Atitude Popular

Lula acusa Trump de propor “nova ONU” sob controle dos EUA

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria propondo a criação de uma “nova ONU” — um organismo paralelo supostamente liderado apenas por ele — em vez de promover reformas no sistema multilateral, gerando críticas sobre unilateralismo e o futuro da cooperação global.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente uma proposta associada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que este estaria tentando criar uma espécie de nova Organização das Nações Unidas (ONU) em que teria controle preponderante ou seria “o dono” da instituição, em vez de trabalhar pela reforma e fortalecimento do multilateralismo global. A declaração foi feita durante o encerramento de um evento político em Salvador, na Bahia, onde Lula abordou o tema de política internacional e a situação atual da governança multilateral.

Segundo Lula, a iniciativa — vinculada ao que tem sido chamado de Conselho da Paz (Board of Peace), lançado recentemente pelo governo norte-americano — representa uma tentativa de criar um organismo global alternativo à ONU, no qual Trump teria poder concentrado, numa crítica que marca uma forte discordância com a maneira como os Estados Unidos têm atuado no cenário internacional. Para o presidente brasileiro, isso demonstra uma substituição progressiva do multilateralismo tradicional por abordagens unilaterais baseadas em “lei do mais forte” nas relações entre países.

Lula também apontou que a Carta das Nações Unidas, o principal documento fundador do sistema multilateral moderno, estaria sendo “rasgada” por abordagens que priorizam interesses de poucas potências, o que ele considera um retrocesso histórico. Desde o início de sua carreira política, inclusive durante mandatos anteriores, Lula defendeu reformas na ONU — inclusive a ampliação do Conselho de Segurança com novos membros permanentes como Brasil, México e países da África — como forma de tornar a organização mais representativa do mundo atual.

A crítica presidencial ocorre em um contexto em que a iniciativa liderada por Trump, oficialmente lançada como um mecanismo voltado inicialmente ao cessar-fogo e à reconstrução da Faixa de Gaza, teria ampliado seu escopo para atuação em outras áreas de resolução de conflitos globais e convoca adesões de diferentes países. Essa organização paralela tem enfrentado ceticismo, com múltiplos líderes internacionais optando por não aderir ou fazendo críticas à sua estrutura — inclusive à exigência de grandes contribuições financeiras e ao papel destacado de Trump como presidente vitalício de sua carta interna.

Lula afirmou que, diante dessa conjuntura, tem intensificado conversas diplomáticas com chefes de Estado e liderança de outras nações — incluindo dirigentes de China, Rússia, Índia e México — para construir uma resposta internacional que reforce o multilateralismo tradicional, evite a fragmentação do sistema global e impeça que iniciativas unilaterais substituam instituições com mandato universal como a ONU.

O posicionamento do presidente brasileiro sublinha uma tensão crescente nas relações internacionais entre visões distintos de governança global — de um lado, a defesa de estruturas amplas, inclusivas e baseadas em normas consagradas desde o pós-Segunda Guerra Mundial; de outro, propostas que priorizam soluções alternativas e organismos novos com liderança concentrada. O debate sobre o futuro do multilateralismo tem implicações diretas em temas como segurança coletiva, resolução de conflitos, reforma de instituições internacionais e a maneira como países do Sul Global se posicionam em relação às grandes potências tradicionais.