Atitude Popular

Defesa de doutorado

Por Cleiton Estevão*

Com alegria, posso dizer que a principal palavra de hoje é gratidão. Sou grato a todos que estiveram ao meu lado, apoiando-me nos últimos anos. Com orgulho, digo que sou fruto de um governo petista, filho de um pai cozinheiro e uma mãe costureira. Além disso, sou produto da escola pública de qualidade, onde ainda no ensino fundamental meu professor de Matemática, o Prof. Erasmo, fez uma aposta que me impulsionou em direção à física. Conhecido como um professor rigoroso, ele apostou que eu não conseguiria tirar 10 em todas as provas dele. Naturalmente, nem eu acreditava que conseguiria, mas aceitei a aposta.

Ao final do ano letivo, perdi a aposta. Das 8 provas que ele aplicou, tirei 10 em 7 e 9,5 na última. Então, ele me chamou e disse: “Cleiton, fiz essa aposta porque observei um potencial enorme em você para exatas. Embora você não tenha ganhado, quero te dar um prêmio.” E me presenteou com uma coleção de livros de física. Fiquei apaixonado por aqueles livros e decidi cursar física.

Sendo de uma origem não tão privilegiada, mantive esse sonho. Sempre tinha um plano B e trabalhando como garçom e entregador de supermercado à noite, enquanto fazia o ensino médio pela manhã. Ao terminar o ensino médio, o contrato do meu primeiro emprego acabou, e decidi investir todas as fichas em um cursinho preparatório. Paguei pelo cursinho e, seguindo o conselho de outro professor, o Prof. Leandro Filho, tentei o vestibular para o curso de licenciatura em física da UECE, onde fui aprovado.

Na universidade, comecei a me envolver com pesquisa e ouvi falar sobre Teoria de Campos, o que me entusiasmou bastante. Decidi, então, sair da UECE e ingressei na curso de bacharelado em Física da UFC com o sonho de me tornar pesquisador e, no futuro, alcançar o título de doutor. Não posso dizer que o caminho foi fácil, mas cada momento vivenciado durante o percurso me fortaleceu, e hoje tenho a alegria de dizer que se cheguei tão longe foi porque me apoiei sobre os ombros de gigantes. Esses gigantes foram a minha família, o meu querido orientador Prof. Carlos Alberto Almeida, que foi um ser humano fantástico e se transformou em um grande pai acadêmico para mim.

Portanto, gostaria de agradecer a todos, especialmente ao meu orientador, aos familiares, aos amigos, aos professores do Departamento de Física – UFC e à banca avaliadora. Além disso, agradeço a todos os colaboradores.
Parafraseando a frase de Simone Carvalho (08/2016): “A casa grande já surta quando a senzala aprende a ler, imagine quando vira doutor!” Hoje, a casa grande pode surtar, pois o filho de um cozinheiro e uma costureira, fruto de um governo petista, se tornou doutor!

*Doutor em Física pela UFC

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