“Falar do fim da escala 6×1 é falar do direito ao tempo”, afirma Joanne Mota

Movimento sindical amplia mobilização pela redução da jornada e debate se conecta a campanha nacional em defesa da soberania e de um Congresso comprometido com pautas populares

Da Redação

O movimento sindical brasileiro intensificou nas últimas semanas a mobilização pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial. A proposta, que deve avançar na Câmara dos Deputados ainda neste mês de maio, foi tema da mais recente edição do programa Vozes Pela Democracia, produzido pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Participaram do debate a jornalista Joanne Mota, diretora do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) e secretária da Mulher do PCdoB da capital paulista, além de Tadeu Porto, secretário de Comunicação do FNDC e dirigente sindical petroleiro. Ambos defenderam que a pauta representa uma das disputas centrais da classe trabalhadora brasileira na atualidade.

O debate também dialoga diretamente com uma articulação política que começa a ganhar corpo entre movimentos populares, sindicatos, entidades estudantis e setores progressistas do país. A Rádio e TV Atitude Popular está propondo a construção de uma campanha nacional em defesa da soberania nacional e de um Congresso Amigo do Povo, buscando influenciar o processo eleitoral de 2026 a partir de pautas concretas ligadas ao mundo do trabalho, à democracia e à reconstrução do Estado brasileiro.

Segundo os organizadores, um manifesto nacional está sendo redigido por um grupo de intelectuais do Ceará, que vem discutindo formas de intervenção política e social no cenário eleitoral deste ano. Entre os temas considerados centrais estão justamente a defesa do fim da escala 6×1, a valorização do trabalho, a reindustrialização do país, a soberania econômica e a ampliação de direitos sociais.

Os apoiadores interessados em acompanhar a construção da campanha podem acessar o site oficial e assinar o manifesto:
Campanha Brasil Soberano e Congresso Amigo do Povo

Durante o programa, Joanne Mota afirmou que a luta pela redução da jornada ultrapassa a dimensão econômica e toca diretamente a qualidade de vida da população trabalhadora.

“Falar sobre o fim da escala 6×1 não é só falar sobre uma política estruturante. É falar sobre uma política que vai combater desigualdades históricas”

Segundo ela, os setores mais atingidos pela atual jornada exaustiva são justamente os mais precarizados do mercado de trabalho, como comércio, telemarketing, limpeza, supermercados, transporte e serviços terceirizados.

“Falar em redução da escala 6×1 significa falar pelo direito ao tempo”

A dirigente destacou ainda que mulheres negras e moradores das periferias urbanas estão entre os grupos mais afetados pela precarização.

“O cara poder ter tempo de ir para a reunião do filho na escola, a mãe poder ter tempo de estudar e ter uma vida melhor, é disso que está se falando”

Joanne lembrou que a reivindicação pela redução da jornada possui longa trajetória histórica no Brasil e citou a atuação do ex-senador cearense Inácio Arruda na defesa da pauta ainda nos anos 1990.

Tadeu Porto ressaltou o papel das novas formas de mobilização política e digital na retomada do debate sobre a jornada de trabalho. Ele destacou a atuação do movimento VAT e do ativista Rick Azevedo, reconhecido publicamente pelo Presidente Lula durante ato em Brasília.

“É uma lei que tem tudo para ser citada daqui a 50, daqui a 100 anos, devido à importância dela”

Segundo Tadeu, a pauta conseguiu unir diferentes gerações da esquerda brasileira e recolocar o debate sobre trabalho e dignidade no centro da disputa política nacional.

O dirigente também criticou setores empresariais e conservadores que passaram a atacar a proposta com o argumento de que a redução da jornada prejudicaria a economia.

“Existe uma força persistente no fluxo da história contra a conquista de direitos dos trabalhadores”

Ao longo da entrevista, os convidados defenderam que a discussão sobre jornada de trabalho deve ser tratada também como questão de saúde pública. Tadeu Porto citou dados recentes sobre adoecimento ligado ao trabalho e afirmou que o país enfrenta um quadro alarmante de desgaste físico e psicológico.

Segundo ele, somente em 2024 foram registradas mais de 111 mil notificações de agravos relacionados ao trabalho, além do crescimento expressivo de transtornos mentais associados à exaustão profissional.

“O trabalhador está sendo massacrado. O corpo dele está sendo massacrado”

Joanne Mota avaliou ainda que a pauta chega em um momento politicamente estratégico para o governo do Presidente Lula, que busca consolidar medidas de impacto social em meio ao cenário eleitoral.

Ela afirmou que propostas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a defesa da redução da jornada dialogam diretamente com a vida concreta da população trabalhadora.

“A pauta mexe com a questão objetiva da vida das pessoas, mexe com a quantidade de feijão que vai entrar na panela”

Os participantes alertaram que a proposta enfrenta resistência de setores do empresariado e da extrema direita no Congresso, mas afirmaram que a pressão popular pode ser decisiva para sua aprovação.

Ao encerrar o programa, os debatedores reforçaram a necessidade de manter a mobilização social ativa nas próximas semanas para impedir retrocessos durante a tramitação parlamentar.

Referências

O homem que virou suco. Brasil, 1981. Direção de João Batista de Andrade.

📺 Programa Vozes Pela Democracia
📅 Toda sexta-feira
🕙 Das 12h às 13h
📺 Ao vivo em: https://www.youtube.com/TVAtitudePopular
💚 Apoie a comunicação popular!
📲 Pix: 85 996622120
📲✨ Siga o canal “Atitude Popular” no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb7GYfH8KMqiuH1UsX2O

compartilhe: