Senador passa de 52,7% para 51,2% dos votos válidos, enquanto presidente sobe de 47,3% para 48,8%; levantamento registra empate técnico a oito dias do segundo turno e rejeição de 47% aos dois candidatos
Da Redação
A nova pesquisa Ipespe/Abrapel, divulgada neste sábado (17), mostra uma redução da diferença entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. Em uma semana, a distância caiu de 5,4 para 2,4 pontos percentuais nos votos válidos. O instituto também identificou queda na rejeição declarada ao presidente, enquanto a rejeição ao senador oscilou ligeiramente para cima. O levantamento ouviu 1.500 eleitores em todo o país e confirma um cenário de empate técnico, sem permitir estabelecer uma diferença estatisticamente segura entre os candidatos.
A distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) diminuiu na nova pesquisa Ipespe/Abrapel, divulgada neste sábado, 17 de outubro. O levantamento registra 51,2% dos votos válidos para Flávio e 48,8% para Lula, uma diferença de 2,4 pontos percentuais, inferior à margem de erro de 2,6 pontos estabelecida pelo instituto. Uma semana antes, o senador aparecia com 52,7%, contra 47,3% do presidente. A comparação revela um recuo numérico de 1,5 ponto para Flávio e um avanço de igual proporção para Lula, reduzindo de 5,4 para 2,4 pontos a distância nominal entre os dois.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 15 de outubro, com 1.500 eleitores de diferentes regiões brasileiras. O nível de confiança informado pelo instituto é de 95,45%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00223/2026. A pesquisa foi financiada com recursos próprios do Ipespe.
Os números se referem aos votos válidos, cálculo que exclui as intenções de voto em branco, nulo e as respostas que não indicam preferência por um dos candidatos. Trata-se do mesmo critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir o resultado de uma eleição majoritária, embora a pesquisa permaneça uma estimativa amostral das preferências declaradas no período das entrevistas.
A redução da diferença é o principal movimento identificado entre as duas rodadas do Ipespe. Contudo, a variação de 1,5 ponto percentual registrada para cada candidato não permite afirmar, isoladamente, que houve uma mudança estatisticamente comprovada no comportamento do eleitorado. Oscilações dessa dimensão precisam ser examinadas considerando a margem de erro e as características metodológicas do estudo.
O resultado também não estabelece uma igualdade exata entre os concorrentes. Flávio Bolsonaro permanece numericamente à frente, mas a incerteza estatística impede identificar uma diferença segura entre as intenções de voto dos dois candidatos.
A oito dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, o levantamento acrescenta novos dados a uma sequência de pesquisas que registram pequenas diferenças entre Lula e Flávio.
Rejeição dos dois candidatos chega a 47%
Além das intenções de voto, o Ipespe investigou a disposição dos entrevistados de votar ou não em cada candidato.
O resultado apresenta um dado importante para compreender a composição das preferências eleitorais: Lula e Flávio Bolsonaro registram o mesmo percentual de rejeição, de 47%.
No caso do presidente, a rejeição recuou numericamente de 49% para 47% em relação à pesquisa divulgada em 10 de outubro.
Entre os entrevistados, 45% afirmam que certamente votariam em Lula, ante 43% na rodada anterior. Outros 6% declaram que poderiam votar no presidente, percentual que era de 5% na semana passada.
O grupo que não soube ou não respondeu à pergunta sobre o potencial de voto em Lula passou de 1% para 2%.
Para Flávio Bolsonaro, a rejeição foi de 46% para 47%. O percentual dos que afirmam que certamente votariam no senador permaneceu em 47%.
Já a parcela de entrevistados que admite a possibilidade de votar no candidato do PL passou de 5% para 4%.
Esses indicadores possuem significado diferente das intenções de voto apresentadas na simulação do segundo turno. A rejeição expressa a disposição declarada de não votar em determinado candidato, enquanto o potencial de voto procura identificar graus de abertura à candidatura.
