Atitude Popular

Manifesto do PT critica neoliberalismo e propõe soberania

Da Redação

Documento do PT aponta esgotamento do neoliberalismo e propõe um novo projeto nacional baseado em soberania, justiça social e protagonismo global do Brasil.

O Partido dos Trabalhadores lançou um novo manifesto político que busca reposicionar o Brasil diante de um cenário global em transformação, marcado pela crise do neoliberalismo, instabilidade econômica e avanço de forças autoritárias. O documento, apresentado no contexto do congresso da sigla, propõe um novo ciclo de desenvolvimento nacional ancorado na soberania, na justiça social e no protagonismo internacional do país.

Logo na abertura, o texto estabelece um diagnóstico contundente: o modelo neoliberal falhou. Segundo o manifesto, a promessa de crescimento econômico com estabilidade e bem-estar não se concretizou para a maioria da população, resultando em aumento da desigualdade, precarização do trabalho e fragilização das instituições democráticas.

A análise parte da ideia de que o mundo vive uma “mudança de época”. A crise iniciada em 2008 teria revelado limites estruturais do capitalismo contemporâneo, ampliando tensões sociais e políticas em diversas regiões. Nesse contexto, o documento aponta que o Brasil precisa construir um projeto próprio, capaz de enfrentar essas contradições sem depender de modelos externos.

O manifesto também traz uma crítica direta à concentração de poder econômico e tecnológico em grandes corporações globais, especialmente no campo digital. Para o partido, essa dinâmica reforça assimetrias entre países e limita a autonomia das nações, exigindo políticas que fortaleçam capacidades internas e a soberania informacional.

No plano internacional, o texto reforça a defesa de uma ordem multipolar. A política externa brasileira, segundo o documento, deve atuar de forma independente, ampliando alianças com países do Sul Global e defendendo o multilateralismo como alternativa ao unilateralismo das grandes potências.

Nesse ponto, há também uma crítica explícita à política externa dos Estados Unidos, especialmente sob a liderança de Donald Trump, citando o uso de tarifas comerciais e posturas agressivas em conflitos internacionais. Em contraposição, o manifesto apresenta o Brasil como um possível ator de equilíbrio, defensor da paz e da cooperação entre nações.

Internamente, o documento propõe uma agenda de reformas estruturais. Entre os eixos centrais estão o fortalecimento do papel do Estado na economia, a reconstrução da base industrial, a redução das desigualdades e a ampliação de políticas públicas. A ideia é superar o modelo baseado na exportação de commodities e avançar para um desenvolvimento com maior valor agregado e autonomia produtiva.

Outro ponto relevante é a centralidade da soberania. O manifesto afirma que não há desenvolvimento possível sem controle sobre recursos estratégicos, capacidade tecnológica e independência decisória. Esse conceito aparece como fio condutor de toda a proposta, conectando economia, política externa e organização social.

Além disso, o documento tem um claro objetivo político. Ele defende a continuidade do projeto liderado por Luiz Inácio Lula da Silva e aponta a reeleição como elemento fundamental para consolidar as transformações em curso.

No fundo, o manifesto não é apenas um posicionamento partidário. Ele representa uma tentativa de interpretação histórica do momento atual e de construção de um projeto de país. Ao afirmar a crise do neoliberalismo, o PT busca abrir espaço para um novo paradigma — no qual soberania, desenvolvimento e justiça social deixam de ser conceitos abstratos e passam a orientar a estratégia nacional.

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