Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os recentes ataques dos EUA contra embarcações venezuelanas violam a soberania nacional, e disse que levará a questão ao próximo encontro com Donald Trump: “Se a moda pega, vira terra sem lei”.
Durante visita à Indonésia, Lula fez declarações incisivas sobre a atuação americana próxima às águas venezuelanas, afirmando que operações militares ou de interdição, realizadas unilateralmente por Washington, ameaçam o princípio da soberania e abrem precedentes graves para a ordem internacional.
Segundo o presidente brasileiro, “não pode haver país que, como árbitro externo, diga que vai invadir ou intervir — se isso se naturalizar, vira terra sem lei”. Ele sublinhou que o Brasil defende o diálogo entre nações, o respeito às Constituições alheias e que qualquer ação “fora do pacto” aumenta a instabilidade regional.
Lula acrescentou que levará o tema ao encontro com Trump, previsto à margem das cúpulas asiáticas, para colocar o Brasil como interlocutor de mediação e chamar atenção para o risco de escalada. O Brasil vê-se como ponte entre os polos globais, e nesta lógica busca evitar que o Caribe e a América Latina sejam palco de confrontos por procuração entre potências.
Em seu discurso, o presidente destacou que o que se verifica na Venezuela, segundo Brasília, é uma operação de grande alcance que ultrapassa o tráfico de drogas e pode se equiparar a formas de militarização extraterritorial. Ele afirmou que, apesar dos riscos reais do narcotráfico, a resposta deve se dar pelos marcos do direito internacional e das instituições multilaterais, e não por uso de força unilateral.
A declaração de Lula reforça o que ele tem chamado de “agenda de soberania informacional e territorial” do Brasil, sob a qual o país procura não apenas proteger seu mercado e dados, mas também evitar que a ordem mundial seja regida por decisões unilaterais de potências que consideram outras regiões como teatro.
Por fim, o Brasil aposta que o encontro com Trump possa não apenas tratar de comércio e tarifas, mas também da arquitetura de paz regional, onde o país assume protagonismo diplomático ao colocar princípios de não-intervenção, cooperação e respeito mútuo no centro da agenda hemisférica.
Se bem sucedido, o gesto poderia reforçar o Brasil como ator mediador no Caribe e na América Latina, embora permaneça o risco de que o tema se torne mais simbólico do que efetivo — especialmente se não vier acompanhado de propostas concretas, cronogramas ou mecanismos de controle multilateral.


