AtlasIntel: Flávio Bolsonaro tem a maior rejeição, Lula aparece praticamente empatado e Cury registra o menor índice

Da Redação

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira mostra Flávio Bolsonaro com 52,7% de rejeição, o maior percentual entre os candidatos medidos, seguido muito de perto pelo presidente Lula, com 52%. Renan Santos aparece com 43,1%. Na outra ponta, Augusto Cury registra apenas 18,5% de rejeição, dado que ganha relevância justamente no momento em que o escritor cresce nas pesquisas de intenção de voto. O levantamento ouviu 5.014 eleitores e tem margem de erro de um ponto percentual.

A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ajuda a revelar uma dimensão da eleição que não aparece quando se observa apenas quem está na frente na intenção de voto. O levantamento divulgado nesta segunda-feira mostra que os dois principais candidatos à Presidência também concentram os maiores índices de rejeição do eleitorado. Flávio Bolsonaro aparece numericamente na primeira posição, rejeitado por 52,7% dos entrevistados, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva registra 52%. Considerando a margem de erro de um ponto percentual, os dois estão tecnicamente no mesmo patamar de rejeição.

A diferença entre eles é de apenas 0,7 ponto percentual. Por isso, embora Flávio possua numericamente o maior índice, seria incorreto interpretar a pesquisa como demonstração de uma distância consolidada entre os dois. O dado politicamente mais relevante é outro: mais da metade dos entrevistados rejeita cada um dos dois candidatos que hoje lideram a corrida presidencial.

A situação se torna ainda mais interessante quando comparada à pesquisa anterior da AtlasIntel. Flávio tinha rejeição ligeiramente maior e agora oscilou 0,2 ponto para baixo. Lula, ao contrário, registrou crescimento de 2,6 pontos percentuais na rejeição em um mês. Com isso, os dois praticamente convergiram para o mesmo patamar.

Atrás deles aparece Renan Santos, do Missão, com 43,1% de rejeição. Romeu Zema registra 33,9%, Ronaldo Caiado aparece com 28,5% e Augusto Cury tem 18,5%.

É justamente o número de Cury que acrescenta uma variável importante à fotografia eleitoral desta segunda-feira.

O escritor está crescendo simultaneamente em dois levantamentos nacionais divulgados hoje. Na AtlasIntel/Bloomberg, passou de 1,6% para 7,8% das intenções de voto e aparece numericamente na terceira posição, praticamente empatado com Renan Santos, que registra 7,6%. Na pesquisa BTG/Nexus, o movimento é ainda mais acentuado: Cury alcança 11% e assume isoladamente o terceiro lugar.

O fato de apresentar apenas 18,5% de rejeição não significa, por si só, que Cury conseguirá transformar esse espaço potencial em votos. Candidatos menos conhecidos normalmente podem apresentar rejeição menor justamente porque uma parcela maior do eleitorado ainda não desenvolveu uma opinião suficientemente consolidada sobre eles. À medida que aumenta a exposição pública, tanto a intenção de voto quanto a rejeição podem mudar.

Mas a combinação entre crescimento eleitoral e baixa rejeição passa inevitavelmente a ser observada durante a campanha.

Até poucas semanas atrás, Cury aparecia em percentuais muito baixos. Agora dois institutos diferentes detectam avanço expressivo de sua candidatura. Na Atlas, ele cresceu 6,2 pontos em relação à rodada anterior, enquanto Lula e Flávio recuaram.

Lula lidera o primeiro turno e abre vantagem sobre Flávio

Os dados de rejeição precisam ser lidos ao lado da intenção de voto.

Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, Lula aparece com 43,4% no primeiro turno. Flávio Bolsonaro tem 33,7%, uma diferença de 9,7 pontos percentuais. Augusto Cury registra 7,8% e Renan Santos, 7,6%; pela margem de erro, os dois estão tecnicamente empatados. Ronaldo Caiado aparece com 3,3%, Pablo Marçal com 1,9%, Romeu Zema com 1% e Samara Martins com 0,9%.

Em comparação com julho, os dois líderes perderam terreno. Lula passou de 44,9% para 43,4%, enquanto Flávio caiu de 35,8% para 33,7%. O movimento mais expressivo foi justamente o de Cury, que saiu de 1,6% para 7,8%.

A pesquisa revela, portanto, uma configuração que merece atenção: os dois candidatos que concentram a maior parte das intenções de voto são também os dois mais rejeitados.

Isso ajuda a compreender por que o segundo turno permanece competitivo, apesar da vantagem de Lula no primeiro.

