Marcelo Uchôa revela ausência total de gastos públicos e aponta tentativa de criminalizar universidade e debate sobre o futuro do trabalho
Uma tentativa de transformar um evento acadêmico em escândalo político acabou desmontada pelos próprios fatos. A Universidade Federal do Ceará (UFC) foi intimada a informar supostos gastos com a presença do jornalista Leonardo Sakamoto em Fortaleza, mas, segundo o advogado e professor Marcelo Uchôa, simplesmente não havia o que explicar.

“O bolsonarismo é patético! Ontem, a Universidade Federal do Ceará foi intimada a dizer quanto gastou na estada do jornalista Leonardo Sakamoto por aqui. NADA!”, afirmou Uchôa em publicação nas redes sociais.
O relato detalha que não houve qualquer custo público envolvido na atividade. O próprio Sakamoto pagou suas passagens, não cobrou cachê e o evento sequer gerou despesas estruturais.
“Nem a luz do auditório da Faculdade de Direito, porque o evento foi à tarde e, como as janelas são de vidro, a iluminação foi solar”, destacou.
Segundo Uchôa, até mesmo despesas cotidianas foram resolvidas de forma colaborativa. “Membros da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo dividiram o almoço, ele se deslocou comigo durante o dia todo e jantou na casa dos meus pais.”
Evento público virou alvo sem motivo
A atividade com Leonardo Sakamoto integrou um ciclo de debates sobre direitos humanos realizado na UFC, com participação aberta ao público. Como já noticiado pela própria Atitude Popular, o jornalista esteve em Fortaleza para lançar o livro O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho, obra que discute a precarização das relações de trabalho e os limites do discurso empreendedor.
A matéria publicada pelo portal destacou que o livro questiona a ideia de autonomia vendida por plataformas digitais e aponta para o avanço de formas de exploração sob novas roupagens.
Ainda assim, mesmo sendo um evento público, gratuito e sem custos para a universidade, a atividade passou a ser alvo de questionamentos.
Histórico de pressão sobre universidades
O episódio não ocorre isoladamente. A UFC, assim como outras universidades federais, já esteve no centro de disputas políticas recentes. Durante o governo Bolsonaro, a instituição sofreu intervenção na escolha da reitoria, quando o candidato mais votado pela comunidade acadêmica não foi nomeado.
A atual gestão, liderada pelo reitor Custódio Almeida, sucede esse período marcado por tensionamentos entre autonomia universitária e interferência política.
Nesse contexto, a tentativa de questionar um evento sem qualquer gasto público revela um padrão mais amplo de atuação. Cria-se a suspeita antes do fato, constrói-se a narrativa antes da evidência.
Quando a denúncia não encontra realidade
O caso expõe uma inversão preocupante no debate público. Em vez de fiscalização baseada em dados concretos, observa-se a tentativa de produzir desgaste institucional a partir de acusações vazias.
A ausência total de gastos, confirmada pelo próprio relato de quem acompanhou o evento, desmonta a acusação e evidencia o caráter artificial da controvérsia.
No fim, o que se pretendia apresentar como irregularidade revela-se apenas mais um episódio de fabricação política.
E, como resumiu Marcelo Uchôa, sem rodeios, “o bolsonarismo é patético”.
📚 Referências citadas na matéria
- O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho — Leonardo Sakamoto e Carlos Juliano Barros












