Atitude Popular

Flávio ataca STF e associa Lula ao crime organizado sem apresentar provas

Da Redação

O senador Flávio Bolsonaro voltou a elevar o tom contra o Supremo Tribunal Federal e contra o governo federal ao associar, sem apresentar provas, o Presidente Lula e o ministro do STF, Flávio Dino, ao crime organizado. As declarações ocorreram durante participação em evento político e fazem parte da estratégia adotada por setores do bolsonarismo de ampliar os ataques ao Judiciário em meio às investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado e aos processos que atingem aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante sua fala, Flávio afirmou que haveria uma suposta relação entre integrantes do governo e organizações criminosas, mas não apresentou documentos, investigações ou elementos concretos que sustentassem as acusações.

As declarações se somam a uma série de ataques direcionados ao STF nos últimos anos. Desde a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro em 2022, ministros da Corte passaram a ocupar posição central no discurso de lideranças bolsonaristas, especialmente em temas ligados aos inquéritos sobre desinformação, atos antidemocráticos e tentativa de ruptura institucional.

O discurso também ocorre em um momento de reorganização da direita para as eleições de 2026. Com Jair Bolsonaro inelegível, diferentes lideranças disputam protagonismo político e espaço junto à base conservadora.

Ataques ao STF se tornam bandeira permanente

A crítica ao Supremo tornou-se um dos principais elementos de mobilização do bolsonarismo. Ao longo dos últimos anos, parlamentares e influenciadores ligados ao ex-presidente passaram a defender mudanças na composição da Corte, limitações aos poderes dos ministros e até propostas de impeachment contra magistrados.

Especialistas em direito constitucional apontam que críticas às decisões judiciais fazem parte do debate democrático, mas alertam que acusações sem provas contra integrantes das instituições podem contribuir para o desgaste da confiança pública e alimentar conflitos políticos permanentes.

O STF, por sua vez, tornou-se protagonista de decisões que atingiram diretamente o entorno bolsonarista, incluindo investigações sobre financiamento de atos antidemocráticos, disseminação de notícias falsas e articulações golpistas.

Enquanto isso, no Ceará…

A retórica contra o Supremo também encontrou espaço fora do bolsonarismo tradicional. Em maio deste ano, o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes afirmou que o senador cearense Eduardo Girão Wagner deveria chegar ao Senado para “pôr freio no STF”.

A declaração foi feita durante evento político no Ceará e chamou atenção por aproximar o discurso de Ciro de uma pauta frequentemente utilizada por setores da direita e da extrema direita. A fala ocorreu em meio ao processo de aproximação do pedetista com lideranças conservadoras e segmentos evangélicos que vêm ganhando influência em sua estratégia política.

O episódio reforçou uma mudança observada por analistas políticos nos últimos anos: críticas ao Supremo, antes concentradas principalmente em setores bolsonaristas, passaram a aparecer também em discursos de figuras que historicamente ocupavam outros espaços do espectro político.

A disputa de 2026

Os ataques ao STF e a tentativa de transformar o Judiciário em tema central do debate eleitoral indicam que a relação entre política e instituições deverá ocupar papel importante na campanha de 2026.

Enquanto setores do bolsonarismo buscam mobilizar sua base por meio da crítica permanente aos ministros da Corte, o governo Lula e seus aliados defendem a preservação das instituições que reagiram às tentativas de ruptura democrática registradas após as eleições de 2022.

Nesse cenário, a disputa eleitoral tende a ultrapassar temas econômicos e sociais, alcançando também o papel das instituições, os limites dos poderes da República e a memória recente dos episódios que marcaram a crise democrática brasileira.