Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro após escândalo Dark Horse, aponta Datafolha

Da Redacao

Lula ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais e o movimento começa a produzir forte impacto político em Brasília. O novo levantamento Datafolha mostrou o presidente abrindo distância justamente no momento em que o bolsonarismo mergulha numa de suas maiores crises desde o fim do governo Bolsonaro.

O dado mais simbólico talvez seja o seguinte:
há poucas semanas, Lula e Flávio apareciam tecnicamente empatados em alguns cenários de segundo turno. Agora, o presidente surge numericamente à frente após a explosão do escândalo envolvendo o filme Dark Horse, o Banco Master e as conexões políticas e financeiras ligadas ao entorno bolsonarista.

Segundo o Datafolha divulgado nesta sexta-feira, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno. No primeiro turno, o presidente também ampliou vantagem e chegou aos 40% das intenções de voto.

A mudança não ocorre isoladamente.

Outros levantamentos recentes já indicavam desgaste crescente de Flávio Bolsonaro após as revelações envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do universo político-midiático ligado ao projeto Dark Horse. Pesquisas AtlasIntel e agregadores internacionais passaram a mostrar retração consistente da candidatura bolsonarista.

O impacto político foi imediato.

Nos bastidores de Brasília, parlamentares do centrão começaram a perceber que o escândalo atingiu um dos pilares mais importantes da narrativa bolsonarista:
o discurso moral.

Durante anos, o bolsonarismo construiu sua identidade pública associando-se ao combate à corrupção, à defesa da família e à suposta oposição às velhas práticas políticas brasileiras. Agora, parte importante do debate público passou a girar justamente em torno de:
operações financeiras obscuras,
banqueiros,
negociações milionárias,
produção cinematográfica internacional
e investigações envolvendo financiamento político indireto.

Isso produziu desgaste forte.

Especialmente porque o filme Dark Horse já vinha cercado de polêmicas antes mesmo do escândalo explodir. A produção protagonizada por Jim Caviezel e ligada ao entorno bolsonarista acumulou denúncias trabalhistas, acusações de irregularidades e suspeitas envolvendo financiamento e relações empresariais nebulosas.

A imagem de “Bolsonaro moderado” que setores da direita tentavam construir em torno de Flávio começou rapidamente a desmoronar.

E Lula aproveitou politicamente o momento.

O presidente voltou a ocupar espaço associado:
à estabilidade,
à experiência,
à recuperação econômica
e à reconstrução institucional do país.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro passou a enfrentar crescimento da rejeição. Segundo o próprio Datafolha, o senador já aparece como um dos nomes mais rejeitados da disputa presidencial. Parte relevante do eleitorado passou a associá-lo ao autoritarismo e às turbulências recentes do bolsonarismo.

Existe também outro fator importante:
a economia.

A recuperação gradual do emprego, a melhora de indicadores econômicos e os programas sociais do governo ajudaram Lula a reconstruir parte da conexão popular perdida durante os momentos mais difíceis de seu terceiro mandato.

Pesquisas recentes mostram melhora inclusive entre setores da classe média.

No Brasil, existe uma lógica política relativamente constante:
quando emprego, renda e consumo começam a melhorar minimamente, Lula cresce.

E o presidente parece voltar lentamente a ocupar um espaço histórico conhecido do imaginário político brasileiro:
o de liderança capaz de transmitir estabilidade em meio ao caos.

Isso ganha ainda mais força diante da fragmentação atual da direita.

Enquanto o bolsonarismo enfrenta:
investigações,
crises financeiras,
vazamentos,
radicalização digital
e disputas internas,
Lula aparece como figura institucionalmente consolidada.

O próprio ambiente internacional também favoreceu parcialmente o presidente.

As viagens diplomáticas, o protagonismo brasileiro nos BRICS, os debates sobre soberania tecnológica e o fortalecimento das relações do Brasil com China, Europa e Sul Global ajudaram a reconstruir a imagem internacional do país após anos de isolamento.

Tudo isso começou a se refletir nas pesquisas.

Talvez exista um detalhe ainda mais importante:
o crescimento de Lula ocorre num momento em que muitos adversários já tratavam seu governo como enfraquecido politicamente.

A recuperação alterou rapidamente o humor do sistema político.

E Brasília percebe isso antes de quase todo mundo.

Porque no Congresso Nacional, percepção de força importa quase tanto quanto força real.

Hoje a sensação predominante em parte do meio político é que Lula voltou ao jogo com capacidade real de chegar forte em 2026.

E isso muda completamente o comportamento:
do centrão,
do mercado,
da mídia
e até de setores da própria oposição.

No fundo, o que as pesquisas começam a mostrar é algo relativamente simples:
o lulismo talvez tenha perdido força em alguns momentos,
mas continua extremamente vivo como fenômeno político popular no Brasil.

compartilhe: