Da Redação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o papel estratégico da Petrobras para o desenvolvimento nacional e fez duras críticas aos defensores da privatização da estatal. Durante cerimônia que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas (MS), nesta quinta-feira (25), Lula classificou como “vagabundos profissionais” aqueles que, segundo ele, trabalham para desmoralizar e vender a empresa.
Ao discursar, o presidente afirmou que o governo não interfere na gestão cotidiana da companhia, mas considera indispensável discutir estrategicamente o papel da Petrobras no desenvolvimento do país.
“O governo não tem ingerência na Petrobras. O que eu não abro mão é de discutir estrategicamente o papel da Petrobras no Brasil”, afirmou.
Defesa da soberania energética
Lula voltou a associar a Petrobras à soberania nacional e criticou o processo de venda de ativos realizado nos últimos anos. Segundo ele, quando não conseguem privatizar integralmente a empresa, setores favoráveis ao mercado procuram vender partes de seu patrimônio.
Em um dos momentos mais enfáticos do discurso, o presidente declarou:
“Tem uns vagabundos que são profissionais em tentar vender a Petrobras, em tentar desmoralizar a Petrobras.”
Para Lula, empresas estratégicas não podem ser tratadas apenas como ativos financeiros, mas como instrumentos fundamentais para o desenvolvimento industrial, energético e tecnológico do Brasil.
Críticas às privatizações
O presidente também questionou os resultados das privatizações realizadas nos últimos anos, citando a venda da BR Distribuidora, da Liquigás e da Eletrobras.
Segundo Lula, até hoje não foi demonstrado qual benefício concreto essas operações trouxeram para a população brasileira.
“Queria que aparecesse um gênio aqui e explicasse o que o povo brasileiro ganhou com a privatização da BR Distribuidora”, afirmou. Em seguida, fez questionamentos semelhantes sobre a Liquigás e a Eletrobras.
Fertilizantes e reindustrialização
Grande parte do discurso foi dedicada à retomada da UFN-3, obra iniciada há mais de uma década e interrompida durante o processo de desinvestimentos da Petrobras.
Lula criticou o fato de o Brasil continuar dependente da importação de fertilizantes, especialmente em um cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos que elevam os preços desses produtos.
Segundo o presidente, ampliar a produção nacional significa reduzir custos para a agricultura, fortalecer a segurança alimentar e diminuir a vulnerabilidade do país diante das oscilações do mercado internacional.
Petrobras como instrumento de desenvolvimento
Ao encerrar sua fala, Lula voltou a defender uma visão estratégica das empresas públicas e afirmou que um país somente alcança verdadeira soberania quando controla os setores essenciais de sua economia.
Para o presidente, a Petrobras continua sendo um dos principais instrumentos de política industrial, geração de empregos, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da economia brasileira.


