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Brasil volta a sediar conferência mundial sobre moedas sociais e inovação monetária

RAMICS Rio 2026 reunirá pesquisadores, gestores públicos e experiências comunitárias de diversos países para discutir o futuro das moedas sociais, da economia solidária e do desenvolvimento territorial

Da Redação

O Rio de Janeiro será palco, entre os dias 8 e 12 de junho de 2026, de um dos mais importantes encontros internacionais dedicados ao estudo das moedas sociais, das moedas complementares e das inovações monetárias voltadas ao desenvolvimento local. A 8ª Conferência Internacional da RAMICS acontecerá na Fundação Getulio Vargas (FGV), em Botafogo, reunindo pesquisadores, gestores públicos, representantes de bancos comunitários, movimentos sociais e organizações da economia solidária de diversos países.

As informações foram divulgadas pela organização do evento, coordenado por pesquisadores da UFRJ, FGV, UFF, IFRJ e UFBA. O encontro marca o retorno da conferência ao Brasil onze anos após a edição realizada em Salvador, em 2015.

A RAMICS, sigla para Research Association on Monetary Innovation and Community and Complementary Currency Systems, é uma rede internacional de pesquisa dedicada ao estudo das diferentes formas de organização monetária que surgem fora dos sistemas financeiros tradicionais. Desde 2011, a associação promove conferências bienais que já passaram por Lyon, na França; Haia, nos Países Baixos; Salvador; Barcelona, na Espanha; Hida-Takayama, no Japão; Sófia, na Bulgária; e Roma, na Itália.

A edição de 2026 terá como tema “Pluralidade das moedas sociais: economia solidária, moedas municipais e comunitárias para futuros inclusivos e sustentáveis”, refletindo o crescente interesse internacional por experiências que buscam fortalecer economias locais, ampliar a inclusão financeira e construir alternativas aos modelos convencionais de circulação monetária.

O retorno da conferência ao Brasil ocorre em um contexto particularmente significativo. Nas últimas décadas, o país tornou-se uma referência mundial no campo das moedas sociais graças ao surgimento dos bancos comunitários de desenvolvimento. O caso mais conhecido é o do Banco Palmas, criado no Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, cuja experiência inspirou centenas de iniciativas semelhantes em diferentes regiões brasileiras e passou a ser estudada por universidades e organismos internacionais.

Mais recentemente, experiências municipais como a moeda social Mumbuca, em Maricá, ampliaram o debate sobre o papel das moedas complementares como instrumentos de políticas públicas. Associada a programas de transferência de renda e estímulo ao comércio local, a experiência fluminense tornou-se um dos exemplos mais citados em estudos internacionais sobre inovação monetária e desenvolvimento territorial.

O crescimento dessas iniciativas ajudou a consolidar um campo de pesquisa cada vez mais robusto no Brasil. Economistas, sociólogos, cientistas políticos, administradores públicos e especialistas em tecnologia passaram a investigar os impactos das moedas sociais sobre geração de renda, fortalecimento dos pequenos negócios, inclusão financeira, governança local e participação cidadã.

A conferência pretende reunir justamente essa diversidade de perspectivas. Durante os três primeiros dias do evento, pesquisadores de diversos países apresentarão trabalhos acadêmicos, resultados de pesquisas e relatos de experiências práticas. As atividades incluirão palestras internacionais, mesas de debate, sessões temáticas e plenárias voltadas à troca de conhecimentos entre universidades, gestores públicos e organizações comunitárias.

Nos dias finais do encontro, os participantes realizarão visitas técnicas a experiências concretas de bancos comunitários e moedas sociais em funcionamento no estado do Rio de Janeiro, permitindo contato direto com iniciativas que articulam desenvolvimento econômico, participação social e inovação financeira.

Os debates estarão organizados em torno de seis grandes áreas temáticas: digitalização e tecnologias, territórios e participação social, políticas públicas e relações com governos, meio ambiente e sustentabilidade, história e teoria monetária, além de temas emergentes relacionados às novas formas de inovação monetária.

Entre os assuntos previstos estão moedas digitais comunitárias, blockchain, soberania digital, inclusão financeira, governança monetária, renda básica, economia solidária, transição ecológica, desenvolvimento territorial, agroecologia e modelos de moedas municipais. A proposta é analisar como essas ferramentas podem contribuir para enfrentar desafios contemporâneos como desigualdade social, concentração econômica e vulnerabilidade dos territórios.

Outro aspecto que reforça a importância do encontro é a articulação entre pesquisa acadêmica e experiências concretas. Diferentemente de muitos congressos especializados, a RAMICS busca reunir pesquisadores e praticantes, aproximando universidades, gestores públicos e comunidades que desenvolvem sistemas monetários alternativos em diferentes partes do mundo.

Para o Brasil, a realização da conferência representa também uma oportunidade de apresentar ao público internacional o acúmulo construído por bancos comunitários, redes de economia solidária e experiências municipais que vêm transformando o debate sobre desenvolvimento local. Em um momento marcado pela digitalização acelerada dos meios de pagamento e pela crescente concentração dos sistemas financeiros globais, as moedas sociais aparecem como uma das experiências mais inovadoras para fortalecer a circulação da riqueza dentro dos próprios territórios.

O tema será discutido na edição desta segunda-feira, 1º de junho, do programa Bancos da Democracia, que abordará a realização da RAMICS Rio 2026 e o estado atual das pesquisas brasileiras sobre moedas sociais, reunindo especialistas envolvidos com o tema.

Serviço

RAMICS Rio 2026

Data: 8 a 12 de junho de 2026
Local: Fundação Getulio Vargas (FGV)
Praia de Botafogo, 190
Botafogo, Rio de Janeiro (RJ)
Tema: Pluralidade das moedas sociais: economia solidária, moedas municipais e comunitárias para futuros inclusivos e sustentáveis

Programação

Entre os dias 8 e 10 de junho ocorrerão palestras internacionais, sessões científicas, apresentação de pesquisas, relatos de experiências e plenárias.
Nos dias 11 e 12 de junho estão previstas visitas técnicas a bancos comunitários e experiências de moedas sociais.

Participação online

A conferência contará com participação remota, mas o acesso às atividades online será exclusivo para pessoas inscritas no evento. As inscrições garantem acesso às sessões científicas, apresentações de pesquisas e demais atividades da programação.

Informações e inscrições

Portal da conferência: https://ramics.cos.ufrj.br/
Inscrições: https://ramics2026.sciencesconf.org/
Contato: ramics2026@gmail.com

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