Da Redação
A resposta em cadeia do tabuleiro geopolítico: a União Europeia sanciona bancos chineses por envolverem-se em evasão de sanções, e Pequim rebate com penalizações contra instituições da Lituânia — um membro crítico de sua postura em relação a Taiwan e aliado de causas liberais.
Em meados de agosto de 2025, a guerra econômica entre China e União Europeia atingiu nova escalada: Pequim retaliou vetando operações e colaborações com duas instituições financeiras da Lituânia — Urbo Bankas e Mano Bankas — após a UE incluir bancos chineses em sua 18ª leva de sanções, voltada a entidades associadas ao esforço de guerra russo.
A medida chinesa proíbe empresas e indivíduos baseados em seu território de manter qualquer tipo de relação com as duas instituições lituanas. O gesto foi justificado por Pequim como retaliação necessária ao que classificou como uma iniciativa sem fundamento e lesiva aos interesses de suas firmas e à cooperação econômica com o bloco europeu.
Do lado europeu, o endurecimento das sanções penalizou dois bancos localizados na fronteira com a Rússia, acusados de facilitar operações em criptomoedas que ajudam Moscou a contornar restrições. Essas medidas entraram em vigor em julho e passaram a valer em agosto.
Em resposta, representantes da Comissão Europeia classificaram as punições chinesas como “injustificadas e sem evidência”, e exigiram que Pequim revogasse sua ação contra os bancos lituanos, afirmando que eles não operam em território chinês e têm foco exclusivamente local.
A crise comercial ocorre num contexto mais amplo de tensão crescente. A própria relação entre China e União Europeia foi considerada em ponto de inflexão após uma cúpula recente, em que Bruxelas pressionou Pequim a distanciar-se da guerra na Ucrânia, sem, no entanto, obter retorno positivo.
Além disso, a dependência russa do comércio com a China continua alta — em 2023, foi registrado um recorde de 240 bilhões de dólares em intercâmbio bilateral — inclusive com ampliação do uso do yuan, substituindo gradualmente o dólar nos acordos transfronteiriços.


