Lula mantém liderança com 41%, mas disputa com Flávio Bolsonaro aperta, mostra BTG/Nexus

Da Redação

Presidente conserva a primeira colocação no primeiro turno e lidera também na pesquisa espontânea; Flávio avança para 37% e chega a 45% contra 46% de Lula numa eventual segunda rodada, indicando uma eleição cada vez mais polarizada e competitiva

O Presidente Lula permanece na liderança da corrida presidencial de 2026, segundo a nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (24). No principal cenário de primeiro turno, Lula registra 41% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 37%. O levantamento confirma a concentração da disputa nos dois candidatos, mas também mostra um estreitamento da distância: na rodada anterior, divulgada em 17 de agosto, Lula tinha os mesmos 41%, enquanto Flávio aparecia com 36%.

A diferença entre os dois, portanto, passou de cinco para quatro pontos percentuais em uma semana. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, as faixas dos candidatos se encontram no limite, razão pela qual diferentes veículos classificam o cenário como tecnicamente empatado, embora Lula permaneça numericamente na primeira posição. A série recente também mostra que a vantagem do presidente vem oscilando: era de oito pontos em 29 de junho, caiu para seis em 13 de julho, chegou a nove em 27 de julho, recuou para quatro em 3 de agosto, voltou a cinco nas duas pesquisas seguintes e agora retorna aos quatro pontos.

O dado precisa ser observado com cautela. Não há na pesquisa uma queda de Lula no cenário principal em relação à semana anterior: o presidente permanece em 41%. O movimento registrado foi uma oscilação positiva de um ponto de Flávio Bolsonaro, de 36% para 37%, variação que está dentro da margem de erro. Isso significa que o levantamento isoladamente não permite falar em mudança consolidada de tendência, mas revela uma disputa que continua altamente competitiva a poucas semanas do primeiro turno.

Na pesquisa espontânea — quando os entrevistadores não apresentam uma lista de candidatos e perguntam diretamente em quem o eleitor pretende votar — Lula conserva uma vantagem maior. Esse indicador possui importância particular durante uma campanha porque ajuda a medir o grau de cristalização das candidaturas na memória do eleitor. A liderança espontânea do presidente sugere uma base eleitoral fortemente identificada com seu nome, ainda que a distância diminua quando todos os candidatos são apresentados aos entrevistados.

A eleição também permanece fortemente concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro. Somados, os dois alcançam 78% das intenções de voto no principal cenário estimulado. Essa concentração reduz, pelo menos neste momento, o espaço disponível para o crescimento das candidaturas que tentam construir uma alternativa aos dois polos dominantes da política brasileira.

O quadro torna-se ainda mais apertado quando a pesquisa simula um segundo turno entre Lula e Flávio. O presidente aparece com 46%, enquanto o candidato do PL alcança 45%. A diferença é de apenas um ponto percentual, configurando empate técnico. Na rodada anterior, Lula tinha 47% e Flávio, 44%. Como ambas as movimentações estão dentro da margem de erro, não é possível afirmar estatisticamente que tenha ocorrido uma transferência efetiva de três pontos na diferença entre eles, mas o resultado confirma que uma eventual segunda rodada seria extremamente disputada.

Esse talvez seja o principal sinal político da nova pesquisa. Lula continua liderando o primeiro turno e permanece numericamente à frente de Flávio numa disputa direta, mas não possui neste levantamento uma vantagem confortável que permita tratar a eleição como encaminhada. A campanha entra numa fase em que debates, propaganda eleitoral, desempenho econômico, acontecimentos políticos e capacidade de mobilização podem adquirir peso crescente sobre parcelas do eleitorado que ainda não consolidaram definitivamente sua escolha.

Ao mesmo tempo, o desempenho de Lula contra outros adversários continua melhor. Nas simulações divulgadas pela pesquisa, o presidente registra 46% contra 42% de Ronaldo Caiado, 46% contra 40% de Romeu Zema e vantagem ainda maior diante de Renan Santos, que aparece com 35%. Flávio Bolsonaro continua sendo, portanto, o adversário que produz o confronto mais apertado contra o presidente.

Os números mostram ainda que a eleição de 2026 permanece estruturada em torno de uma polarização que atravessa o país desde os últimos ciclos eleitorais, embora agora com uma mudança importante dentro do campo bolsonarista. Jair Bolsonaro não é o candidato, mas seu sobrenome continua no centro da disputa por meio de Flávio Bolsonaro. A capacidade do senador de preservar grande parte do eleitorado associado ao pai ajuda a explicar por que candidatos que tentam construir uma terceira via continuam encontrando dificuldades para romper a concentração existente entre os dois principais campos.

Para Lula, o levantamento apresenta simultaneamente uma força e um alerta. A força está na manutenção da liderança: mesmo depois de meses de exposição, conflitos políticos, disputas econômicas e início da campanha oficial, o presidente permanece com 41% e continua sendo o candidato numericamente mais forte do primeiro turno. O alerta está na redução da distância para Flávio e, principalmente, no virtual equilíbrio apresentado pelo segundo turno.

Também é necessário evitar uma leitura exagerada de pesquisas semanais. Oscilações de um ou dois pontos podem simplesmente refletir a margem de erro e não uma transformação efetiva da preferência do eleitorado. A própria sequência da BTG/Nexus mostra movimentos de aproximação e afastamento entre os candidatos ao longo das últimas semanas. Para identificar uma tendência consistente, será necessário observar várias rodadas e confrontá-las com levantamentos realizados por outros institutos e metodologias.

A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.006 eleitores entre os dias 21 e 23 de agosto, por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09028/2026.

O retrato desta segunda-feira, portanto, é bastante claro: Lula continua na frente, mas a eleição permanece aberta. O presidente entra na fase decisiva da campanha sustentando uma base eleitoral robusta e a liderança do primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro demonstra capacidade de permanecer próximo e transformar uma eventual segunda rodada numa disputa voto a voto.

A eleição ainda não está decidida — e a própria estabilidade de Lula em 41% mostra por quê. Para transformar liderança em vitória, o presidente precisará ampliar sua vantagem além do eleitorado já consolidado; para virar a disputa, Flávio terá de demonstrar que sua recente aproximação não é apenas uma oscilação estatística. É essa batalha pela parcela ainda móvel do eleitorado que deverá definir as próximas semanas da eleição presidencial brasileira.