Da Redação
Luiz Marinho afirma que taxa Selic elevada representa entrave ao mercado de trabalho e pede ação do BC para estimular contratações; ministro projeta 1,5 milhão de empregos formais no ano, mas alerta para desaceleração do ritmo de criação de vagas.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta semana que a política de juros altos do Banco Central está freando a geração de empregos no Brasil. Para ele, a taxa Selic em patamar elevado representa um obstáculo direto à atividade econômica, ao encarecer o crédito e desestimular investimentos, o que reduz o ritmo de contratações.
Marinho declarou que o país deve fechar 2025 com a criação de cerca de 1,5 milhão de vagas formais, mas ressaltou que a desaceleração já é visível em comparação com 2024. O saldo positivo de agosto, embora relevante, foi inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior, o que reforça a preocupação com os efeitos da política monetária sobre o mercado de trabalho.
O ministro destacou que não se trata de questionar a autonomia do Banco Central, mas de exigir maior coordenação entre política monetária e objetivos sociais. Segundo ele, manter os juros altos prejudica não apenas empresários e trabalhadores, mas toda a economia, ao reduzir o consumo, os investimentos e a confiança das empresas em ampliar seus quadros de funcionários.
A cobrança pública também expõe um debate mais amplo: até que ponto o Banco Central deve considerar explicitamente os impactos de suas decisões sobre o emprego? Economistas ressaltam que há um dilema clássico entre conter a inflação e estimular a atividade econômica, mas concordam que, diante do atual cenário de desaquecimento, medidas de flexibilização poderiam abrir espaço para recuperação mais rápida do mercado de trabalho.
Marinho afirmou que o governo está preparado para adotar medidas complementares de estímulo, como programas de qualificação e linhas de crédito orientadas, mas reforçou que esses esforços só terão efeito pleno se acompanhados de condições financeiras mais favoráveis.
O embate entre Ministério do Trabalho e Banco Central, portanto, simboliza uma disputa central para 2026: como equilibrar a estabilidade macroeconômica com a necessidade urgente de fortalecer o emprego e a renda no Brasil.