Quando a AtlasIntel pergunta aos eleitores sobre um confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 47,1%, contra 42,6% do senador. Brancos, nulos e indecisos somam 10,3%. A diferença é de 4,5 pontos, superior à margem de erro do levantamento.

O contraste com a pesquisa BTG/Nexus, também divulgada nesta segunda-feira, é relevante. Nela, Lula aparece com 46% e Flávio com 45% no segundo turno, caracterizando empate técnico. Os dois levantamentos, portanto, apresentam fotografias diferentes da distância entre os candidatos, embora ambos coloquem Lula numericamente à frente.

Essa diferença entre pesquisas não constitui necessariamente uma contradição. Institutos utilizam métodos de coleta, ponderação e modelagem distintos. A AtlasIntel ouviu 5.014 pessoas por recrutamento digital, enquanto o BTG/Nexus utilizou entrevistas telefônicas com 2.005 eleitores. O mais adequado é observar tendências em séries de cada instituto e acompanhar se movimentos semelhantes aparecem em pesquisas independentes.

Rejeição elevada impõe limites aos dois líderes

A rejeição acima de 50% cria um desafio evidente tanto para Flávio quanto para Lula porque uma eleição presidencial não depende somente da capacidade de mobilizar uma base fiel. No segundo turno, o candidato precisa conquistar eleitores que escolheram outros nomes, convencer indecisos e, em muitos casos, obter o voto de pessoas que não necessariamente o apoiam, mas rejeitam mais seu adversário.

A Atlas produziu outro indicador que mostra como essa disputa negativa está presente.

Questionados sobre qual resultado eleitoral causaria maior preocupação, 46,4% disseram temer mais a reeleição de Lula, enquanto 45,5% apontaram uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro. Outros 7,9% disseram que ambos os resultados os preocupam igualmente e 0,2% não souberam responder.

Esse resultado é particularmente interessante porque não reproduz exatamente o ranking de rejeição. Flávio possui rejeição numericamente maior, mas uma parcela ligeiramente superior afirma preocupar-se mais com a reeleição de Lula. Mais uma vez, a diferença é pequena e não deve ser transformada artificialmente numa vantagem política sólida para qualquer um dos lados.

O que os dois indicadores mostram conjuntamente é um eleitorado bastante dividido em relação aos principais candidatos.

A polarização também aparece nos recortes sociais da intenção de voto. Entre os evangélicos, por exemplo, a AtlasIntel registra 51,7% para Flávio Bolsonaro e 19,9% para Lula. Entre os católicos ocorre o movimento inverso: Lula tem 54,3% e Flávio, 30,3%. Entre pessoas de outras religiões, Lula alcança 65,2%, e entre agnósticos e ateus chega a 66,4%.

Há diferenças importantes também por idade. Lula possui sua maior vantagem entre os eleitores com 60 anos ou mais, com 63,9%, contra 27,7% de Flávio. Já entre os jovens de 16 a 24 anos, a corrida é completamente diferente: Flávio aparece com 30,1%, Renan Santos com 27,1%, Lula com 17,2% e Cury com 12,1%.

Esses cruzamentos ajudam a mostrar por que a rejeição nacional, isoladamente, não determina o resultado da eleição. Os candidatos possuem bases sociais, religiosas, regionais e geracionais bastante distintas, e a capacidade de ampliar essas bases durante a campanha será tão importante quanto reduzir a resistência existente fora delas.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 5.014 eleitores em todo o país entre 25 e 30 de agosto. O levantamento foi realizado por recrutamento digital durante a navegação na internet, tem margem de erro de um ponto percentual, nível de confiança de 95% e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07972/2026.

A fotografia que emerge nesta segunda-feira é complexa. Lula lidera o primeiro turno e aparece à frente de Flávio nas simulações de segundo turno da AtlasIntel. Flávio, entretanto, mantém uma base eleitoral expressiva e permanece competitivo. Ao mesmo tempo, ambos carregam rejeições superiores a 50%.

E abaixo dos dois líderes surge uma novidade que começa a aparecer em mais de um instituto: Augusto Cury cresce enquanto mantém, por enquanto, uma rejeição muito inferior à dos principais adversários.

A eleição continua concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro, mas os números desta segunda-feira mostram que a disputa não será definida apenas por quem consegue reunir mais apoio — também dependerá de quem consegue reduzir a resistência que provoca fora de sua própria base. Nesse terreno, a AtlasIntel coloca Flávio e Lula diante de dificuldades muito semelhantes, enquanto a evolução da rejeição dos candidatos que começam a crescer passa a ser um indicador fundamental para as próximas rodadas.