Da Redação
O presidente Lula anunciou nesta sexta-feira (26), durante a cerimônia de lançamento e batismo da Fragata “Cunha Moreira” (F202), em Itajaí (SC), que a defesa nacional passará a ocupar um lugar permanente entre as prioridades do governo federal. Ao participar da entrega do terceiro navio da Classe Tamandaré, o presidente afirmou que o Brasil precisa construir um projeto estratégico de longo prazo para proteger seu território, suas riquezas e sua soberania.
Construída integralmente no Brasil, com mão de obra nacional e transferência de tecnologia, a Fragata “Cunha Moreira” integra um dos principais programas de fortalecimento da Base Industrial de Defesa. Além de ampliar a capacidade da Marinha na proteção da Amazônia Azul, o projeto impulsiona a indústria naval, a inovação tecnológica e a formação de profissionais especializados.
Durante o discurso, Lula defendeu que a política de defesa deixe de ser tratada apenas como reposição de equipamentos e passe a integrar uma estratégia nacional de desenvolvimento.
“A gente não pode discutir defesa apenas repondo aquilo que estragou. É preciso definir que projeto de país a gente quer e, a partir disso, definir que tipo de defesa esse país precisa para garantir esse projeto”, afirmou.
O presidente relacionou essa necessidade às dimensões do território brasileiro e à responsabilidade de proteger suas riquezas naturais.
“O Brasil tem 16.800 quilômetros de fronteira seca e 8.000 quilômetros de fronteira marítima. Não é possível que um país desse tamanho ainda não saiba sequer a quantidade e a qualidade das riquezas que nós temos no fundo do mar, onde está parte do nosso petróleo.”
Lula também afirmou que o cenário internacional exige planejamento e capacidade de defesa, mesmo para um país comprometido com a paz.
“As pessoas precisam saber que nós não queremos briga com ninguém. Não queremos invadir ninguém. Não queremos guerra com ninguém. Mas estaremos preparados para defender os nossos 8,5 milhões de quilômetros quadrados e os nossos 215 milhões de habitantes.”
Segundo o presidente, pela primeira vez a defesa nacional fará parte de um programa de governo de forma explícita.
“Eu quero que vocês saibam que a questão da defesa fará parte do meu programa de governo. Pela primeira vez, eu vou colocar a defesa nacional em um programa de governo, para que a gente possa assumir um compromisso público sobre o tipo de defesa que queremos para este país.”
Lula lembrou que, logo no início do atual mandato, reuniu os comandantes das Forças Armadas, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Defesa, José Múcio, representantes do BNDES e do Ministério da Ciência e Tecnologia para discutir a reconstrução da indústria nacional de defesa, que, segundo ele, havia chegado a 2023 em situação crítica.
Ao comentar o cenário geopolítico, o presidente observou que o mundo enfrenta a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial e citou recentes disputas internacionais para defender que o Brasil esteja preparado para proteger seus interesses.
“Está cheio de maluco no mundo. Agora mesmo, o presidente americano diz que quer tomar a Groenlândia, que o Canadá vai virar um estado americano, que quer tomar o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?”
Para Lula, a entrega da Fragata “Cunha Moreira” simboliza o início de uma nova etapa para o país.
“Isto aqui, para mim, não é apenas um navio. Não é um monte de ferro com produtos tecnológicos de primeira linha. Isto é o começo de um país que vai assumir, de fato e de direito, o seu direito de ser soberano, de cuidar do próprio destino e de estar preparado.”
Ao encerrar o discurso, o presidente colocou a defesa nacional no mesmo patamar de outras áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento brasileiro.
“Além da educação, além da saúde, além da transição energética e além da inteligência artificial, a defesa faz parte das minhas prioridades para transformar este país no verdadeiro país que ele tem que ser. Não apenas grande pela sua base territorial, pela sua reserva florestal ou pelos seus 12% da água doce do planeta. Mas grande pela qualidade da nossa defesa e pela capacidade de defender o nosso país.”


