Atitude Popular

Lula acusa Israel de genocídio contra palestinos em discurso na ONU

Da Redação

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, presidente Lula condena severamente ações de Israel em Gaza, afirmando que o termo genocídio é o mais adequado para descrever o que ocorre, ao mesmo tempo em que ratifica defesa de dois Estados.

Na segunda-feira, 22 de setembro de 2025, durante a Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, realizada em Nova York no âmbito da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez uma acusação contundente: segundo ele, Israel comete genocídio contra o povo palestino. O discurso deixou claro que, para o presidente, não há termo mais apropriado para caracterizar os ataques à Faixa de Gaza.

Lula afirmou que, embora o Brasil condene os atos terroristas do Hamas ocorridos em 7 de outubro de 2023, a resposta militar israelense se tornou “injustificável”. Ele fez questão de distinguir: “tanto Israel quanto Palestina têm o direito de existir”, disse, reforçando que o reconhecimento de Israel não justifica o que classificou como violação de direitos básicos e humanitários por parte do Estado israelense.

O presidente brasileiro também disse que o caso de Gaza serve como um símbolo dos desafios do sistema multilateral atual. Ele apontou que o que ocorre na Faixa de Gaza expõe limites, impasses e falhas nas organizações internacionais responsáveis pela paz, pelos direitos humanos e pela implementação de normas internacionais de conflito armado. Para Lula, o uso do termo genocídio não é retórico: estaria respaldado por relatórios de organismos internacionais e pelos efeitos concretos do conflito, especialmente sobre civis, infraestruturas essenciais destruídas, deslocamentos forçados e dificuldades graves de acesso a serviços básicos.

A fala provocou reações imediatas tanto no exterior quanto dentro do Brasil. Ambientalistas e organizações de direitos humanos veem o discurso como um forte apoio à causa palestina, e uma reafirmação de que países do Sul Global demandam uma resposta mais ativa da comunidade internacional às crises humanitárias. Críticos, por outro lado, questionam se o termo genocídio é juridicamente apropriado, apontando para debates pendentes sobre provas, intenção e legalidade. Representantes de governos aliados a Israel tendem a repudiar a afirmação, alegando que ela simplifica uma situação complexa de guerra, terrorismo, autodefesa e conflito assimétrico.

No plano jurídico, o Brasil já havia se posicionado previamente em favor da investigação de possíveis crimes de genocídio em Gaza: o país formalizou sua adesão ao processo da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que acusa Israel de violações da Convenção de Genocídio. Essa declaração de intervenção confirma o envolvimento do Brasil em instâncias internacionais de responsabilização jurídica.

Diplomaticamente, o discurso marca uma intensificação da postura brasileira no palco internacional. A acusação de genocídio coloca Brasília numa posição de confronto direto com discursos mais moderados ou cautelosos, e exige atenção quanto às respostas de aliados internacionais, reações de embaixadas, posicionamentos de organismos multilaterais e possíveis repercussões comerciais e diplomáticas.

Para o Brasil, a estratégia aparente é dupla: reafirmar sua voz no multilateralismo, defender normativas internacionais de direitos humanos e responsabilização, e ao mesmo tempo sustentar a legitimidade do Estado palestino e a solução de dois Estados, prevista em resoluções internacionais, como via para justiça, paz e coexistência.

compartilhe: