Datafolha: Lula chega a 40%, Flávio Bolsonaro mantém 36% e disputa presidencial segue apertada

Da Redação

Pesquisa divulgada nesta quinta-feira mostra Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 36%. O presidente oscilou um ponto para cima em relação à rodada anterior, enquanto o candidato do PL permaneceu estável. No segundo turno, o placar é de 47% a 45%, diferença dentro da margem de erro. A dez dias da votação, candidatos menores perdem espaço e Lula e Flávio concentram 76% das intenções de voto.

A nova rodada do Datafolha, divulgada nesta quinta-feira, 24 de setembro, confirma uma eleição presidencial concentrada em dois candidatos e sem definição antecipada. Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury registra 5%, Ronaldo Caiado 4% e Renan Santos 3%. Romeu Zema e Samara Martins aparecem com 1% cada; os demais candidatos não chegam a 1%. Brancos, nulos ou nenhum candidato somam 5%, enquanto 2% permanecem indecisos.

O Datafolha entrevistou 2.002 eleitores com 16 anos ou mais, em levantamento nacional realizado nesta semana. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00304/2026.

Os números precisam ser lidos levando essa margem em consideração. Os quatro pontos que separam Lula e Flávio colocam os dois no limite dos intervalos possíveis da pesquisa: considerando exclusivamente a incerteza amostral informada pelo instituto, Lula pode variar de 38% a 42%, e Flávio, de 34% a 38%. Por isso, o levantamento não autoriza transformar a diferença numérica em previsão do resultado de 4 de outubro.

Há, entretanto, um movimento relevante na comparação com a rodada anterior. Lula passou de 39% para 40%, enquanto Flávio permaneceu em 36%. Augusto Cury oscilou de 6% para 5%, Zema de 2% para 1%, brancos e nulos de 6% para 5%, e os indecisos de 3% para 2%.

É uma fotografia de crescente concentração eleitoral.

Lula e Flávio concentram três em cada quatro votos

Somados, Lula e Flávio Bolsonaro alcançam 76% das intenções de voto na pesquisa estimulada. Todos os demais candidatos juntos reúnem 14%. Brancos, nulos e indecisos completam o quadro.

Augusto Cury, que chegou a registrar 8% no início de setembro, aparece agora com 5%. Ronaldo Caiado permanece em 4%, Renan Santos em 3% e Romeu Zema recua para 1%.

A evolução das pesquisas do próprio Datafolha ajuda a dimensionar o movimento. No início de setembro, Lula tinha 38% e Flávio 33%. Na rodada seguinte, o presidente chegou a 39%, enquanto Flávio marcou 35%. Em 17 de setembro, Lula permaneceu em 39% e Flávio avançou para 36%. Agora, Lula registra 40% e o senador mantém 36%.

Não existe, portanto, uma trajetória linear de crescimento de apenas um candidato. O que os levantamentos mostram é que ambos avançaram em relação ao começo do mês, enquanto parte das candidaturas menores perdeu espaço.

Esse movimento aumenta a importância dos eleitores que ainda apoiam Cury, Caiado, Renan Santos, Zema e demais candidatos. São eles que, caso nenhum presidenciável obtenha maioria absoluta dos votos válidos em 4 de outubro, formarão uma parcela importante do eleitorado a ser disputado no segundo turno.

Também é necessário cuidado com outra leitura recorrente: 40% das intenções totais de voto não equivalem a 40% dos votos válidos. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos — cálculo que exclui votos brancos e nulos. Pesquisa eleitoral mede intenção de voto naquele momento e não determina quantos votos válidos efetivamente serão depositados nas urnas.

A rodada atual, portanto, não permite afirmar antecipadamente se haverá ou não segundo turno.

Mostra apenas que a concentração em Lula e Flávio aumentou e que as candidaturas restantes ocupam uma faixa significativamente menor do eleitorado.

No segundo turno, Datafolha registra 47% a 45%

O equilíbrio é ainda maior quando o instituto simula um confronto direto entre os dois primeiros colocados.

Lula aparece com 47%, e Flávio Bolsonaro, com 45%. A diferença de dois pontos está dentro da margem de erro do levantamento, o que caracteriza empate técnico.

Na rodada anterior, Lula tinha 46% e Flávio 44%. Os dois, portanto, oscilaram um ponto para cima, mantendo a mesma distância numérica.

Esse resultado ajuda a compreender por que a disputa pelo eleitor das candidaturas menores ganhou importância na reta final. O primeiro turno mostra Lula quatro pontos numericamente à frente; quando o Datafolha retira os demais candidatos e apresenta aos entrevistados apenas Lula e Flávio, essa diferença cai para dois pontos.

A pesquisa de rejeição reforça a polarização. Lula e Flávio aparecem empatados, ambos rejeitados por 45% dos entrevistados, segundo outro recorte divulgado pelo Datafolha nesta quinta-feira.

Rejeição, contudo, não é voto e tampouco pode ser utilizada isoladamente para projetar o resultado. Ela mede a parcela dos entrevistados que declara não votar em determinado candidato sob as condições apresentadas pelo instituto.

Os números do segundo turno são igualmente uma simulação realizada antes de o primeiro turno acontecer. Até 4 de outubro, campanhas, debates, acontecimentos políticos e a própria decisão dos eleitores podem alterar as preferências registradas hoje.

A dez dias das urnas, disputa entra na fase decisiva

A nova rodada chega num momento de mobilização intensa das campanhas.

O primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Lula e Flávio Bolsonaro ampliaram agendas, entrevistas, presença nas redes sociais e participação de aliados. Ao mesmo tempo, a campanha tornou-se crescentemente judicializada, com ações apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral por diferentes candidaturas.

Há também uma peculiaridade na campanha de 2026: o número de debates presidenciais televisivos ficou abaixo do observado em diversas eleições anteriores. Até esta semana havia ocorrido apenas um encontro televisionado entre presidenciáveis, sem a participação de Lula e Flávio Bolsonaro.

Isso aumenta a importância relativa de entrevistas, propaganda eleitoral, redes sociais, viagens e eventos públicos como instrumentos para alcançar os eleitores na reta final.

Os dados mais recentes do Datafolha mostram ainda que a redução dos indecisos na pergunta estimulada ocorre paralelamente à concentração do voto. Na rodada de 17 de setembro, 3% não sabiam responder; agora são 2%. Brancos e nulos também passaram de 6% para 5%.

A comparação de prazo mais longo permite enxergar melhor o caminho percorrido.

Em junho, o Datafolha havia registrado Lula com 41% e Flávio Bolsonaro com 31% — dez pontos de distância. Em julho, eram 40% a 33%. Na segunda metade de agosto, 39% a 33%. No início de setembro, 38% a 33%. Em meados do mês, a distância chegou a 39% a 36%. Nesta quinta-feira, está em 40% a 36%.

Isso significa que a distância numérica atual é menor do que a registrada em junho, embora Lula tenha oscilado positivamente na rodada desta semana e Flávio tenha permanecido estável.

Essa é uma descrição mais precisa do quadro do que atribuir tendência definitiva a qualquer um dos lados.

Pesquisas são levantamentos amostrais realizados num determinado período, e não antecipações da contagem das urnas. A proximidade da eleição torna cada rodada politicamente importante, mas não elimina margem de erro, mudanças de opinião ou diferenças metodológicas entre institutos.

O retrato oferecido pelo Datafolha em 24 de setembro é, portanto, bastante definido em um aspecto e aberto em outro.

No primeiro turno, Lula registra 40%, Flávio Bolsonaro 36% e nenhum outro candidato supera 5%. No eventual segundo turno, Lula marca 47% e Flávio 45%, em empate técnico.

A dez dias da votação, a pesquisa confirma a forte concentração da eleição em torno dos dois primeiros colocados. Quem determinará a conversão desses números em resultado, porém, serão os eleitores nas urnas em 4 de outubro.