Da Redação
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou que o avanço do crime organizado no Brasil está diretamente relacionado ao crescimento do mercado clandestino de apostas esportivas e à lavagem de dinheiro. Segundo ele, as facções criminosas passaram a utilizar plataformas ilegais de bets para financiar suas atividades e ampliar sua influência sobre instituições públicas, inclusive o Poder Judiciário.
As declarações foram feitas durante a inauguração de novas varas especializadas em organizações criminosas e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Fachin classificou a expansão das facções como uma “tragédia contemporânea” e afirmou que o enfrentamento ao problema exige sufocar suas fontes de financiamento. Para o ministro, a regulação financeira e o combate às plataformas clandestinas de apostas tornaram-se instrumentos centrais na política de segurança pública.
“O mercado ilegal e clandestino permanece à margem do Estado”, afirmou. Segundo o presidente do STF, essas estruturas favorecem crimes como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, contrabando, extorsão e corrupção.
Pressão sobre o Judiciário
Fachin também alertou que o fortalecimento econômico das organizações criminosas amplia sua capacidade de pressionar instituições públicas. O ministro defendeu a criação de estruturas especializadas para investigar organizações criminosas, acompanhar operações financeiras complexas e acelerar o julgamento de processos envolvendo lavagem de dinheiro.
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, quase 2.900 ações penais e inquéritos envolvendo organizações criminosas e lavagem de bens tramitam atualmente apenas na capital paulista, cenário que motivou a criação das novas varas especializadas.
Fachin afirmou que a iniciativa paulista pode servir de modelo para outros estados, observando que a atuação das facções deixou de ser um problema regional e alcançou praticamente todo o território nacional.
Debate sobre as bets
As declarações ocorrem em meio ao crescimento das discussões sobre a regulamentação das apostas esportivas no Brasil. O governo federal intensificou a fiscalização do setor e o STF deve analisar, ainda neste segundo semestre, ações que questionam aspectos da legislação das bets, incluindo mecanismos de proteção aos consumidores e medidas contra operadores ilegais.
Ao relacionar diretamente o mercado clandestino de apostas ao financiamento das facções criminosas, Fachin reforçou que o combate às bets ilegais deixou de ser apenas uma pauta econômica ou tributária e passou a integrar a estratégia de enfrentamento ao crime organizado e à lavagem de dinheiro






