Assessor do líder supremo Ali Khamenei diz que Forças Armadas iranianas estavam prontas para atingir três alvos ucranianos, mas operação foi suspensa após gesto diplomático; Ucrânia não confirmou a versão
Da RT
O assessor do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou que o país esteve prestes a realizar ataques militares contra a Ucrânia, mas decidiu cancelar a operação após Kiev apresentar um pedido de desculpas ao governo iraniano. A declaração foi feita por Mohsen Rezaei e divulgada pela imprensa iraniana, repercutindo internacionalmente neste domingo.
Segundo Rezaei, as Forças Armadas iranianas haviam preparado ataques contra três alvos em território ucraniano como resposta ao recente ataque contra um navio iraniano no Mar Cáspio. A ofensiva, no entanto, teria sido interrompida após contatos diplomáticos entre os dois países.
“O plano foi cancelado porque os ucranianos pediram desculpas”, afirmou o assessor, sem fornecer detalhes sobre a natureza do pedido nem identificar os alvos que seriam atingidos.
Tensão aumentou após ataque no Mar Cáspio
As declarações surgem poucos dias depois de um ataque atribuído à Ucrânia contra uma embarcação iraniana no Mar Cáspio.
O episódio representou uma mudança importante na dinâmica do conflito entre Rússia e Ucrânia, ao atingir diretamente um país que mantém estreitas relações estratégicas com Moscou.
Desde o início da guerra, o Irã é acusado por governos ocidentais de fornecer drones, mísseis e outros equipamentos militares utilizados pelas forças russas. Teerã admite cooperação militar com Moscou, mas rejeita as acusações de participação direta na guerra.
O ataque ao navio elevou significativamente a tensão entre Irã e Ucrânia e abriu a possibilidade de uma escalada regional envolvendo novos atores.
Operação teria sido preparada
Segundo Mohsen Rezaei, os preparativos militares chegaram a ser concluídos.
Ele afirmou que três alvos foram selecionados pelas Forças Armadas iranianas, mas não revelou sua localização nem sua natureza.
Também não informou quando os ataques ocorreriam ou quais unidades militares participariam da operação.
As declarações indicam que o governo iraniano buscava responder militarmente ao ataque contra sua embarcação, mas optou por suspender a ofensiva após uma mudança no cenário diplomático.
Ucrânia não confirma pedido de desculpas
Até o momento, o governo da Ucrânia não confirmou oficialmente que tenha apresentado qualquer pedido de desculpas ao Irã.
Também não houve manifestação pública reconhecendo a existência de negociações capazes de evitar uma resposta militar iraniana.
Da mesma forma, não existem confirmações independentes de que os ataques efetivamente estavam prestes a ocorrer.
As informações divulgadas baseiam-se exclusivamente nas declarações de autoridades iranianas.
Risco de ampliação do conflito
Caso um ataque iraniano tivesse sido realizado, o conflito poderia assumir uma dimensão completamente diferente da observada até agora.
Além da Rússia e da Ucrânia, outro importante ator regional passaria a participar diretamente das hostilidades, aumentando o risco de uma escalada militar envolvendo parceiros estratégicos de ambos os lados.
Especialistas em relações internacionais observam que o conflito já ultrapassou há muito tempo as fronteiras europeias, envolvendo disputas geopolíticas entre Estados Unidos, OTAN, Rússia, Irã, China e diversos países do chamado Sul Global.
Uma ação militar direta de Teerã contra Kiev poderia provocar novas reações diplomáticas e militares do Ocidente.
Diplomacia evita nova frente de guerra
Embora ainda existam dúvidas sobre os detalhes do episódio, as declarações iranianas sugerem que canais diplomáticos permaneceram ativos mesmo após o ataque ao navio.
Caso a versão apresentada por Mohsen Rezaei corresponda aos fatos, o diálogo entre os dois governos teria evitado a abertura de uma nova frente de guerra em um conflito que já apresenta repercussões globais.
O episódio também evidencia como a guerra na Ucrânia continua produzindo efeitos muito além do território europeu, envolvendo interesses estratégicos relacionados à segurança internacional, energia, rotas comerciais e alianças militares.
Enquanto não houver manifestações oficiais de Kiev ou confirmação por fontes independentes, permanece em aberto a dimensão real da crise relatada pelo governo iraniano.






