Da Redação
Nova rodada da pesquisa Genial/Quaest mostra recuperação política de Lula, melhora na avaliação do governo e retomada da vantagem numérica sobre Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno para 2026.
A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira recolocou Luiz Inácio Lula da Silva em posição numericamente favorável na disputa presidencial de 2026 e indicou recuperação política do governo federal após meses de desgaste nas pesquisas de opinião. O levantamento mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro em cenários de primeiro e segundo turno, além de registrar melhora na aprovação do governo e avanço da percepção positiva sobre os rumos da economia brasileira.
Segundo os números divulgados pela Quaest, Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno contra 33% de Flávio Bolsonaro. No cenário de segundo turno, o presidente volta a abrir vantagem numérica sobre o senador do PL, após semanas marcadas por pesquisas que apontavam empate técnico ou até leve superioridade do filho de Jair Bolsonaro.
O resultado possui forte impacto político porque interrompe uma tendência observada desde março, quando Flávio Bolsonaro começou a crescer de forma consistente nas simulações eleitorais. Em levantamentos anteriores da própria Quaest, o senador chegou a aparecer numericamente à frente de Lula ou em empate rigoroso dentro da margem de erro.
A nova pesquisa sugere que Lula conseguiu recuperar parte do terreno perdido justamente em um momento no qual o governo tenta consolidar narrativa de recuperação econômica e reorganização política para 2026.
O levantamento mostra melhora importante especialmente entre eleitores de baixa renda e segmentos independentes. Segundo a pesquisa, Lula ampliou novamente sua força entre os mais pobres, eleitorado historicamente ligado ao lulismo, mas também apresentou recuperação parcial fora da base tradicional petista.
Essa mudança ajuda a explicar a recuperação numérica observada nos cenários eleitorais.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, existe avaliação de que os efeitos econômicos do terceiro mandato começam finalmente a aparecer de maneira mais perceptível para parte da população. Crescimento da renda, redução do desemprego, expansão de programas sociais e aumento do consumo passaram a integrar fortemente a estratégia narrativa do governo.
Dados recentes do IBGE mostram crescimento da renda média em todos os estados brasileiros em 2025. O agronegócio registrou recorde histórico de empregos, enquanto indicadores de desemprego voltaram aos menores níveis dos últimos anos. O governo também intensificou anúncios ligados ao PAC, investimentos públicos, segurança pública e ampliação da presença federal em estados e municípios.
A recuperação de Lula na Quaest parece dialogar diretamente com esse cenário.
Ao mesmo tempo, o levantamento confirma algo que já vinha aparecendo em diferentes institutos: a disputa de 2026 caminha rapidamente para uma polarização direta entre lulismo e bolsonarismo.
Nos últimos meses, praticamente todas as pesquisas nacionais passaram a apontar Lula e Flávio Bolsonaro como principais polos eleitorais da disputa presidencial. Outros nomes da direita, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, seguem sem conseguir romper a centralidade da polarização nacional.
Isso representa transformação importante dentro do campo bolsonarista.
Com Jair Bolsonaro preso, inelegível e enfrentando diversos processos judiciais, Flávio Bolsonaro passou gradualmente a ocupar espaço como principal herdeiro político do bolsonarismo nacional. O senador vem ampliando presença digital, fortalecendo alianças parlamentares e intensificando circulação nacional como pré-candidato informal da direita radical.
O crescimento de Flávio ao longo dos últimos meses havia provocado preocupação real dentro do PT. Pesquisas divulgadas entre março e abril mostraram cenários de empate técnico rigoroso e até momentos nos quais o senador aparecia numericamente à frente de Lula no segundo turno.
A nova Quaest interrompe parcialmente essa trajetória ascendente.
Mas o cenário continua extremamente competitivo.
Mesmo recuperando vantagem numérica, Lula ainda enfrenta índices elevados de rejeição. Flávio Bolsonaro também aparece com rejeição alta, revelando um ambiente político profundamente polarizado e marcado por forte divisão ideológica do eleitorado brasileiro.
Outro dado importante da pesquisa é o fortalecimento da divisão regional do país.
Levantamentos recentes da Quaest apontam Lula com enorme vantagem no Nordeste e desempenho melhor em Minas Gerais e Pará, enquanto Flávio Bolsonaro mantém força maior em estados do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás.
Essa divisão territorial ajuda a revelar como a polarização brasileira deixou de ser apenas partidária e passou a envolver também diferenças regionais, culturais, econômicas e comunicacionais.
O Nordeste continua funcionando como principal bastião eleitoral do lulismo, sustentado pela memória dos governos petistas dos anos 2000, pela força dos programas sociais e pela identificação histórica entre Lula e as camadas populares da região.
Já Flávio Bolsonaro concentra crescimento especialmente em estados mais ligados ao agronegócio, ao conservadorismo urbano e às redes bolsonaristas digitais construídas desde 2018.
O cenário internacional também influencia diretamente essa disputa.
O avanço global da extrema direita, a reorganização das redes digitais conservadoras e o fortalecimento do trumpismo internacional continuam impactando o ambiente político brasileiro. O bolsonarismo segue fortemente conectado a estruturas digitais internacionais ligadas à nova direita global.
Por outro lado, Lula tenta fortalecer imagem de liderança internacional associada à multipolaridade, soberania nacional e estabilidade democrática. O governo aposta que o protagonismo diplomático do presidente poderá funcionar como ativo importante na disputa de 2026.
Internamente, o PT também prepara ampliação da mobilização popular e do trabalho territorial nos próximos meses. O partido avalia que a eleição não será decidida apenas nas redes sociais ou na propaganda eleitoral tradicional, mas principalmente na capacidade de reconstruir presença social permanente nos territórios populares.
A nova Quaest reforça justamente essa percepção: embora a disputa continue aberta e extremamente polarizada, Lula demonstra capacidade de recuperação política quando consegue associar melhora econômica, mobilização social e retomada da iniciativa narrativa.
Ainda assim, a pesquisa mostra que 2026 tende a ser uma das eleições mais disputadas da história recente do país.
A polarização entre lulismo e bolsonarismo permanece extremamente consolidada. E Flávio Bolsonaro já aparece como principal nome da extrema direita para suceder politicamente Jair Bolsonaro no cenário nacional.
O resultado desta terça-feira, porém, sinaliza que Lula continua sendo adversário altamente competitivo e capaz de recuperar terreno rapidamente quando o governo consegue produzir melhora perceptível dos indicadores econômicos e reorganizar sua comunicação política.












