Lula defende ampliação dos investimentos em Defesa e alerta para cenário internacional: “Tem loucos pelo mundo querendo guerra”

Durante visita à Avibras, presidente afirma que proteger fronteiras, riquezas estratégicas e a soberania nacional exige fortalecimento permanente da indústria de defesa e das Forças Armadas

Da Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta sexta-feira (24) a ampliação dos investimentos brasileiros em Defesa e afirmou que o país precisa estar preparado para enfrentar um cenário internacional marcado pelo aumento das tensões geopolíticas. Durante visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), o presidente ressaltou que, embora o Brasil tenha tradição pacífica, não pode abrir mão de sua capacidade de proteger o território nacional e seus recursos estratégicos.

Ao justificar a necessidade de fortalecer as Forças Armadas e a indústria nacional de defesa, Lula destacou que o mundo vive um período de crescente instabilidade.

“A gente tem a África na nossa frente e a gente tem os loucos pelo mundo querendo fazer guerra. E a gente não pode se esquecer que, embora a gente só goste de paz, a gente seja de paz, a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil.”

Segundo o presidente, defender a paz também significa possuir capacidade de dissuasão diante de eventuais ameaças externas.

Defesa e soberania caminham juntas

Durante o discurso, Lula relacionou diretamente os investimentos em Defesa à proteção das riquezas estratégicas brasileiras.

O presidente citou a Amazônia, os minerais críticos, as terras raras, as reservas de água doce, a extensa faixa de fronteiras terrestres e o litoral brasileiro como ativos que exigem capacidade permanente de proteção.

Na avaliação do chefe do Executivo, o Brasil não pode depender exclusivamente da estabilidade internacional para garantir sua segurança. Por isso, defendeu uma política de Estado voltada ao fortalecimento das capacidades militares e tecnológicas do país.

“Quando a crise chega, ninguém pergunta se há dinheiro”

Lula também respondeu às críticas de setores que questionam os investimentos nas Forças Armadas.

Segundo ele, em momentos de crise ou conflito, a discussão sobre recursos financeiros perde espaço para a necessidade de garantir a sobrevivência e a soberania nacional.

O presidente comparou as Forças Armadas a um seguro contra situações extremas, afirmando que muitos só reconhecem sua importância quando enfrentam uma ameaça concreta.

Recuperação da Avibras é tratada como estratégica

A agenda presidencial ocorreu na Avibras Aeroco, uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa, responsável pelo desenvolvimento de sistemas de foguetes, mísseis, veículos espaciais e outras tecnologias militares.

A companhia retomou recentemente suas atividades após um longo período de paralisação provocado pela crise financeira que levou trabalhadores a permanecerem mais de três anos sem receber salários. O acordo firmado este ano permitiu a regularização das dívidas trabalhistas e o reinício das operações industriais.

Lula critica demora para salvar empresa

Durante o evento, Lula demonstrou incômodo com o tempo necessário para viabilizar a recuperação da Avibras.

Segundo o presidente, havia consenso entre o governo, o Ministério da Defesa, o BNDES e as próprias Forças Armadas sobre a importância estratégica da empresa, mas entraves burocráticos retardaram a solução.

Na avaliação do chefe do Executivo, preservar empresas nacionais capazes de desenvolver tecnologia sensível é parte fundamental da estratégia de soberania brasileira.

Defesa passa a integrar estratégia nacional de desenvolvimento

Nos últimos meses, Lula vem reforçando que a política de Defesa deixará de ser tratada apenas como uma questão militar e passará a ocupar posição central no planejamento estratégico do Estado brasileiro.

O presidente tem defendido que investimentos em defesa impulsionam também inovação tecnológica, indústria de alta complexidade, pesquisa científica, geração de empregos qualificados e desenvolvimento nacional, consolidando uma visão que aproxima segurança, soberania e política industrial.