Milei amplia crise com Brasil ao compartilhar ataque de aliado de Trump contra Lula

Presidente argentino republicou mensagem do deputado norte-americano Carlos Giménez que chama Presidente Lula de “porco”; episódio ocorre dias após Brasil reduzir nível da representação diplomática em Buenos Aires

Da Redação

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar o Presidente Lula ao compartilhar nas redes sociais uma publicação do deputado republicano norte-americano Carlos Giménez, aliado de Donald Trump, na qual o presidente brasileiro é chamado de “porco”. A manifestação acrescenta um novo episódio à crise diplomática entre Brasil e Argentina poucos dias depois de Brasília reduzir o nível de sua representação em Buenos Aires em resposta às sucessivas agressões do argentino.

Na publicação compartilhada por Milei, Giménez atacava Lula após declarações do brasileiro sobre o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. O parlamentar norte-americano também associou a posição do Presidente Lula à influência da chamada “ditadura castro-comunista”.

Ao compartilhar a mensagem, Milei incorporou ao próprio perfil uma ofensa dirigida ao chefe de Estado de um país vizinho com o qual a Argentina mantém uma de suas relações econômicas e diplomáticas mais importantes.

O episódio também reforça outra característica da atual crise: os ataques do presidente argentino ao governo brasileiro aparecem cada vez mais associados à política de Donald Trump para a América Latina e à disputa eleitoral brasileira.

Ataques continuaram mesmo após reação diplomática

A nova provocação ocorre menos de uma semana depois de o Brasil decidir reduzir sua representação diplomática na Argentina. O embaixador Julio Bitelli não retornará a Buenos Aires e a representação brasileira ficará sob responsabilidade de um encarregado de negócios, nível inferior ao de embaixador.

A decisão foi anunciada depois de Milei voltar a insultar Lula publicamente. Em entrevista à televisão argentina, ele chamou o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto”, além de insistir em ataques relacionados aos processos judiciais enfrentados pelo petista no passado.

A redução do nível diplomático procurava estabelecer um limite institucional para uma sequência de ataques que já vinha prejudicando a relação entre os governos. A nova publicação mostra que a medida brasileira não levou Milei a moderar sua atuação nas redes sociais.

Milei, Trump e a eleição brasileira

A participação de um parlamentar norte-americano no novo episódio amplia a dimensão internacional da crise. Carlos Giménez é republicano pela Flórida e aliado político de Donald Trump. Milei, por sua vez, mantém estreita aproximação com o presidente dos Estados Unidos.

Nas últimas semanas, o governo brasileiro passou a observar com preocupação manifestações estrangeiras relacionadas diretamente à disputa presidencial de 2026. Integrantes do governo e da campanha de Lula já manifestaram temor de interferência externa depois de movimentos de Trump e Milei favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Milei participou, inclusive, de atividades políticas ao lado de Flávio no Brasil e intensificou posteriormente as publicações contra Lula.

A sequência coloca as relações entre Brasil e Argentina diante de uma situação incomum: o presidente argentino não apenas mantém divergências públicas com o governo brasileiro, como intervém discursivamente em um ambiente eleitoral no qual possui aliados políticos claramente identificados.

Relação econômica permanece

Apesar do agravamento político, Brasil e Argentina continuam profundamente ligados pelo comércio, pelos investimentos e pelo Mercosul. A decisão brasileira não significou rompimento das relações diplomáticas nem suspensão dos vínculos econômicos.

A estratégia de Brasília até agora tem sido separar os interesses permanentes entre os dois países do relacionamento político com Milei. A continuidade das provocações, porém, aumenta a dificuldade dessa convivência.

O episódio também se insere no debate sobre soberania nacional e interferência estrangeira que ganhou espaço na eleição de 2026. A Campanha Brasil Soberano propõe a construção de um Congresso Amigo do Povo e prepara um manifesto com participação de intelectuais, sindicalistas e lideranças populares. Os interessados podem conhecer e assinar o documento em: