CIRO, A METAMORFOSE AMBULANTE QUE SÓ É ALIADO DE SI MESMO

Por Sousa Júnior – Diretor da Atitude Popular

Ciro saiu do PSDB acusando FHC de ter fraudado a reeleição para presidente. Após o golpe de 2016, em junho de 2017, Ciro declarou que Aécio Neves era a maior decepção da vida pública dele. E o classificou como “um nada” em entrevista ao 247 naquele mesmo ano. Agora, aceitou ser reconduzido ao PSDB pelo mesmo Aécio.

Lula já foi para Ciro o maior presidente da história e ao final do segundo mandato de Camilo disse que ele foi o maior governador da história do Ceará. Hoje, Ciro classifica os dois como seus maiores inimigos, incluindo o pai de Camilo, Eudoro Santana, pessoa respeitada até por seus adversários, menos por Ciro, que o acusa de ser conivente com o crime organizado.

Ciro não respeita nenhum de seus antigos aliados, nem mesmo seu irmão, o senador Cid Gomes, que chegou a levar um tiro no peito, quase levando-o à morte, ao enfrentar um motim liderado pelo capitão Vagner, hoje pré-candidato ao Senado com apoio de Ciro, que acusa o irmão de tê-lo “induzido” antes a criticar o capitão. Já André agora “é um jovem promissor”, um bolsonarista “honrado”, assim como todos que lhe dão apoiam no Ceará, diz Ciro.

Ao longo de sua trajetória política, podemos afirmar que Ciro é um personagem perfeito para a música de Raul Seixas, Metamorfose Ambulante, pois diz o oposto do que disse antes, e amanhã não será diferente, pois de aliado mesmo ele só tem a si mesmo, sendo os outros apenas passageiros, a serem desembarcados na primeira estação de seu oportunismo político.

Ciro não é apenas um aliado inconfiável. Embora tente negar o princípio da não contradição defendido por Aristóteles há mais de 300 anos a.C., Lula e Camilo não podem ser o oposto do que disse antes Ciro se permanecem com as mesmas condutas políticas, nem se pode considerar pessoas honradas quem defende golpe de estado. Por Lógica, uma pessoa não pode ser boa e má e, certamente, sob o aspecto político, Ciro não está no primeiro caso.

compartilhe: