Da Redação
O delegado Bruno Gabriel Bezerra Costa, da Polícia Civil de Roraima, viralizou nas redes sociais após publicar um vídeo explicando por que o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho não são considerados organizações terroristas pela legislação brasileira, mesmo após a classificação adotada pelos Estados Unidos.
No vídeo, Bruno esclarece que o Brasil possui uma lei específica para o crime de terrorismo, a Lei nº 13.260, de 2016. Segundo ele, a legislação exige elementos como motivação por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, além da finalidade de provocar terror social ou generalizado. Por essa razão, as duas facções não se enquadram juridicamente como organizações terroristas no país.
O delegado ressalta, porém, que isso não significa impunidade. De acordo com sua explicação, PCC e Comando Vermelho são enquadrados na Lei nº 12.850, de 2013, que trata das organizações criminosas. Bruno também comentou os debates surgidos após a decisão norte-americana. Entre os críticos da medida, existe a avaliação de que a classificação pode deslocar o combate às facções para estruturas de inteligência e segurança nacional, reduzindo o protagonismo de órgãos especializados no enfrentamento ao narcotráfico. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública já manifestou preocupação com possíveis impactos sobre a cooperação policial internacional. Especialistas como o promotor Lincoln Gakiya argumentam que as facções brasileiras possuem características mafiosas e empresariais voltadas ao lucro e ao controle territorial, diferentemente dos grupos tradicionalmente enquadrados como terroristas. Em sentido oposto, defensores da medida afirmam que o enquadramento internacional pode ampliar sanções financeiras e dificultar a movimentação de recursos pelas lideranças criminosas.
Delegado gravou novo vídeo após ataques
A repercussão da publicação levou Bruno a divulgar um segundo vídeo. Nele, o delegado afirmou que parte dos internautas confundiu uma explicação técnica sobre a legislação brasileira com uma manifestação de apoio às facções.
Segundo Bruno, seu conteúdo busca explicar as consequências jurídicas de determinados fatos à luz do direito brasileiro, sem emitir posicionamentos partidários. Ele também criticou comentários que defendiam uma eventual intervenção estrangeira no Brasil e afirmou que princípios como soberania nacional e não intervenção continuam sendo pilares do direito internacional.
O delegado negou ainda ter qualquer projeto político eleitoral e declarou que utiliza as redes sociais exclusivamente para divulgar conteúdos educativos sobre segurança pública, direito e concursos.
Quem é Bruno Gabriel
Natural de Crato, no Ceará, Bruno Gabriel Bezerra Costa tem 33 anos e é delegado da Polícia Civil de Roraima, onde atualmente responde pela Delegacia de Caracaraí. Antes de ingressar na Polícia Civil, atuou durante cerca de 12 anos como policial militar no Ceará.
Formado em Direito pela Universidade Regional do Cariri (URCA), é especialista em Direito Civil, Direito Penal e Processo Penal. Filho de uma família humilde e o mais novo entre quatro irmãos, costuma relatar em suas redes sociais a trajetória de estudos que o levou à aprovação no concurso para delegado.
Nos últimos meses, ganhou projeção nacional ao reunir centenas de milhares de seguidores no Instagram. A visibilidade inicial veio após vídeos e fotografias que viralizaram nas redes, mas o crescimento de seu público passou a ser impulsionado principalmente pelos conteúdos sobre legislação, investigações, rotina policial e preparação para concursos públicos.













