Por Sousa Junior – Diretor da Rádio e TV Atitude Popular e Conselheiro do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação)
Essa megaoperação coordenada por órgãos do Governo Federal contra o PCC, que todo o país está aplaudindo, exceto os criminosos direta ou indiretamente atingidos, relembra o ataque que o deputado federal e bolsonarista Nikolas Ferreira fez ao Governo Lula, acusando-o de querer taxar o PIX quando, na verdade, se pretendia implementar o rastreamento das movimentações financeiras suspeitas feitas por essa plataforma, que o Trump, apoiador dos bolsonaristas e por eles apoiado, quer acabar.
Esse ataque ao coração da maior facção do país, que está na Faria Lima e não nas favelas, e o desmonte da provavelmente maior estrutura que o crime organizado possui, envolvendo 1.000 postos de gasolina, refinarias e usinas de açúcar, 17 distribuidoras, 35 fundos de investimento, imóveis, bilhões de dólares e outros bens, também terá consequências políticas, pois há indícios de participação de políticos de direita no esquema, e todos sabem que muitos vereadores, deputados, prefeitos e até governadores têm sido eleitos com apoio de facções.
Enfim, a Operação Carbono Oculto não é só a maior da história do país e talvez do mundo contra o crime organizado, ela revela o que a chamada grande imprensa distorce e omite. Distorce o verdadeiro combate ao crime quando faz de invasão de policiais em favelas distribuindo balas que matam inocentes, crianças, pretos e pobres, um espetáculo midiático; e esconde que temos um governo que de fato combate o crime e não é cúmplice de atos criminosos, como o anterior.
Nesse caminho, que precisa ser seguido pelos governadores de estado, uma das boas consequências que poderemos ter em 2026 são eleições mais livres e democráticas e a alteração para melhor do Congresso, hoje majoritariamente conservador e em boa parte constituído ou prostituído por parlamentares direta ou indiretamente ligados ao crime organizado.


