Jornalista analisa a disputa eleitoral na Colômbia, denuncia interferências externas e avalia os impactos do processo político colombiano para toda a América Latina
Da Redação
A disputa eleitoral na Colômbia ganhou destaque no programa Democracia no Ar, da TV Atitude Popular, que recebeu o jornalista, escritor e analista internacional Leonardo Wexell Severo para uma ampla análise sobre o cenário político do país andino e os desdobramentos das eleições que podem redefinir os rumos da América Latina. A entrevista foi conduzida por Antonio Ibiapino, que substituiu Sara Goes na apresentação do programa.
Durante a conversa, Severo destacou que a Colômbia vive um momento decisivo, marcado pela disputa entre forças progressistas alinhadas ao governo de Gustavo Petro e setores conservadores ligados ao ex-presidente Álvaro Uribe. Segundo ele, o resultado eleitoral terá consequências que ultrapassam as fronteiras colombianas e influenciarão o equilíbrio político regional.
O jornalista relatou que permaneceu na Colômbia para acompanhar de perto o processo eleitoral diante da escassez de cobertura crítica oferecida pelos grandes meios de comunicação. Para ele, existe um descompasso entre o que ocorre nas ruas e a narrativa construída por conglomerados midiáticos nacionais e internacionais.
Ao analisar a candidatura governista, Severo ressaltou que o projeto representado por Gustavo Petro acumulou resultados concretos nos últimos anos. Entre eles, citou a valorização real dos salários, reformas sociais, redução de tarifas de energia e avanços em programas voltados aos trabalhadores e aposentados.
“Estamos falando de um aumento salarial de 23,7% contra uma inflação de 5,2%. Estamos falando de reforma agrária que beneficiou milhares de famílias. Estamos falando de redução de 30% no valor da energia elétrica”, afirmou.
Segundo o analista, a candidatura progressista de Iván Cepeda chegou a ser considerada favorita para vencer já no primeiro turno. No entanto, uma forte campanha de desinformação e a reorganização das forças conservadoras alteraram o cenário eleitoral.
Severo direcionou duras críticas ao ex-presidente Álvaro Uribe, associando sua trajetória a episódios de violência política e aos chamados “falsos positivos”, quando civis eram assassinados e apresentados como guerrilheiros mortos em combate durante o conflito interno colombiano.
Na avaliação do jornalista, a candidatura conservadora liderada por Abelardo de la Espriella representa a continuidade do uribismo e mantém forte alinhamento político com Donald Trump e setores da direita norte-americana. Ele afirmou que a disputa do segundo turno assumiu caráter decisivo para o futuro democrático do país.
“Existe agora uma disputa muito forte entre dois setores. Não há meio campo. É necessária a mobilização e a conscientização do conjunto da sociedade sobre o que significa essa disputa”, declarou.
Apoios e alianças para o segundo turno
Durante a entrevista, Severo avaliou que a candidatura de Iván Cepeda possui condições de ampliar sua base política por meio de alianças com setores de centro e lideranças que se opõem ao avanço da extrema direita.
Segundo ele, dirigentes da campanha já iniciaram conversas com figuras políticas de diferentes correntes, buscando construir uma frente ampla em defesa da democracia, da paz e das reformas sociais implementadas pelo atual governo.
O jornalista destacou ainda que importantes lideranças colombianas rejeitaram publicamente a candidatura de Abelardo de la Espriella, o que pode favorecer a consolidação de uma coalizão democrática no segundo turno.
Trump e a interferência dos Estados Unidos
Outro tema central da entrevista foi a influência dos Estados Unidos sobre a política latino-americana. Severo criticou manifestações recentes do presidente Donald Trump em apoio a candidatos conservadores da região e classificou essas ações como tentativas de interferência em assuntos internos de países soberanos.
Ele lembrou que o presidente Gustavo Petro respondeu às declarações norte-americanas reafirmando o direito do povo colombiano de decidir seu próprio destino sem pressões externas.
Para o jornalista, a influência norte-americana continua sendo um dos principais desafios para a consolidação de projetos nacionais autônomos na América Latina.
A batalha da comunicação
Ao longo da conversa, Leonardo Wexell Severo também chamou atenção para o papel estratégico da comunicação. Segundo ele, os meios alternativos, populares e comunitários enfrentam enormes dificuldades para disputar espaço com conglomerados privados que dominam a circulação de informações.
O analista defendeu a construção de mecanismos de integração comunicacional latino-americana capazes de fortalecer a circulação de notícias produzidas a partir da realidade dos próprios povos da região.
“Nós temos que ter os nossos próprios interesses resguardados. Qual é o nosso interesse? É o da verdade e da justiça”, afirmou.
Eleição colombiana pode influenciar toda a região
Na avaliação final apresentada no programa, a disputa colombiana simboliza um confronto mais amplo entre projetos políticos distintos para a América Latina. De um lado, forças que defendem reformas sociais, integração regional e soberania nacional. Do outro, setores identificados com políticas neoliberais, alinhamento aos interesses de Washington e agendas conservadoras.
Para Severo, o resultado das eleições colombianas será observado atentamente por governos, movimentos sociais e organizações políticas de todo o continente.
Assista à íntegra:
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