Lula e Janja falam sobre férias, lua de mel e a vida que pretendem viver após a política

Presidente diz que deseja encerrar trajetória eleitoral no fim de um novo mandato e revela planos pessoais ao lado da primeira-dama

Da Redação

Em meio aos discursos sobre economia, educação, democracia e campanha eleitoral, a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores reservou um momento incomum para o Presidente Lula e a primeira-dama Janja. Ao comentar a própria trajetória política, Lula abriu espaço para falar da vida pessoal, do desejo de descansar ao lado da esposa e dos planos que pretende realizar quando deixar definitivamente a política.

As declarações foram feitas durante a Convenção Nacional do PT, que oficializou a candidatura do Presidente Lula à reeleição neste domingo (2), em São Paulo.

Ao comentar a possibilidade de disputar e concluir mais um mandato, Lula afirmou que enxerga essa etapa como o encerramento de sua carreira política.

“Eu quero fazer o melhor governo da minha vida.”

Na sequência, dirigiu-se diretamente a Janja e falou sobre o futuro que imagina para o casal.

Segundo o presidente, depois de concluir sua missão política, pretende viver uma rotina distante das disputas eleitorais.

“Depois eu quero tirar férias. Quero fazer a lua de mel que a gente ainda não fez. Quero viajar com a Janja e viver um pouco da vida.”

A declaração provocou aplausos e sorrisos entre os participantes da convenção.

Uma vida além da Presidência

Lula costuma afirmar que a política deu sentido à sua trajetória pública, mas, desta vez, apresentou um desejo diferente: experimentar uma vida sem campanhas, sem agendas institucionais e sem a responsabilidade cotidiana de governar o país.

Ao longo do discurso, o presidente voltou diversas vezes ao tema da idade. Lembrou que completará 81 anos no próximo ano e afirmou que mantém uma rotina de exercícios físicos para preservar a saúde.

“A Terra continua girando. Os anos vão passando.”

Ele contou que acorda diariamente às 5h30, faz musculação e caminhada e procura manter a disposição necessária para enfrentar mais uma campanha eleitoral.

Ao relacionar a preparação física com o futuro, Lula indicou que pretende chegar ao fim de um eventual novo mandato em condições de aproveitar uma etapa mais tranquila da vida.

Janja reforça o vínculo pessoal

Pouco antes da fala do presidente, Janja havia sido chamada ao palco por iniciativa do próprio Lula, depois que ele observou que nenhuma mulher estava prevista para discursar no momento principal da convenção.

Em sua participação, a primeira-dama também fez referências à relação construída ao longo dos últimos quatro anos.

“Eu tenho muito orgulho de caminhar ao seu lado nesses quatro anos.”

Janja afirmou que acompanha o presidente porque acredita nas políticas públicas implementadas pelo governo e destacou que sua atuação não se limita ao papel tradicional atribuído às primeiras-damas.

Ao agradecer a parceria, Lula respondeu em tom pessoal durante seu discurso, misturando referências ao governo com demonstrações de carinho pela esposa.

Política e vida pessoal dividem espaço

A campanha presidencial costuma ser marcada por debates sobre programas de governo, alianças e disputas eleitorais. Na convenção do PT, porém, Lula procurou apresentar também uma dimensão mais pessoal de sua trajetória.

Depois de relembrar a infância, a chegada a São Paulo, a liderança sindical e as campanhas presidenciais, afirmou que pretende concluir esse ciclo com a sensação de dever cumprido.

O presidente disse que sua prioridade continua sendo impedir o retorno da extrema direita ao poder e consolidar políticas públicas iniciadas durante o atual mandato. Mas acrescentou que, encerrada essa etapa, pretende dedicar tempo à vida que ficou em segundo plano durante décadas de atividade política.

Entre esses planos estão férias, uma lua de mel adiada desde o casamento e viagens ao lado de Janja.

A referência foi recebida pela militância como um raro momento de descontração em um discurso que, durante mais de uma hora, tratou principalmente de economia, educação, democracia, defesa nacional e soberania brasileira.

Entre a Bahia e a diplomacia internacional

O desejo de desacelerar após a vida pública não apareceu pela primeira vez na convenção. Desde o início do atual mandato, Lula e Janja já comentaram, em diferentes ocasiões, que imaginam passar parte da aposentadoria na Bahia. A ideia surgiu em conversas informais do casal e chegou a ser mencionada pelo presidente em eventos públicos, sempre como um projeto para depois do encerramento de sua trajetória política.

A imagem contrasta com a rotina que Lula mantém desde que voltou ao Palácio do Planalto. Nos últimos três anos e meio, o presidente acumulou viagens ao exterior, participou de reuniões do G20, do G7, da Assembleia Geral das Nações Unidas, de cúpulas do Brics, da CELAC e do Mercosul, além de visitas de Estado e negociações bilaterais em diferentes continentes. A agenda internacional recolocou o Brasil em fóruns multilaterais e transformou Lula novamente em um dos chefes de Estado mais ativos da diplomacia mundial.

Na convenção, porém, o presidente desenhou um cenário diferente para o futuro. Em vez de encontros internacionais, cúpulas de governo e negociações diplomáticas, falou em férias, lua de mel e tempo para viver ao lado de Janja.

A mudança de perspectiva ajuda a dimensionar o significado político da candidatura apresentada pelo PT. Caso seja reeleito, Lula chegaria ao fim do mandato aos 84 anos. Ao afirmar que deseja viajar com a esposa, descansar e realizar a lua de mel adiada, o presidente apresentou a campanha de 2026 como o último capítulo de uma trajetória iniciada nas greves do ABC no fim da década de 1970 e consolidada ao longo de mais de quatro décadas de vida pública.