Em entrevista ao programa Democracia no Ar, dirigente do PT e professor universitário detalha a Jornada sobre Migração em Fortaleza e relaciona ofensiva antimigratória de Donald Trump à violação de direitos e à luta pela soberania dos povos
A defesa dos direitos de migrantes e refugiados ganha destaque em Fortaleza com a realização da Jornada sobre Migração, que acontece no próximo sábado, 14 de março. A iniciativa foi apresentada pelo dirigente do PT e professor universitário Eudes Baima durante entrevista ao programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular, que debateu o contexto político internacional e a necessidade de fortalecer a solidariedade aos trabalhadores migrantes.
A conversa, conduzida no Democracia no Ar, abordou a preparação do encontro na capital cearense e os impactos da escalada de políticas antimigratórias, especialmente nos Estados Unidos. Baima explicou que a jornada local faz parte de um movimento mais amplo, de caráter continental, que reúne organizações sociais, sindicatos, pesquisadores e lideranças políticas em defesa da dignidade humana e dos direitos dos migrantes.
Segundo ele, a origem imediata da mobilização remonta a uma conferência realizada em 28 de setembro do ano passado na Cidade do México, que reuniu representantes de diversos países para discutir a questão migratória e a soberania dos povos. O encontro ocorreu em resposta ao aumento da perseguição a trabalhadores migrantes nos Estados Unidos.
“De fato, o gatilho para essa conferência se reunir foram os ataques contra os trabalhadores migrantes nos Estados Unidos, que já existiam antes, mas que recrudeceram desde a posse de Donald Trump”, afirmou.
Baima destacou que a repressão institucional contra migrantes ganhou novos contornos com a atuação do ICE, órgão responsável pela fiscalização migratória nos Estados Unidos. Na avaliação do professor, a instituição passou a operar como uma polícia política voltada à perseguição de trabalhadores estrangeiros.
“Tomou essa dimensão de uma polícia política, de uma polícia de tipo nazista, uma gestapo do Trump”, declarou.
Ao discutir a questão migratória em termos históricos, Baima ressaltou que o deslocamento de populações sempre fez parte da formação da humanidade. Para ele, tratar migrantes como ameaça representa uma ruptura com princípios fundamentais de direitos humanos.
“A migração é um elemento constitutivo da formação da espécie humana”, explicou. Em seguida, sintetizou: “O direito a migrar é por excelência um direito humano. Cassar o direito a migrar é um ataque aos direitos humanos.”
Durante a entrevista, o dirigente também chamou atenção para o componente racial presente nas políticas migratórias norte-americanas. Embora a repressão atinja diversos grupos, trabalhadores latinos e africanos figuram entre os principais alvos da perseguição.
Segundo Baima, esse discurso ecoa narrativas utilizadas historicamente por regimes autoritários para justificar políticas xenófobas. Ele citou como exemplo a ideia de que estrangeiros “roubam empregos” ou “trazem criminalidade”, argumento que, na sua avaliação, tem sido usado para legitimar políticas repressivas.
Para o professor, a questão migratória não pode ser compreendida isoladamente. Ele argumenta que as migrações contemporâneas estão diretamente ligadas a processos de desigualdade econômica, guerras e intervenções internacionais.
“A principal razão para a migração no mundo contemporâneo é a política de subordinação, de violação de soberania, de destruição de direitos e de propagação das guerras que o imperialismo pratica no mundo inteiro”, disse.
Nesse sentido, Baima apontou uma contradição estrutural no sistema internacional: os mesmos países que contribuem para gerar crises sociais e econômicas acabam criminalizando aqueles que migram em busca de sobrevivência.
“Eles atacam os povos, provocam crises sociais que levam à migração e depois perseguem aqueles que migram”, afirmou.
A jornada também incorpora debates sobre soberania nacional e solidariedade internacional, relacionando a defesa dos migrantes a temas como bloqueios econômicos, guerras e intervenções estrangeiras. Segundo Baima, a luta pelos direitos dos migrantes precisa caminhar junto com a defesa da autodeterminação dos povos.
No Brasil, o movimento inclui atividades em diferentes cidades. A primeira ação ocorreu na Câmara Municipal do Recife, e outras mobilizações estão previstas em capitais e cidades do interior ao longo da semana.
Em Fortaleza, o encontro deve reunir sindicatos, parlamentares, representantes de organizações sociais, pesquisadores e pessoas que atuam diretamente com migrantes e refugiados. Entre os participantes confirmados estão representantes de entidades sindicais, parlamentares do campo progressista e integrantes de iniciativas institucionais voltadas ao acolhimento de migrantes no Ceará.
A expectativa dos organizadores é que o evento também sirva como ponto de partida para novas iniciativas, incluindo debates públicos e audiências em instituições legislativas locais.
Ao final da entrevista, Baima reforçou a importância da mobilização social diante do avanço de discursos xenófobos e da criminalização da migração.
“O ataque aos trabalhadores migrantes é um ataque ao conjunto da classe trabalhadora”, declarou.
SERVIÇO
Jornada sobre Migração em Fortaleza
📅 Data: 14 de março (sábado)
🕓 Horário: 16h
📍 Local: Centro Pastoral da Paróquia de São Raimundo
📍 Bairro: Rodolfo Teófilo – Fortaleza (CE)
📺 Programa Democracia no Ar
📅 De segunda à sexta
🕙 Das 10h às 11h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
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