Ministro afirma que Presidente Lula determinou mobilização política e social para destravar proposta parada no Senado e evitar adiamento da votação para depois do pleito
Da Redação
O ministro Guilherme Boulos afirmou que o governo do Presidente Lula vai intensificar a pressão para que o Senado vote o projeto que acaba com a escala de trabalho 6×1 antes das eleições de outubro. A declaração foi dada em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247.
Segundo Boulos, o governo organizará, na próxima semana, uma reunião com dirigentes de movimentos sociais, centrais sindicais e lideranças populares para discutir estratégias de mobilização em defesa da proposta. O objetivo é ampliar a pressão sobre o Congresso para que a matéria seja pautada logo após o recesso parlamentar, a partir de 10 de agosto.
“O nosso entendimento é que precisa, e o governo insistirá em trabalhar para que seja pautado antes da eleição”, afirmou o ministro.
Boulos classificou como “inexplicável” o fato de a proposta permanecer parada no Senado e acusou setores da oposição de apostar no adiamento da votação.
“Se isso for para depois da eleição vai prosperar a tática do Valdemar Costa Neto, que é empurrar com a barriga até depois da eleição”, disse.
Na avaliação do ministro, o adiamento permitiria que parlamentares contrários ao projeto votassem sem sofrer desgaste eleitoral. Ele também criticou propostas alternativas que, segundo ele, desfigurariam a mudança, como uma transição de vários anos ou iniciativas que compensariam empresas sem garantir a redução efetiva da jornada.
Durante a entrevista, Boulos destacou que o fim da escala 6×1 nasceu de uma mobilização popular organizada pelo movimento VAT (Vida Além do Trabalho), liderado por Rick Azevedo. Segundo ele, a deputada Erika Hilton transformou a reivindicação em proposta legislativa e, posteriormente, o Presidente Lula incorporou a pauta à agenda do governo.
O ministro também ressaltou que Lula já fez pronunciamentos em defesa da redução da jornada de trabalho e enviou ao Congresso um projeto em regime de urgência sobre o tema.
Ao comparar o debate brasileiro com mudanças recentes na legislação trabalhista da Argentina, Boulos afirmou que, enquanto o governo de Javier Milei ampliou a jornada diária para até 12 horas em determinadas situações, o governo brasileiro defende reduzir a jornada semanal para 40 horas, com o fim da escala 6×1.






