Da Redação
Lula volta a crescer nas pesquisas e começa lentamente a reconstruir uma sensação política que marcou parte importante da história recente do Brasil:
a de estabilidade.
Depois de atravessar meses difíceis marcados por desgaste econômico, pressão inflacionária, ataques constantes da oposição e tensão institucional em Brasília, o presidente iniciou um processo consistente de recuperação de popularidade que já começa a aparecer em diferentes levantamentos nacionais.
E talvez exista um detalhe importante nessa virada:
ela não parece estar sendo impulsionada apenas pela rejeição ao bolsonarismo.
A melhora vem acompanhada de mudanças concretas na percepção econômica da população.
Pesquisas recentes mostram crescimento da aprovação do governo especialmente entre setores populares, trabalhadores e até parte da classe média que havia demonstrado frustração ao longo de 2025. A combinação entre melhora gradual da economia, retomada do emprego, expansão do crédito e fortalecimento de programas sociais começa a produzir efeitos políticos mais amplos.
Existe uma lógica histórica relativamente constante no lulismo:
quando a economia melhora minimamente na vida cotidiana das pessoas, Lula cresce politicamente.
E os sinais econômicos mudaram nos últimos meses.
A prévia do PIB apontou crescimento acima das expectativas.
O emprego formal voltou a avançar.
O consumo interno ganhou fôlego.
Programas sociais foram ampliados.
O crédito popular voltou a circular.
E a inflação, embora ainda preocupante em alguns setores, deixou de produzir o mesmo impacto explosivo observado anteriormente.
Isso ajudou a reduzir parte do desgaste acumulado.
Ao mesmo tempo, Lula voltou a ocupar espaço internacional importante.
As viagens diplomáticas, os encontros multilaterais e o protagonismo brasileiro em debates sobre:
BRICS,
transição energética,
terras raras,
inteligência artificial
e multipolaridade ajudaram a reconstruir parte da imagem internacional do Brasil.
A percepção de isolamento que marcou os anos Bolsonaro foi substituída por outra:
a de que o país voltou a ter presença relevante no cenário global.
E isso possui peso simbólico interno.
Especialmente porque Lula continua sendo associado por parte significativa da população à ideia de respeito internacional ao Brasil.
Outro fator importante nessa recuperação é o desgaste crescente da extrema-direita.
As investigações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e os vazamentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse produziram forte turbulência no campo bolsonarista.
Pela primeira vez em muito tempo, parte da oposição passou a ocupar posição defensiva permanente.
O bolsonarismo, que construiu sua identidade política sobre discurso moralista e combate à corrupção, começou a enfrentar desgaste público associado justamente a:
operações financeiras nebulosas,
fundos internacionais,
negociações suspeitas
e investigações da Polícia Federal.
Isso alterou parcialmente a correlação política nacional.
Enquanto a oposição mergulhava em crise, Lula voltou a aparecer associado:
à estabilidade,
à normalidade institucional,
à recuperação econômica
e à reorganização do Estado.
Existe também um elemento emocional importante nessa recuperação.
Depois de anos extremamente turbulentos politicamente, parte da sociedade brasileira demonstra sinais de cansaço diante do ambiente permanente de guerra política, radicalização digital e tensão institucional.
Nesse cenário, Lula volta lentamente a ocupar o espaço de liderança experiente capaz de transmitir previsibilidade em meio ao caos internacional e doméstico.
Não significa ausência de críticas.
O governo ainda enfrenta problemas importantes:
juros altos,
pressão fiscal,
insatisfação em setores urbanos,
violência,
desigualdade
e dificuldades estruturais da economia brasileira.
Mas a direção política do ambiente começou a mudar.
E Brasília percebeu isso rapidamente.
Nos bastidores do Congresso, setores do centrão já começaram a recalcular posições diante da melhora gradual da popularidade presidencial e do enfraquecimento relativo do bolsonarismo após os escândalos recentes.
A percepção de força política importa enormemente em Brasília.
E Lula voltou a demonstrar capacidade de recuperação justamente quando parte do mercado político já começava a tratar seu governo como enfraquecido.
Talvez exista uma característica central que explique essa resiliência.
Lula continua sendo uma figura profundamente conectada ao imaginário popular brasileiro.
Mesmo após décadas de ataques midiáticos, operações judiciais, prisão, campanhas de desinformação e polarização extrema, o presidente mantém algo raro na política contemporânea:
capacidade de reconstruir vínculo político direto com parcelas amplas da população.
Especialmente quando a economia volta minimamente a funcionar.
É justamente isso que começa a preocupar novamente seus adversários.
Porque se a melhora econômica continuar avançando nos próximos meses, a tendência é que a recuperação política de Lula também se intensifique.
E no Brasil, poucas forças políticas demonstraram ao longo da história capacidade tão grande de transformar crescimento econômico em força popular quanto o lulismo.



