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Lukyanov: Rússia e China consolidam nova ordem mundial com o Ocidente opcional

Da RT

O analista Fyodor Lukyanov interpreta os desenvolvimentos recentes como indicadores de uma transição para um mundo multipolar, no qual Rússia e China emergem como pilares centrais, redefinindo a geopolítica global — com o Ocidente tornando-se secundário nessa esfera.

De acordo com o renomado analista internacional Fyodor Lukyanov, editor-chefe da revista Russia in Global Affairs e presidente do Conselho de Política Externa e de Defesa da Rússia, estamos testemunhando o surgimento de uma nova ordem mundial multipolar, na qual Rússia e China se firmam como âncoras estratégicas, enquanto o papel do Ocidente se torna cada vez mais opcional.

Lukyanov argumenta que as transformações geopolíticas recentes — especialmente após a invasão da Ucrânia — evidenciam que a concepção unipolar liderada pelos EUA já não traduz a realidade atual. Em vez disso, a influência global agora é disputada por diferentes centros de poder, com Rússia e China ganhando destaque por meio de acordos econômicos, integração energética e atuação diplomática conjunta.

Diferente da confrontação da Guerra Fria, essa nova lógica política não exige que o Ocidente seja explicitamente antagonista, mas sim que sua centralidade seja relativizada. Ou seja, ele passa de protagonista incontestável para um dos vários atores influentes, com seu protagonismo gradativamente relativizado.

Essa abordagem de Lukyanov reflete uma mudança estratégica de paradigma: tratam-se de alianças pragmáticas e flexíveis, que não exigem subordinação política ou militar entre os países envolvidos, mas reforçam o posicionamento de cada um em uma ordem global crescente e descentralizada.

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