Um entrevistado pode manifestar rejeição a ambos ou demonstrar preferência por um candidato sem necessariamente ter decidido seu voto de maneira definitiva.
Por isso, a coincidência de 47% de rejeição não significa que os dois possuam exatamente as mesmas condições de mobilização eleitoral. O indicador mostra uma proximidade nas respostas dos entrevistados, dentro das limitações do levantamento.
As variações de uma semana para outra também são pequenas diante da margem de erro, o que exige cautela na interpretação de possíveis movimentos de opinião.
A pesquisa não permite concluir que as mudanças tenham sido provocadas por determinada proposta, declaração ou acontecimento da campanha.
Outros levantamentos também registram diferenças pequenas
A nova rodada do Ipespe foi divulgada depois de uma série de pesquisas sobre o segundo turno presidencial.
Na quinta-feira (15), o Datafolha apresentou Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula, também em situação de empate técnico. O instituto havia registrado 52% para o senador e 48% para o presidente na pesquisa anterior.
O levantamento ouviu 2.520 eleitores nos dias 13 e 14 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Na quarta-feira (14), a Quaest registrou 46% das intenções de voto totais para Flávio e 44% para Lula. O levantamento, realizado entre 10 e 13 de outubro, também apresentou uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos.
Já o PoderData, divulgado na sexta-feira (16), identificou 50% dos votos válidos para cada candidato.
A pesquisa CNT/MDA, também publicada na sexta, apresentou 50,5% para Flávio e 49,5% para Lula nos votos válidos.
As pesquisas utilizam diferentes procedimentos de coleta, seleção de entrevistados e tratamento estatístico das informações. Por essa razão, seus resultados não devem ser apresentados como se fossem medições perfeitamente equivalentes.
Entrevistas presenciais, levantamentos telefônicos e pesquisas realizadas pela internet possuem características próprias, capazes de produzir diferenças entre as estimativas.
Também é necessário considerar as datas de realização. Uma pesquisa divulgada em determinado dia pode reunir entrevistas feitas antes de acontecimentos recentes, ainda que sua publicação ocorra posteriormente.
Apesar dessas diferenças, os levantamentos mencionados registram percentuais próximos entre os concorrentes, com resultados situados dentro das respectivas margens de erro.
Essa convergência descreve a situação medida pelos institutos. Não constitui uma previsão do resultado oficial.
Votos do primeiro turno continuam no centro das pesquisas
A disputa atual ocorre depois de um primeiro turno em que Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, correspondentes a aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto Lula alcançou 45,16%, cerca de 53,8 milhões.
A diferença de aproximadamente 2,3 milhões de votos entre os dois candidatos estabeleceu o ponto de partida do segundo turno.
Os eleitores que escolheram outras candidaturas, votaram em branco ou nulo ou não compareceram à votação integram o universo que os institutos procuram acompanhar nesta etapa.
Entretanto, a transferência de votos não acontece necessariamente de maneira uniforme.
Uma declaração de apoio de um candidato derrotado não significa que todos os seus eleitores seguirão a mesma orientação. Da mesma forma, pessoas que não participaram do primeiro turno podem adotar comportamentos diferentes na votação seguinte.
A pesquisa Ipespe/Abrapel divulgada neste sábado registra as preferências declaradas entre 13 e 15 de outubro, mas os dados publicados na reportagem principal não permitem quantificar de maneira específica todos os movimentos entre os grupos de eleitores do primeiro turno.
A análise dessas transferências exige perguntas próprias e informações sobre a decisão anterior de cada entrevistado.
Outro elemento importante é a diferença entre preferência declarada e comparecimento efetivo.
As pesquisas procuram medir o comportamento eleitoral em um momento determinado. O resultado oficial depende das pessoas que comparecerem às urnas e dos votos válidos efetivamente registrados.
Mudanças nas condições de mobilização, decisões individuais e níveis de abstenção podem produzir diferenças entre uma sondagem e o resultado eleitoral, mesmo quando o levantamento foi executado corretamente.
