Lula desafia Trump e Milei, rejeita interferência externa e promete defender eleições brasileiras

Presidente afirma que não aceitará ingerência estrangeira no processo eleitoral, diz preferir vencer adversários “na narrativa” e reforça que o Brasil decidirá seu futuro sem pressões externas

Da Redação

O Presidente Lula adotou um tom de firme defesa da soberania brasileira ao discursar nesta quinta-feira (30), durante a convenção nacional do PSB. Sem esconder as críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, Lula afirmou que não aceitará qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras e declarou que pretende enfrentar adversários políticos no campo das ideias, e não por meio de confrontos diplomáticos.

Ao comentar sua relação com Trump, Lula disse que não pretende transformar divergências em uma disputa pessoal ou entre países.

“Eu não quero inimigo. Eu não quero nenhum Trump de inimigo. Às vezes ele fica querendo brincar comigo. Eu não quero briga com ele. O cara diz que tem o maior navio do mundo, a maior bomba atômica do mundo. Eu só tenho vocês. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa.”

O presidente afirmou que o Brasil responderá a ataques políticos por meio do debate público e da defesa de suas posições diante da opinião internacional.

“Eu quero fazer a guerra da narrativa. Quem está falando a verdade ou quem está falando a mentira.”

Lula também revelou que o governo brasileiro negou vistos a dois cidadãos estrangeiros que, segundo ele, pretendiam atuar no país para interferir nas eleições de 2026.

“Essa semana nós tivemos que negar o visto para dois jovens que eles estão mandando para o Brasil para se intrometer nas eleições brasileiras. Nós negamos o visto.”

Sem mencionar nomes, o presidente acrescentou que, enquanto permanecer no cargo, não permitirá ingerência externa no processo democrático brasileiro.

“Enquanto eu for presidente, enquanto eu for vivo, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras.”

Ao abordar Javier Milei, Lula afirmou que evitou alimentar conflitos após declarações e atitudes do presidente argentino. Segundo ele, sua postura decorre do respeito institucional entre os países.

“Eu não falei nada. Porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado e eu gosto do povo argentino.”

O presidente também afirmou que publicou recentemente um artigo em um jornal norte-americano e disse considerar que sua posição encontrou respaldo entre os leitores.

“Na narrativa, nós estamos certos. E quem tem razão não baixa a cabeça.”

Na parte final do discurso, Lula fez referências à própria disposição física às vésperas de completar 81 anos. Disse que a motivação política é o que o mantém ativo e afirmou sentir-se em melhores condições do que quando assumiu a Presidência pela primeira vez.

“Só envelhece o cara que não tem uma causa.”

O presidente encerrou convocando a militância para a campanha eleitoral e demonstrou confiança na vitória do campo governista.

“Se prepare porque o Lulinha está com 80, mas com energia de 30. Quero que a gente possa chegar no dia 4 de outubro e matar as eleições no primeiro turno.”