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Brasil cria 112,3 mil empregos formais em janeiro

Da Redação

Dados do Caged mostram abertura de vagas no início de 2026, com indústria e construção liderando contratações, enquanto comércio recua após efeito sazonal do fim de ano.

O Brasil iniciou 2026 com saldo positivo na geração de empregos formais. Em janeiro, foram criadas 112,3 mil vagas com carteira assinada, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado confirma a continuidade da expansão do mercado formal, ainda que em ritmo mais moderado em relação ao ano anterior.

O saldo positivo é resultado de aproximadamente 2,2 milhões de admissões contra cerca de 2,09 milhões de desligamentos no período, elevando o total de vínculos formais no país para cerca de 48,5 milhões de trabalhadores.

Apesar do desempenho positivo, os dados revelam uma desaceleração em comparação com janeiro de 2025, quando o país havia criado cerca de 154 mil empregos formais. A queda de aproximadamente 27% indica um arrefecimento no ritmo de geração de vagas, ainda que o mercado de trabalho permaneça aquecido.

Indústria e construção puxam crescimento

A geração de empregos em janeiro foi liderada pela indústria, que abriu cerca de 54 mil vagas, seguida de perto pela construção civil, com mais de 50 mil novos postos. O setor de serviços também apresentou desempenho positivo, com mais de 40 mil vagas, enquanto a agropecuária contribuiu com cerca de 23 mil empregos.

O único setor com resultado negativo foi o comércio, que fechou aproximadamente 56 mil vagas. Esse movimento é considerado típico do período, refletindo o encerramento de contratos temporários realizados durante as festas de fim de ano.

Distribuição regional e perfil das vagas

Os dados mostram que a geração de empregos foi relativamente disseminada pelo território nacional. A maioria dos estados apresentou saldo positivo, com destaque para Santa Catarina, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, que lideraram a abertura de vagas no mês.

Outro dado relevante é o perfil das contratações. Jovens de até 24 anos concentraram a maior parte das novas vagas, enquanto trabalhadores com ensino médio completo foram os mais demandados.

Salário médio e qualidade do emprego

O salário médio de admissão em janeiro ficou na faixa de R$ 2,3 mil a R$ 2,4 mil, com crescimento real em relação ao mês anterior. O aumento indica alguma melhora na remuneração inicial dos trabalhadores, ainda que em patamar moderado.

Esse dado reforça uma tendência observada nos últimos anos: a formalização do emprego cresce, mas ainda enfrenta desafios estruturais relacionados à qualidade das vagas e ao nível de renda.

Desaceleração e contexto econômico

O resultado de janeiro deve ser interpretado dentro de um contexto mais amplo. A economia brasileira segue em crescimento, como mostram os dados recentes do PIB, mas apresenta perda de fôlego em alguns indicadores.

A desaceleração na criação de empregos formais reflete fatores como:

  • juros ainda elevados
  • ritmo moderado de investimentos
  • menor dinamismo do consumo

Ao mesmo tempo, o saldo positivo indica que o mercado de trabalho permanece resiliente, sustentado por setores como indústria e construção.

Tendência para 2026

No acumulado de 12 meses, o Brasil gerou mais de 1,2 milhão de empregos formais, reforçando uma trajetória de expansão contínua do emprego com carteira assinada.

Para 2026, a tendência dependerá de variáveis centrais:

  • redução dos juros
  • desempenho do crescimento econômico
  • cenário internacional

Caso haja melhora no ambiente macroeconômico, especialmente com estímulo ao crédito e ao investimento, a geração de empregos pode ganhar novo impulso ao longo do ano.

Um mercado de trabalho em transição

O dado de janeiro revela um mercado de trabalho em transição. Há crescimento e formalização, mas com sinais claros de moderação no ritmo.

Isso indica que o Brasil entra em uma nova fase econômica: menos marcada por recuperação acelerada e mais por uma disputa por crescimento sustentável.

O desafio, agora, não é apenas criar empregos, mas melhorar sua qualidade, aumentar salários e reduzir desigualdades estruturais — elementos centrais para consolidar um desenvolvimento econômico mais robusto e socialmente equilibrado.