Margem de erro exige cautela na interpretação
A expressão empate técnico é frequentemente utilizada quando a diferença observada entre candidatos não permite estabelecer, com segurança estatística, uma distinção entre suas intenções de voto.
No levantamento Ipespe/Abrapel, Flávio Bolsonaro possui 51,2% dos votos válidos e Lula, 48,8%.
A distância de 2,4 pontos é menor que os 2,6 pontos percentuais informados como margem de erro das estimativas.
Isso significa que a pequena diferença registrada precisa ser interpretada como uma estimativa sujeita à incerteza amostral, e não como uma separação definitiva entre os candidatos.
A margem de erro, contudo, não deve ser compreendida como uma garantia absoluta de que o resultado eleitoral se encontrará dentro de determinado intervalo.
Pesquisas de opinião possuem outras possíveis fontes de diferença, relacionadas à cobertura da população, às respostas dos entrevistados e a mudanças posteriores de comportamento.
O nível de confiança informado pelo Ipespe também se refere às propriedades estatísticas do procedimento utilizado, não à probabilidade de vitória de uma candidatura.
Outro cuidado diz respeito à comparação temporal.
A diferença entre duas pesquisas pode diminuir porque um candidato ganhou apoio, porque o outro perdeu, pela combinação desses movimentos ou por variações amostrais.
Na rodada divulgada neste sábado, os percentuais mostram movimentos numéricos em sentidos opostos. Entretanto, seriam necessárias informações estatísticas adicionais para estabelecer a força dessas alterações.
O dado diretamente observável é que a diferença nominal medida pelo mesmo instituto passou de 5,4 para 2,4 pontos percentuais em uma semana.
Pesquisa será seguida por nova etapa da campanha
A divulgação do levantamento ocorre depois de uma semana marcada por discussões sobre jornada de trabalho, segurança pública, políticas econômicas e funcionamento das plataformas digitais.
A promulgação da emenda constitucional que estabelece o fim gradual da escala de trabalho 6×1 foi um dos acontecimentos de maior repercussão política nos últimos dias.
Também avançaram debates sobre a PEC da Segurança Pública, a redução da maioridade penal e medidas destinadas aos microempreendedores individuais.
Na área de comunicação, as campanhas apresentaram questionamentos sobre mecanismos de recomendação de conteúdos, publicidade digital e aplicação das regras eleitorais pelas plataformas.
Esses acontecimentos integram o ambiente em que os eleitores formam suas opiniões, mas a pesquisa Ipespe/Abrapel não demonstra que qualquer um deles tenha causado os movimentos observados nos percentuais.
A associação entre acontecimentos políticos e mudanças nas intenções de voto exigiria investigação específica, com informações sobre as razões declaradas pelos entrevistados.
As próximas pesquisas poderão mostrar se a redução da diferença registrada nesta semana aparece novamente em outros levantamentos ou se os percentuais apresentam novas oscilações.
Até lá, o Ipespe registra uma disputa com pequena diferença numérica nos votos válidos e rejeição idêntica aos dois candidatos.
O instituto entrevistou os eleitores entre 13 e 15 de outubro, antes dos últimos compromissos de campanha e dos acontecimentos previstos para a semana final.
O resultado constitui, portanto, um retrato das preferências declaradas naquele período.
A nova pesquisa acrescenta um dado relevante à cobertura do segundo turno: em relação à rodada anterior, o Ipespe encontrou percentuais mais próximos entre Lula e Flávio Bolsonaro. O movimento é observável nos números, mas não autoriza extrapolações sobre o resultado da votação.
A decisão sobre a Presidência da República será tomada nas urnas em 25 de outubro. Até lá, a interpretação dos levantamentos exige distinguir os percentuais medidos, suas variações e as limitações estatísticas que acompanham qualquer pesquisa eleitoral.





