostas esportivas e a responsabilidade de diferentes governos pela legislação do setor. O tema foi associado aos efeitos econômicos e sociais das plataformas de apostas, que ganharam espaço no debate público e eleitoral.
Defesa da comunicação independente
A valorização da mídia alternativa foi outro tema recorrente. Souza Júnior destacou o papel da Rádio e TV Atitude Popular na cobertura política e defendeu maior reconhecimento para os veículos independentes e progressistas.
Durante a conversa, ele citou a retransmissão de uma entrevista do Presidente Lula pelo canal e afirmou que a audiência alcançada demonstrava o potencial de distribuição da comunicação alternativa. O apresentador defendeu que esses veículos tenham condições de ampliar sua produção e alcançar novos públicos.
Os participantes também abordaram a democratização da comunicação e a necessidade de diversificar as fontes de informação disponíveis à população. A discussão relacionou a concentração dos meios de comunicação ao poder econômico e à capacidade de definir quais temas ganham destaque no debate público.
A programação reforçou o convite para que os espectadores se inscrevessem no canal da Atitude Popular, compartilhassem a transmissão e acompanhassem os programas da emissora. A meta de chegar a 100 mil inscritos foi mencionada várias vezes pelos apresentadores, que também agradeceram a participação da audiência pelo chat.
Mobilização até o dia da votação
Ao longo das horas de transmissão, a superlive alternou entrevistas, vídeos, comentários e mensagens de apoiadores. A participação do público pelo chat ajudou a manter a interação com os apresentadores, que leram manifestações de espectadores e estimularam o compartilhamento do conteúdo.
O programa também divulgou atos de campanha previstos para a reta final do segundo turno, incluindo mobilizações em Fortaleza e em outras capitais. Os convidados defenderam que o esforço de convencimento prosseguisse até a votação, com atenção aos eleitores indecisos e às pessoas que poderiam enfrentar dificuldades para chegar às urnas.
A mensagem central da edição foi a necessidade de manter a participação política para além das redes sociais, combinando comunicação digital, diálogo direto e presença nas ruas. Para os convidados, a disputa eleitoral envolvia não apenas a escolha de um candidato, mas também o futuro das políticas públicas, dos direitos sociais e da autonomia brasileira.
Com a superlive, a Atitude Popular reuniu diferentes vozes do campo progressista em uma transmissão voltada à mobilização eleitoral e ao debate sobre os rumos do país. A programação encerrou-se com agradecimentos à equipe, aos convidados e à audiência, além de novos chamados para acompanhar o canal e participar das atividades políticas previstas para os últimos dias da campanha.





