Da Redação
Na 80ª Assembleia Geral da ONU, Lula denuncia interferências externas e críticas internas, afirmando que “setores da extrema-direita” agem como falsos patriotas e colocam o Brasil sob tutelas alheias.
Durante sua fala na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira, 23 de setembro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente setores da política brasileira que, em sua visão, promovem uma postura de subserviência aos Estados Unidos. O presidente denunciou aquilo que chamou de ingerência em assuntos internos e responsabilizou a “extrema-direita subserviente” por conspirar contra a soberania nacional do Brasil.
Lula afirmou que “falsos patriotas” elaboram e promovem publicamente ações que enfraquecem o país, aproveitando-se de discursos que clamam patriotismo mas, na prática, favorecem interesses externos. Ele disse que a agressão à independência do Judiciário é intolerável e que medidas arbitrárias contra instituições nacionais e contra a economia brasileira não encontram justificativa.
O presidente também colocou em pauta o que considera como avanço do autoritarismo mundial. Para ele, o multilateralismo está em risco, ameaçado por sanções unilaterais, intervenções externas e concessões feitas por nações que deveriam preservar sua autonomia. Lula lembrou que a ONU foi fundada para promover paz, justiça e igualdade, valores que, segundo ele, estão “sob grave ameaça” nos dias de hoje.
No plano interno, Lula fez referência ao recente processo judicial contra ex-presidente Jair Bolsonaro, declarando que foi conduzido de forma rigorosa, com ampla defesa e observância das garantias legais. Ele usou esse exemplo como símbolo de que, mesmo sob acusações e pressões, o Brasil tem cumprido seus deveres democráticos e evitado a impunidade.
Encerrando o discurso, Lula reafirmou que democracia vai além de eleições. Segundo ele, seu vigor depende da efetiva garantia de direitos fundamentais como moradia, saúde, educação, segurança e igualdade de gênero. Ele também denunciou a violência contra mulheres como um exemplo das falhas que persistem no país, mostrando que proteger instituições formais não basta se os desafios estruturais não forem enfrentados.
O presidente concluiu afirmando que o Brasil não aceitará tutelas externas nem intervenções sobre sua soberania institucional. Ele disse que o país continuará “nação independente e povo livre de qualquer tipo de tutela”, reforçando que defesa do Estado democrático de direito é um compromisso que transcende governos.






