Da Redação
Promovia-se um mar humano, veio um filete: Bolsonaro foi à Copacabana com a promessa de um milhão, mas encontrou menos de 10 mil — com dose extra de ironia dos próprios aliadores.
Na manhã deste domingo, 3 de agosto de 2025, Copacabana foi palco de mais um ato bolsonarista que prometia ser histórico, mas terminou como mais um fracasso retumbante. Convocado como um “grande ato pela liberdade” e pela “democracia”, com expectativa de reunir 1 milhão de pessoas, o evento mal conseguiu juntar cerca de 10 mil manifestantes — número similar ao fiasco registrado em março deste ano.
O roteiro foi o de sempre: Flávio Bolsonaro gravou vídeos chamando a militância, Silas Malafaia prometeu mobilização em massa e os influenciadores bolsonaristas inflaram as redes sociais com slogans de guerra cultural. Mas, na hora da foto, o que se viu foi um calçadão com clareiras evidentes, um público modesto e uma energia visivelmente apática.
Os drones mostraram o constrangimento aéreo que a retórica não conseguiu encobrir. A imagem era de um ato menor do que muitos comícios de vereadores em campanha, mas que tentava se vender como “clamor popular”. A velha tática de transmitir ao vivo apenas ângulos fechados e retardar a entrada no ar para evitar mostrar a dispersão do público também foi aplicada. Mas nem isso impediu que a expressão “flopou” ganhasse tração, usada até por aliados que começaram a questionar a eficácia das “micaretas de trio elétrico”.
Bolsonaro, por sua vez, tentou desviar da realidade ao afirmar que “a imprensa quer dizer que flopou, mas Copacabana está lotada”. A frase, no entanto, não resistiu às imagens: até mesmo os bolsonaristas mais fiéis nas redes sociais tiveram dificuldade em sustentar a farsa.
O evento também evidenciou o esvaziamento da base mobilizadora do ex-presidente. Em 2022, atos similares no Rio de Janeiro reuniam mais de 60 mil pessoas. Em 2024, caíram para pouco mais de 30 mil. Agora, em pleno 2025, a presença física não chegou a 10 mil — uma queda vertical que revela não apenas desgaste, mas também um isolamento político cada vez mais evidente.
O fiasco de hoje foi agravado pela tentativa de transformar o ato em uma “foto de impacto” internacional. O plano era mostrar ao mundo que Bolsonaro é “perseguido pelo sistema”, contando com imagens grandiosas para alimentar a retórica da vítima. No entanto, o que se produziu foi o oposto: um retrato de fragilidade, desorganização e de um movimento que já não mobiliza nem a própria bolha.
O tom irônico dominou as redes sociais, com internautas lembrando que o bolsonarismo consegue lotar mais facilmente um grupo de WhatsApp do que uma praia de Copacabana. Parlamentares progressistas não perderam a oportunidade de fazer trocadilhos, dizendo que “prometeram o tsunami, entregaram uma poça”.
Se o objetivo era demonstrar força popular, o ato deste domingo cravou mais um capítulo de um protagonismo decadente. As ruas, que já foram vitrines do bolsonarismo, hoje servem de espelho para um projeto político que insiste em sobreviver a partir de sua própria fantasia.
Enquanto isso, a sensação nos bastidores é que Bolsonaro vai tentar novos atos em outras cidades. Mas a cada flop, a narrativa do “líder do povo” vai desbotando, abrindo espaço para a pergunta que ninguém no núcleo duro quer responder: até quando o bolsonarismo vai insistir em mobilizações que revelam, mais do que tudo, sua própria irrelevância?
O calçadão de Copacabana, outrora palco de grandes manifestações, hoje apenas devolveu a imagem de um bolsonarismo murcho, que aposta em fantasias enquanto a realidade segue implacável.


