Nova identidade visual destaca apenas “Flávio” e tenta construir imagem própria para o candidato do PL à Presidência
Da Redação
O sobrenome que levou Flávio Bolsonaro à política agora está sendo discretamente retirado de sua campanha presidencial. A nova identidade visual preparada pelo marqueteiro Duda Lima apresenta o candidato do PL simplesmente como “Flávio”, deixando “Bolsonaro” praticamente ausente das primeiras peças publicitárias.
Duda Lima assumiu a comunicação da campanha há apenas 11 dias e já é o terceiro profissional a comandar a área. O novo conceito utiliza a letra “V” integrada ao nome Flávio e adota como slogan “O Brasil vai vencer”. A identidade visual deverá orientar a propaganda institucional do candidato ao longo da campanha.
A equipe afirma que o sobrenome Bolsonaro aparecerá em outros materiais eleitorais. A escolha de retirá-lo das peças iniciais, porém, ocorre quando a candidatura tenta ampliar seu alcance para além do eleitorado identificado diretamente com Jair Bolsonaro.
O sobrenome que ajuda e atrapalha
A operação de marketing expõe um dos principais dilemas da candidatura. Flávio herdou do pai uma base eleitoral nacional, estrutura partidária e reconhecimento imediato. Ao mesmo tempo, carrega um sobrenome associado ao desgaste do governo de Jair Bolsonaro, às investigações que envolveram o ex-presidente e à sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado.
O desafio de Duda Lima será apresentar Flávio como continuidade política capaz de conservar os eleitores bolsonaristas enquanto tenta reduzir a rejeição associada à família. A escolha gráfica oferece uma primeira indicação do caminho: Jair Bolsonaro permanece fundamental para a candidatura, mas seu sobrenome já não ocupa o mesmo espaço na propaganda.
Essa estratégia também ajuda a explicar por que a campanha concentra suas peças em críticas ao governo do Presidente Lula. Ao deslocar a comunicação para a comparação com o atual governo, Flávio procura disputar a eleição por sua condição de candidato da oposição, reduzindo a centralidade do legado do pai.
O terceiro marqueteiro em poucos meses
A mudança visual ocorre depois de sucessivas alterações no comando da comunicação. Duda Lima é o terceiro marqueteiro a assumir a função, sinal de que a campanha ainda procura uma identidade capaz de apresentar Flávio Bolsonaro ao eleitorado nacional para além de sua condição de filho do ex-presidente.
A primeira solução encontrada contém uma ironia difícil de ignorar: para tentar levar adiante eleitoralmente o projeto político construído por Jair Bolsonaro, a campanha de Flávio começou escondendo justamente o nome Bolsonaro

