Lula cobra votação da 6×1 “hoje ou amanhã”

Presidente inicia segundo turno da campanha defendendo a redução da jornada sem corte salarial, cobra uma posição do PL e insiste para que jornalistas deixem as perguntas preparadas para uma entrevista mais longa

O Presidente Lula abriu nesta terça-feira (6) a nova etapa da campanha eleitoral colocando a discussão sobre o fim da escala 6×1 no centro de sua fala à imprensa. Em declaração publicada originalmente no canal oficial do Presidente Lula no YouTube, ele cobrou a votação da proposta no Senado e afirmou esperar que a mudança na jornada de trabalho fosse apreciada “hoje ou amanhã”. Ao final da declaração inicial, Lula insistiu para que os jornalistas fizessem perguntas e anunciou que, dali em diante, queria transformar o contato com a imprensa em uma entrevista, e não em uma fala de apenas um minuto.

“Daqui pra frente, escala de 1 minuto não. Daqui pra frente a gente vai fazer entrevista com vocês. Preparem as perguntas inteligentes que as respostas virão certamente todas muito inteligente”, disse Lula, em tom descontraído, antes de abrir espaço para os questionamentos.

A insistência para que a imprensa perguntasse veio depois de Lula afirmar que tinha outros assuntos importantes para tratar, mas que naquele momento pretendia concentrar sua manifestação exclusivamente na escala 6×1. Ele citou, entre os temas que abordaria posteriormente, a fiscalização extraordinária sobre as bets.

“Eu tenho outras coisas importantes para falar para vocês, mas não posso falar agora porque eu queria falar só da escala 6 por 1”, afirmou. Na sequência, acrescentou: “Mas eu tenho coisas importantes sobre as bet para falar que tá acontecendo a fiscalização extraordinária, mas amanhã nós tocaremos nesse assunto da Bet”.

A declaração sobre a escala 6×1 ocorreu no mesmo dia em que o Senado iniciou a discussão da proposta que prevê a redução da jornada de trabalho. Lula afirmou estar confiante de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cumpriria o compromisso de levar o tema ao Plenário e disse esperar que a votação acontecesse “hoje ou amanhã”.

“É isso que tá lá para ser votado e é isso que eu espero que aconteça hoje ou amanhã”, declarou.

A expectativa manifestada pelo Presidente Lula, porém, não coincide com o calendário divulgado pelo Senado. A previsão anunciada por Alcolumbre é de que a primeira votação da PEC ocorra na próxima semana, depois do cumprimento das sessões de discussão previstas para a matéria. A proposta estabelece a redução da jornada máxima semanal e prevê dois dias de descanso, sem redução salarial.

Lula apresentou a votação como um momento de cobrança pública sobre os partidos, especialmente o PL. Segundo ele, os parlamentares terão de deixar claro como pretendem se posicionar diante da mudança na jornada.

“Na hora que o Senado começar a votar, a máscara vai começar a cair”, afirmou. Em seguida, explicou o que considera estar em jogo: “A gente vai ver quem efetivamente quer que o povo tenha uma vida mais digna, que descanse mais, que possa cuidar mais da família ou se vai estabelecer essa jornada em que as pessoas só tem um dia para descansar”.

O Presidente Lula também questionou diretamente a posição que será adotada pela bancada do PL. “O meu adversário, ele vai ter que tomar uma decisão. Se ele vai mandar a bancada do partido dele votar favorável o fim da jornada de trabalho 6 por 1”, disse.

Para Lula, a votação poderá funcionar como uma forma de conferir, na prática, posições apresentadas durante a campanha. “Todo mundo tem tempo de dizer o que quiser, mas tem um momento em que a pessoa vai ter que provar o que tá falando”, afirmou.

Na avaliação apresentada pelo Presidente Lula, o tema também tem uma dimensão específica para as mulheres, que frequentemente acumulam o trabalho remunerado com as tarefas domésticas. Ele argumentou que o único dia de descanso previsto pela escala atual pode acabar sendo ocupado pelas atividades de casa.

“E se for mulher, o dia que ela tem que descansar, o dia que ela mais trabalha, porque ela tem que limpar casa pela semana inteira”, afirmou.

A proposta discutida no Senado prevê redução da jornada semanal sem redução salarial. Lula destacou esse ponto ao defender que a mudança não represente perda de renda para os trabalhadores.

“Reduzir a jornada sem reduzir, sabe, o salário das pessoas”, afirmou, ao lembrar o compromisso atribuído à presidência do Senado de colocar a matéria em discussão.

O Presidente Lula também afirmou ter recebido informações de que haveria movimentações para dificultar a votação. “Pelo que eu fui informado, eles estão tentando atrapalhar a votação para que essa votação não aconteça”, declarou. Ele não apresentou, durante a fala, detalhes sobre quem estaria promovendo a tentativa de obstrução.

Lula sustentou que a sociedade acompanha a discussão porque a escala 6×1 afeta milhões de trabalhadores. “É um tema que mexeu com milhões e milhões de trabalhadores e trabalhadores no país”, afirmou.

Ao tratar da votação, Lula também chamou atenção para a possibilidade de identificação individual dos votos. “É só digitar e aparecer na tela se votou sim ou não e o povo vai ficar sabendo amanhã”, disse.

A cobrança se conecta diretamente ao início do segundo turno da campanha. Lula afirmou que pretende viajar pelo país, conversar com diferentes setores e ampliar o contato com jornalistas durante esse período. A declaração desta terça-feira funcionou, portanto, como uma abertura da nova fase da disputa, mas também como uma tentativa de colocar uma pauta concreta do mundo do trabalho no centro da conversa eleitoral.

“Portanto, eu estou aqui com os meus companheiros, começando esse segundo turno da campanha, começando. Vamos ter que viajar muito, vamos ter que fazer muitas coisas nesse país, vou ter que conversar muito com você, com a imprensa”, afirmou.

A disposição para conversar com os jornalistas foi retomada no encerramento. Depois de dedicar os primeiros minutos à escala 6×1, Lula deixou claro que queria receber perguntas. “Se alguém quiser fazer uma pergunta, eu também tô disposto a responder a pergunta aqui”, disse.

Na sequência, reforçou que o formato daquele contato deveria mudar. “Daqui pra frente, escala de 1 minuto não. Daqui pra frente a gente vai fazer entrevista com vocês”, afirmou.

A frase dá um sentido particular à declaração desta terça-feira. Lula não encerrou a participação depois de apresentar sua posição sobre a escala 6×1. Ao contrário, pediu que os jornalistas preparassem perguntas e sinalizou que pretendia permanecer disponível para respondê-las.

“Preparem as perguntas inteligentes que as respostas virão certamente todas muito inteligente”, disse, antes de encerrar.

O fim da escala 6×1, assim, aparece como o primeiro tema escolhido por Lula para marcar o início do segundo turno. Ao defender a redução da jornada sem diminuição salarial, cobrar uma definição do PL e pedir que a imprensa amplie o questionamento, o Presidente Lula deslocou a abertura da nova etapa eleitoral para uma discussão que será decidida no Congresso. A votação, contudo, ainda depende do cumprimento das etapas regimentais previstas no Senado, apesar da expectativa manifestada por Lula de que ela ocorresse “hoje ou amanhã”.