Ex-jogador publicou vídeo após o primeiro turno, adotou discurso religioso e afirmou estar fazendo a “política da obediência”
Da Redação
Daniel Alves entrou publicamente na campanha presidencial de 2026 ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro para o segundo turno. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-lateral da Seleção Brasileira disse que sua decisão foi orientada pela fé e afirmou que o “Espírito Santo” teria indicado o nome e o número do candidato do PL.
O ex-jogador Daniel Alves declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A manifestação foi publicada nesta segunda-feira (5), um dia depois do primeiro turno das eleições, em um vídeo de pouco mais de três minutos no qual Alves utiliza referências bíblicas para explicar seu posicionamento político.
Durante a gravação, o ex-atleta afirmou que sua participação no debate eleitoral seria uma forma de “política da obediência”, expressão utilizada por ele para associar sua escolha política à orientação religiosa. Ao dirigir-se diretamente a Flávio Bolsonaro, afirmou que o “Espírito Santo” teria “soprado” o sobrenome Bolsonaro e o número do candidato. Alves também pediu que o senador mantivesse a humildade durante a disputa.
O vídeo começa com uma referência ao livro bíblico de Provérbios e questionamentos sobre a situação do país. Alves fala em promessas não cumpridas e em necessidade de mudança, antes de tornar explícito seu apoio ao candidato do PL. O ex-jogador reconhece no próprio vídeo que está fazendo uma manifestação política, embora apresente sua decisão fundamentalmente em termos religiosos.
A declaração ocorre no início da campanha para o segundo turno presidencial. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos no primeiro turno, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 53.876.617 votos, ou 45,16%. Os dois candidatos voltam às urnas em 25 de outubro.
Não é a primeira vez que Daniel Alves se manifesta eleitoralmente em favor de um integrante da família Bolsonaro. Durante a eleição presidencial de 2022, o então jogador também divulgou apoio à tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro.
Da condenação à absolvição em segunda instância na Espanha
A aparição de Daniel Alves na campanha também recoloca em evidência o processo judicial que envolveu o ex-jogador na Espanha. Ele foi condenado em fevereiro de 2024 pelo Tribunal Provincial de Barcelona a quatro anos e seis meses de prisão por agressão sexual relacionada a um episódio ocorrido em uma casa noturna da cidade em dezembro de 2022. Alves negou ter cometido agressão sexual.
Em março de 2025, entretanto, o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha revogou a condenação por unanimidade. Os magistrados consideraram que as provas apresentadas não eram suficientes para superar a presunção de inocência e apontaram inconsistências na sentença anterior. Com a decisão, Alves foi absolvido e as medidas cautelares então existentes foram retiradas.
A decisão não encerrou imediatamente a disputa judicial. O Ministério Público espanhol apresentou recurso ao Tribunal Supremo contra a absolvição, contestando a avaliação feita pelo tribunal catalão. A Promotoria sustentou que algumas das conclusões da decisão eram equivocadas e criticou a forma como determinadas provas haviam sido analisadas.
Nos últimos meses, Daniel Alves passou também a aparecer publicamente em eventos religiosos na Espanha. Em julho deste ano, o jornal espanhol El País registrou sua participação como pregador em encontros evangélicos, mudança de perfil público que ajuda a contextualizar o tom fortemente religioso adotado agora em sua manifestação eleitoral.
No vídeo divulgado nesta semana, porém, Alves não apresenta propostas de governo nem discute medidas específicas da candidatura que decidiu apoiar. Sua declaração concentra-se na dimensão religiosa da escolha e na afirmação de que vê a eleição como parte de uma mudança política que, segundo ele, estaria próxima.


